Sisu inova com uso de notas de três edições do Enem e oferece número recorde de vagas para estudantes

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sisu mec Foto: sisu mec - Reprodução MEC

O Ministério da Educação (MEC) divulgou as diretrizes para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2026, consolidando mudanças significativas e apresentando uma oferta sem precedentes de vagas. O processo seletivo, que utiliza as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para ingresso em instituições públicas, terá suas inscrições abertas entre os dias 19 e 23 de janeiro.

A principal alteração confirmada no edital é a aceitação das notas das edições de 2023, 2024 e 2025 do Enem. Essa medida visa ampliar as oportunidades para os estudantes, permitindo que utilizem seu melhor desempenho dos últimos três anos para concorrer a uma das mais de 274,8 mil vagas disponíveis em 136 instituições de ensino superior em todo o território nacional.

O cronograma estabelece a divulgação do resultado da chamada regular para o dia 29 de janeiro. A partir dessa data, os candidatos não selecionados poderão manifestar interesse em participar da lista de espera, um processo que se estende até 2 de fevereiro. As matrículas para os aprovados iniciarão também a partir de 2 de fevereiro, seguindo o calendário específico de cada universidade.

Flexibilidade ampliada com as notas do Enem

A nova regra que permite o uso de notas de três edições distintas do Enem representa uma das mais importantes atualizações do Sisu nos últimos anos. Anteriormente, os candidatos estavam restritos a utilizar apenas a nota do exame mais recente, o que limitava as chances daqueles que, por algum motivo, não obtiveram um bom desempenho no último ano.

O sistema foi programado para identificar automaticamente qual das três notas (2023, 2024 ou 2025) resulta na maior média ponderada para os cursos escolhidos pelo candidato. Os pesos de cada área do conhecimento são definidos pelas próprias instituições de ensino. Para ser elegível, o estudante não pode ter zerado a redação em nenhuma das edições utilizadas e não pode ter participado do exame na condição de “treineiro”.

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Essa flexibilização é vista como uma medida que democratiza ainda mais o acesso ao ensino superior público, reconhecendo o esforço contínuo dos estudantes e oferecendo mais de uma chance para que alcancem seus objetivos acadêmicos. A mudança beneficia um contingente maior de jovens que concluíram o ensino médio recentemente.

O cronograma oficial do processo seletivo

O calendário do Sisu 2026 foi estruturado para ser claro e objetivo, mantendo o formato de edição única anual, que concentra a seleção para vagas do primeiro e do segundo semestre em um único período. Todo o processo ocorre de forma digital, através do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, exigindo que os candidatos possuam um login ativo na plataforma gov.br.

As inscrições estarão abertas de 19 a 23 de janeiro, encerrando-se às 23h59 (horário de Brasília) do último dia. Durante este período, os estudantes podem escolher até duas opções de curso, sendo permitido alterar essas escolhas quantas vezes desejarem até o fechamento do sistema. A última inscrição registrada será a considerada válida.

A divulgação da chamada regular está marcada para 29 de janeiro. Os candidatos não convocados nesta primeira chamada terão entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro para registrar interesse na lista de espera. É fundamental que os estudantes fiquem atentos, pois a participação na lista não é automática e exige uma ação no portal.

O período de matrículas para os aprovados na chamada regular começa em 2 de fevereiro, seguindo as datas e procedimentos definidos por cada instituição. As convocações da lista de espera são de responsabilidade das universidades e ocorrem após o período de matrícula da chamada regular, para preenchimento das vagas remanescentes.

Uma oferta histórica de vagas no ensino superior

A edição de 2026 do Sisu se destaca como a maior já realizada em termos de oportunidades. São mais de 274,8 mil vagas distribuídas em 7.399 cursos de graduação, abrangendo todas as áreas do conhecimento. A adesão de 136 instituições, incluindo universidades federais, estaduais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia, garante uma capilaridade nacional ao processo.

A distribuição das vagas contempla todos os estados brasileiros, com uma concentração notável nas regiões Sudeste e Nordeste, que tradicionalmente possuem a maior rede de instituições públicas. Cursos de alta demanda, como Medicina, Direito, Engenharias e licenciaturas diversas, contam com uma oferta expressiva, ampliando a competitividade e as chances de ingresso para milhares de estudantes em todo o país.

Critérios de elegibilidade para os candidatos

Para estar apto a participar do processo seletivo do Sisu, o candidato precisa atender a dois requisitos fundamentais. O primeiro é ter concluído o ensino médio ou estar em vias de conclusão, desde que o certificado seja apresentado no ato da matrícula. O segundo é ter participado de, pelo menos, uma das três últimas edições do Enem (2023, 2024 ou 2025).

Além disso, é indispensável que o candidato não tenha obtido nota zero na prova de redação da edição do Enem que utilizará para a concorrência. O processo de inscrição é totalmente gratuito e realizado online, reforçando o compromisso do programa com a inclusão e a democratização do acesso à educação superior de qualidade.

Entendendo a aplicação da lei de cotas

O Sisu opera em conformidade com a Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), que determina a reserva de 50% das vagas de instituições federais de ensino superior para estudantes que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas. Dentro dessa porcentagem, existem subcotas que visam aprofundar a política de ação afirmativa. Metade dessas vagas reservadas (ou seja, 25% do total) é destinada a estudantes de famílias com renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo. A distribuição das vagas restantes dentro da cota leva em consideração critérios de raça/cor, sendo preenchidas por candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI), e também por pessoas com deficiência (PcD), em proporção à representatividade desses grupos na população de cada estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O processo de classificação inicia primeiramente pela ampla concorrência; somente os candidatos que não obtêm nota suficiente para serem aprovados nessa modalidade passam a concorrer pelas vagas reservadas às cotas, caso se enquadrem nos critérios.

Vantagens do modelo de edição única anual

A decisão de manter o Sisu com uma única edição por ano, implementada em 2024, trouxe otimizações importantes para o sistema. Essa abordagem simplifica o planejamento tanto para os candidatos quanto para as instituições de ensino, que podem organizar seu ano letivo de forma mais coesa, preenchendo as vagas para o primeiro e o segundo semestres de uma só vez.

Para os estudantes, o modelo de edição única reduz a ansiedade e a complexidade do processo, concentrando todas as oportunidades em um único período de inscrição. Isso permite que eles façam escolhas mais estratégicas, considerando todas as vagas disponíveis para o ano inteiro.

Do ponto de vista administrativo, essa estrutura ajuda a diminuir a ociosidade de vagas. Com um único processo seletivo, as listas de espera tendem a ser mais eficientes, pois as instituições conseguem convocar candidatos para preencher postos remanescentes de ambos os semestres letivos, garantindo que mais estudantes tenham acesso ao ensino superior.

A consolidação do Sisu como a principal porta de entrada para a educação pública superior gratuita é reforçada por esse modelo mais eficiente. A cada ano, o programa reafirma seu papel como uma ferramenta essencial para a mobilidade social e a promoção da equidade educacional no país.

Acesso ao edital completo

Todas as regras, datas e detalhes do processo seletivo estão disponíveis no edital completo, publicado no site oficial do Sisu, mantido pelo Ministério da Educação. É fundamental que os candidatos leiam o documento atentamente para compreender todas as etapas e exigências.

Além do edital geral, os estudantes devem consultar os Termos de Adesão de cada instituição de interesse. Nesses documentos, as universidades especificam os pesos atribuídos a cada área do Enem para cada curso, a documentação necessária para a matrícula e outras informações específicas do seu processo seletivo interno.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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