Proposta de 18 jogos avança na NFL com foco em expansão global e partidas obrigatórias no exteriorPor Thiago Lemos
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A National Football League (NFL) está avaliando uma reestruturação significativa em seu calendário para as próximas temporadas. A proposta, detalhada pelo proprietário do New England Patriots, Robert Kraft, prevê a ampliação da temporada regular de 17 para 18 partidas, uma medida que visa fortalecer as receitas e acelerar a expansão internacional da liga.
A mudança faz parte de uma estratégia mais ampla para consolidar o futebol americano como um esporte de alcance global. Além do jogo extra, o plano inclui a redução da pré-temporada de três para apenas dois jogos, mantendo o limite total de 20 confrontos por equipe antes dos playoffs. A ideia é substituir um jogo preparatório de baixo faturamento por um de temporada regular, que gera audiência e receitas muito superiores.
Kraft destacou que a internacionalização é um pilar central das discussões entre os donos de franquias. O objetivo é que, em breve, todas as 32 equipes da liga disputem ao menos uma partida por ano fora dos Estados Unidos, transformando os jogos internacionais em uma parte fixa e obrigatória do cronograma anual.
The NFL is looking to remove a preseason game in favor of increasing the regular season to 18 games while giving every team an international game, #Patriots owner Robert Kraft said on @ZoandBertrand. pic.twitter.com/DKeFs8ZsIi
— 98.5 The Sports Hub (@985TheSportsHub) January 20, 2026
A estratégia por trás da expansão global
A visão da NFL para o mercado externo é ambiciosa e tem o Brasil como um de seus principais focos. Após o sucesso da partida realizada em São Paulo, a liga já confirmou um novo evento em território nacional, com o Rio de Janeiro programado para sediar um confronto no Estádio do Maracanã em 2026. Essa movimentação solidifica o país, que conta com uma base de mais de 36 milhões de fãs, como um parceiro estratégico fundamental. A intenção da gestão liderada pelo comissário Roger Goodell é explorar mercados consolidados e emergentes, aproveitando a crescente popularidade do esporte para firmar novas parcerias comerciais e de transmissão, transformando a NFL em uma marca onipresente em todos os continentes.
O impacto financeiro e o teto salarial
O principal motor da proposta de 18 jogos é a necessidade de criar novas fontes de receita para sustentar o crescimento contínuo do teto salarial dos jogadores. Robert Kraft ressaltou o domínio absoluto da NFL na televisão americana, com 93 dos 100 programas de maior audiência no último ano sendo jogos da liga. Esse engajamento massivo atrai contratos de transmissão bilionários, que são diretamente revertidos para o cálculo do teto salarial das equipes, garantindo a competitividade financeira da liga.
Para manter o que Kraft descreve como “paz trabalhista”, é crucial que as receitas aumentem em proporção às demandas financeiras dos atletas. A estrutura atual se aproxima de um limite que exige novas frentes de faturamento para que os elencos permaneçam satisfeitos e os contratos continuem a ser reajustados. A troca de um jogo de pré-temporada por um de temporada regular é vista como a solução mais eficiente e lucrativa para garantir esse equilíbrio financeiro a longo prazo.
Oposição da associação de jogadores
Apesar do claro interesse dos proprietários, a transição para uma temporada de 18 jogos enfrenta forte resistência da Associação de Jogadores da NFL (NFLPA). A principal preocupação do sindicato é o aumento do desgaste físico e do risco de lesões para os atletas.
Lloyd Howell Jr., diretor executivo da NFLPA, já declarou publicamente que a união dos jogadores não tem interesse em aprovar a expansão do calendário sem contrapartidas significativas que garantam a saúde e a segurança de seus membros.
Negociações do acordo coletivo em pauta
Qualquer alteração no formato da temporada exige uma renegociação do Acordo de Negociação Coletiva (CBA), o contrato que rege as relações de trabalho na liga. O acordo atual tem validade até março de 2030, mas os proprietários pretendem iniciar as conversas para um aditamento o quanto antes.
As discussões deverão abordar temas complexos, como a inclusão de uma segunda semana de folga (bye week) para cada equipe e a implementação de protocolos aprimorados de recuperação e segurança para os jogadores.
Foco dos Patriots na final da conferência
Enquanto as discussões sobre o futuro da liga ocorrem nos bastidores, a equipe de Robert Kraft se concentra em um momento decisivo da temporada atual. O New England Patriots está se preparando para enfrentar o Denver Broncos neste domingo, 25 de janeiro, na final da Conferência Americana (AFC).
A partida, que será disputada em Denver, definirá um dos finalistas do Super Bowl LX, marcado para o dia 8 de fevereiro na Califórnia. O time comandado pelo técnico Mike Vrabel chega com uma campanha sólida de 16 vitórias e 3 derrotas.
O grande destaque dos Patriots tem sido o quarterback de segundo ano, Drake Maye, cujo desempenho superou todas as expectativas. Do outro lado, o Denver Broncos enfrenta o desafio de jogar com o reserva Jarrett Stidham, que assumiu a titularidade após uma grave lesão no tornozelo de Bo Nix.
O futuro da liga em campo e nos negócios
O sucesso esportivo de franquias influentes como os Patriots reforça o poder de negociação de seus proprietários nas decisões estratégicas da NFL. Uma eventual vitória em Denver e a classificação para o Super Bowl consolidariam ainda mais a posição de Kraft.
Caso conquiste o título, o time de Massachusetts poderá se isolar como a equipe com o maior número de troféus na era moderna, superando o Pittsburgh Steelers.
Esse tipo de domínio em campo alimenta diretamente a capacidade da liga de expandir sua marca em mercados internacionais, onde os Patriots já possuem um forte apelo global.
As mudanças propostas refletem uma visão de longo prazo para transformar a NFL de uma liga predominantemente americana em uma potência esportiva global nas próximas décadas.
Próximos passos para a mudança
A proposta de 18 jogos será formalmente discutida nas próximas reuniões de proprietários. Embora a implementação não seja imediata, a pressão para iniciar as negociações com a NFLPA deve aumentar nos próximos meses, sinalizando uma nova era para o futebol americano profissional.







