Torcida do Lyon chama John Textor de vigarista e exige afastamento total do clube francês
A principal torcida organizada do Olympique Lyonnais, conhecida como Bad Gones, publicou um manifesto oficial nesta terça-feira, 27 de janeiro, manifestando repúdio à possível presença de John Textor na Assembleia Geral do clube. O evento está marcado para ocorrer nesta quarta-feira, no Groupama Stadium, e a mobilização dos ultras ocorre em um momento de extrema tensão política e administrativa na instituição francesa. Os torcedores utilizaram termos pesados, como “vigarista” e “falso cowboy”, para descrever o empresário norte-americano, que também é o proprietário da SAF do Botafogo no Brasil.
O movimento dos torcedores franceses busca impedir que o empresário retome qualquer tipo de influência nas decisões cotidianas do Lyon após seu afastamento da gestão direta em 2025. Embora Textor ainda mantenha participação como acionista por meio da Eagle Football Holdings, a administração atual está sob o comando da empresária Michele Kang, que lidera um processo de reestruturação financeira e esportiva. A torcida alega que a permanência ou o retorno de Textor representaria um retrocesso perigoso para os valores tradicionais e para a estabilidade econômica que o clube tenta recuperar.
- A Assembleia Geral ocorre em Lyon, na França, seguindo o horário local da região europeia para as deliberações.
- O afastamento de Textor da gestão ocorreu após uma série de problemas financeiros que quase levaram o clube ao rebaixamento administrativo.
- Os ultras denunciam o modelo de multipropriedade de clubes, alegando que este sistema prejudica a identidade das instituições envolvidas.
- A gestão de Michele Kang é vista pelos torcedores como a única via possível para a reconstrução do Olympique Lyonnais.
Torcida organizada do Lyon protesta contra John Textor: 'O lugar dele não é aqui'.
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) January 27, 2026
A principal organizada do time francês (Bad Gones) publicou um comunicado contra a presença do ex-presidente do clube na Assembleia Geral de amanhã.
“Mesmo com o trabalho da atual diretoria para… pic.twitter.com/q4kZxcskb4
Manifestação agressiva dos ultras contra o modelo de gestão
O grupo Bad Gones expressou que a ideia de ver John Textor nas dependências do estádio é considerada insuportável para a comunidade de torcedores. Na carta aberta, os ultras destacaram que o empresário reduziu o clube a escombros durante sua passagem pela presidência, citando a reprovação de contas e os riscos jurídicos que cercam suas operações financeiras. O texto reforça que o sentimento de rejeição é compartilhado pela maioria dos sócios e frequentadores do estádio.
A torcida organizada também fez menção direta aos problemas que o empresário enfrenta em outras frentes, citando processos judiciais e disputas com fundos de investimento. Eles alertaram os outros acionistas de que é um dever moral e uma questão de honra informar a Textor que sua presença não é bem-vinda na assembleia de amanhã. O tom utilizado sugere um ambiente de hostilidade caso o empresário decida comparecer pessoalmente ao encontro no estádio.
Histórico de crises financeiras e o afastamento estratégico
A crise que culminou no afastamento de John Textor da presidência do Lyon teve seu auge em junho do ano passado, quando os órgãos reguladores do futebol francês apontaram graves inconsistências nas contas da Eagle Football. Naquela ocasião, o clube enfrentou o risco real de ser rebaixado para divisões inferiores caso não apresentasse garantias financeiras imediatas de centenas de milhões de euros. A saída de Textor foi a solução encontrada pelos demais sócios para garantir a sobrevivência da entidade.
Com a entrada de Michele Kang no comando, o Lyon iniciou uma fase de cortes de gastos e renegociação de dívidas acumuladas. A empresária sul-coreana naturalizada americana tem trabalhado para desvincular a imagem do Lyon das polêmicas globais que envolvem a rede de clubes de Textor. Para os torcedores, qualquer interferência do antigo gestor neste processo é vista como uma ameaça ao plano de recuperação que está sendo executado há meses.
Reação dos acionistas e o clima para a assembleia geral
Os acionistas minoritários e investidores locais do Olympique Lyonnais devem enfrentar uma reunião tensa nesta quarta-feira, sob a sombra das ameaças de protesto dos ultras. A pauta da assembleia inclui a análise do balanço financeiro atual e os próximos passos do planejamento estratégico para a temporada de 2026. A presença de Textor, embora legalmente permitida por sua posição como acionista, é desencorajada por diversos setores da diretoria para evitar conflitos públicos.
Muitos investidores temem que a insistência do empresário em participar das decisões possa afastar novos patrocinadores e prejudicar a relação com a liga francesa. O foco da atual gestão é manter a transparência total para evitar novas sanções da DNCG, o órgão de controle financeiro do futebol na França. A pressão popular exercida pelos Bad Gones coloca os outros membros da Eagle Football em uma posição delicada quanto ao apoio ao empresário norte-americano.
Impacto da multipropriedade na identidade do futebol europeu
O modelo de negócios defendido por John Textor, que consiste em controlar diversos clubes em diferentes países ao mesmo tempo, é o alvo principal das críticas na França. Os torcedores do Lyon argumentam que essa estrutura transforma os times em meros ativos financeiros, ignorando a história e a paixão das comunidades locais. Na visão dos ultras, o clube foi usado como peça de manobra em transações que beneficiaram outras frentes da Eagle Football, deixando o Lyon em situação de vulnerabilidade.
- O Lyon busca autonomia total para decidir sobre contratações e investimentos sem depender de interesses de outros clubes da rede.
- A torcida defende que o capital investido no futebol deve respeitar a soberania de cada instituição esportiva.
- Há uma resistência crescente na Europa contra donos que utilizam empréstimos cruzados entre diferentes equipes de sua propriedade.
Relação entre os problemas no Lyon e a gestão no Botafogo
A crise na França ocorre paralelamente aos desafios que John Textor enfrenta no futebol brasileiro, onde ele comanda a SAF do Botafogo. Os torcedores franceses mencionaram em sua carta que o empresário lida com acusações de irregularidades e processos judiciais em território sul-americano, o que aumentaria a desconfiança sobre sua capacidade de gestão. A interconectividade entre as crises em diferentes países é um dos pontos que mais preocupa os observadores do mercado esportivo internacional.
No Brasil, Textor tem sido protagonista de diversas polêmicas envolvendo a arbitragem e a integridade das competições nacionais, o que também repercute negativamente na imprensa europeia. Os ultras do Lyon utilizam esses episódios para reforçar o argumento de que o estilo de gestão do empresário é pautado pelo confronto e pela falta de estabilidade. Essa percepção global negativa tem dificultado a manutenção de uma imagem profissional para o grupo Eagle Football Holdings.
A postura da atual diretoria sob o comando de Michele Kang
Michele Kang tem mantido uma postura de silêncio estratégico em relação aos ataques da torcida contra seu sócio, focando apenas nos resultados operacionais do clube. A presidente tem a missão de acalmar os ânimos dos credores e garantir que o Lyon retorne ao topo da tabela na Ligue 1, algo que se tornou difícil nos últimos anos de turbulência. O plano de reconstrução envolve a valorização das categorias de base e a venda de ativos não essenciais para equilibrar o caixa.
A diretoria técnica também trabalha para isolar o elenco profissional do barulho político que vem das arquibancadas e das salas de reunião. O objetivo é garantir que os jogadores mantenham o foco nas competições em andamento, apesar da pressão externa constante. A expectativa é que, com uma gestão mais conservadora e voltada para a realidade financeira local, o Lyon possa finalmente encerrar o ciclo de crises que marcou a era de influência direta de John Textor.
O futuro da Eagle Football na estrutura do Olympique Lyonnais
A longo prazo, a permanência da Eagle Football como acionista majoritária é questionada por analistas financeiros e pela própria base de torcedores do Lyon. Existe um movimento silencioso nos bastidores para atrair novos investidores que possam comprar a parte de Textor e encerrar definitivamente o vínculo com o modelo de multipropriedade. No entanto, o alto valor das ações e as complexas garantias dadas em empréstimos internacionais tornam essa transação difícil de ser executada no curto prazo.
Enquanto a venda não ocorre, o clube permanece em um estado de vigilância constante, com a torcida agindo como uma espécie de fiscal das ações de Textor. A carta publicada hoje é apenas o capítulo mais recente de uma guerra de narrativa que promete se estender por todo o ano de 2026. O resultado da Assembleia Geral de amanhã será determinante para definir se o empresário ainda possui algum espaço de manobra ou se sua imagem foi definitivamente banida do cotidiano do Groupama Stadium.
















