A esquiadora americana Lindsey Vonn, de 41 anos, sofreu uma queda durante a prova de descida na Copa do Mundo de esqui alpino em Crans-Montana, na Suíça, nesta sexta-feira, 30 de janeiro. Ela perdeu o controle ao aterrissar um salto na parte superior da pista e acabou nas redes de segurança, recebendo atendimento imediato no local.
Vonn conseguiu se levantar após cerca de cinco minutos de cuidados médicos na neve e desceu lentamente até a chegada, apoiando-se nos bastões e segurando o joelho esquerdo. Em seguida, ela mancou até uma tenda médica e foi transportada de helicóptero para exames em hospital próximo. A corrida foi cancelada logo após o incidente devido às condições difíceis de visibilidade e neve caindo.
O acidente ocorreu exatamente uma semana antes da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Inverno de 2026, em Milano Cortina, na Itália. Vonn planejava competir na descida feminina em 8 de fevereiro, além de super-G e evento combinado por equipes. A gravidade da lesão no joelho esquerdo ainda não foi confirmada por exames detalhados.
Detalhes da queda em Crans-Montana
A pista de Crans-Montana apresentou desafios significativos nesta sexta-feira, com neve fresca reduzindo a visibilidade e tornando o terreno irregular. Vonn era a sexta competidora a largar e registrava o melhor tempo parcial no primeiro intervalo. No entanto, ao aterrissar um salto, ela perdeu o equilíbrio e girou antes de colidir com as redes de proteção.
Outras esquiadoras também enfrentaram problemas na mesma seção da pista. Nina Ortlieb, da Áustria, e Marte Monsen, da Noruega, caíram antes de Vonn, o que já havia causado atrasos na prova. Jacqueline Wiles, companheira de equipe de Vonn, e Corinne Suter, da Suíça, completaram suas descidas antes do incidente que interrompeu definitivamente a competição.
Condições da pista e cancelamento da prova
As condições meteorológicas em Crans-Montana foram apontadas como fator decisivo para os múltiplos acidentes. Neve caindo intensamente dificultava a visão das competidoras, conforme relatado por Romane Miradoli, da França, que destacou a falta de clareza na pista. A organização optou pelo cancelamento após a queda de Vonn para preservar a segurança das demais atletas.
A prova de super-G marcada para o sábado, 31 de janeiro, ainda estava prevista no calendário da Copa do Mundo. No entanto, o foco imediato se voltou para a avaliação médica de Vonn. Urs Lehmann, CEO da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), confirmou que a americana machucou o joelho e aguardava resultados de exames.
Histórico de lesões de Lindsey Vonn
Vonn possui longa trajetória marcada por lesões graves ao longo da carreira. Uma das mais sérias ocorreu em 2013, durante o Mundial de Schladming, na Áustria, quando rompeu ligamentos do joelho direito e precisou ser removida da pista de helicóptero. Na ocasião, ela perdeu os Jogos Olímpicos de Sochi, em 2014.
Atualmente, a esquiadora compete com implante parcial de titânio no joelho direito, consequência de cirurgias anteriores. Apesar das limitações físicas, ela retornou às pistas na temporada passada, aos 40 anos, após quase seis anos afastada. Nesta temporada, acumulou duas vitórias em descidas e outros três pódios em cinco corridas da modalidade.
Temporada atual e desempenho recente
Vonn lidera a classificação da descida na Copa do Mundo 2025-2026, com resultados consistentes em todas as provas disputadas. Incluindo super-G, completou oito corridas e subiu ao pódio em sete delas, com pior colocação sendo o quarto lugar. Sua 84ª vitória na carreira veio semanas atrás, consolidando-a como favorita para Milano Cortina.
A americana também registrou quedas menores em janeiro, durante etapas em Cortina d’Ampezzo, pista que sediará as provas olímpicas femininas de velocidade. Apesar dos incidentes, manteve desempenho elevado e expressava confiança na preparação final para os Jogos.
Retorno às competições após aposentadoria
O retorno de Vonn às pistas ocorreu na temporada anterior, surpreendendo o circuito do esqui alpino. Afastada desde 2019, ela superou limitações físicas para voltar a competir em alto nível. O implante no joelho direito não impediu que conquistasse vitórias e pódios logo nos primeiros eventos.
A motivação para o comeback foi disputar suas quintas Olimpíadas e encerrar a carreira em Cortina, onde detém recorde de 12 vitórias em Copas do Mundo. Vonn possui três medalhas olímpicas: ouro e bronze em Vancouver 2010, além de bronze em PyeongChang 2018.
- Ouro na descida em Vancouver 2010
- Bronze no super-G em Vancouver 2010
- Bronze na descida em PyeongChang 2018
Pista de Cortina e expectativa olímpica
Cortina d’Ampezzo receberá as provas femininas de velocidade nas Olimpíadas de 2026. A pista Olympia delle Tofane é considerada uma das favoritas de Vonn, que acumula vitórias históricas no local. A descida olímpica está marcada para 8 de fevereiro, logo após a abertura dos Jogos.
A americana planejava participar também do super-G e do novo evento combinado por equipes. Sua presença era vista como um dos grandes atrativos dos Jogos de Milano Cortina, especialmente pelo retorno improvável aos 41 anos.
Avaliação médica e próximos passos
Após o transporte de helicóptero, Vonn passou por exames para avaliar a extensão da lesão no joelho esquerdo. Lehmann, da FIS, indicou que a gravidade ainda era incerta e dependia dos resultados médicos. A equipe americana não divulgou boletim imediato sobre o quadro clínico.
A proximidade com os Jogos Olímpicos torna o caso particularmente sensível. Qualquer lesão significativa poderia comprometer a participação da esquiadora nas provas planejadas. A temporada de Copa do Mundo segue, mas o foco agora está na recuperação de Vonn.
Carreira consolidada no esqui alpino
Vonn detém o recorde feminino de vitórias em Copas do Mundo, com 84 triunfos até o momento. Supera o antigo marco de Ingemar Stenmark entre as mulheres e mantém status de referência no esqui de velocidade. Quatro vezes campeã geral da Copa do Mundo, coleciona oito títulos em descida e cinco em super-G.
Sua trajetória inclui superação constante de lesões e cirurgias. Mesmo com o corpo marcado por intervenções, incluindo o implante de titânio, manteve competitividade em alto nível até a aposentadoria inicial em 2019.
