A agência reguladora dos Estados Unidos, Food and Drug Administration (FDA), autorizou o uso da ferramenta de inteligência artificial TumorSight Risk para prever o risco de recorrência do câncer de mama. Desenvolvido pela empresa SimBioSys com tecnologia da Nvidia, o sistema teve a liberação divulgada na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, e entrega a estimativa médica antes mesmo da realização da cirurgia.
O software busca responder a uma das principais dúvidas das pacientes diagnosticadas com a doença sem exigir procedimentos extras. “O TumorSight Risk ajuda os médicos a responderem a essa pergunta, usando informações já capturadas na ressonância magnética da mama da paciente, juntamente com informações clínicas e de patologia de rotina”, afirmou Stacey Stevens, presidente e diretora-executiva (CEO) da SimBioSys, em tradução livre.
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Como o TumorSight Risk funciona na análise de exames?
O sistema processa grandes volumes de informações médicas que seriam difíceis de cruzar de maneira integrada apenas por avaliação humana, utilizando recursos já disponíveis no prontuário hospitalar para projetar o comportamento do tumor no longo prazo e orientar a conduta cirúrgica e medicamentosa.
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- Motor de processamento: unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia.
- Base de leitura: imagens de exames de ressonância magnética da mama já realizados pela paciente, somadas a dados clínicos e resultados de patologia de rotina.
- Escala de pontuação: nota gerada de 0 a 100 para medir a probabilidade de retorno do tumor.
- Classificação de pacientes: divisão automática em grupos de risco baixo, intermediário ou alto.
- Janela de previsão: estimativa de recorrência da doença calculada para períodos futuros de cinco ou dez anos.
A vice-presidente de saúde da Nvidia, Kimberly Powell, comentou a aplicação prática do equipamento após o aval regulatório norte-americano. “Para muitos de nós, o câncer de mama é algo pessoal. Ele atinge pessoas que amamos. Após anos de inovação em IA, a SimBioSys usa a tecnologia da Nvidia para impulsionar seu TumorSight Risk autorizado pela FDA”, declarou a executiva.
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Estudo do TumorSight Risk avaliou 2.129 mulheres
A validação clínica do software analisou dados de pacientes diagnosticadas com tumor mamário em estágio inicial. A pesquisa concentrou-se em um subtipo específico da doença e observou diferenças diretas na evolução do quadro conforme a pontuação atribuída pelo algoritmo antes da intervenção cirúrgica.
- Amostra analisada: 2.129 mulheres com câncer de mama em estágio inicial.
- Perfil tumoral: positivo para receptores hormonais (proteínas que se ligam a hormônios para crescer) e negativo para HER2 (proteína ligada à multiplicação celular).
- Grupo de baixo risco: 95,5% das pacientes permaneceram livres da doença após cinco anos.
- Grupo de alto risco: 89,6% das mulheres seguiram sem o retorno do câncer após cinco anos, apresentando mais de três vezes mais chances de recorrência na comparação com o nível baixo.
- Progressão na escala: cada aumento de 10 pontos na nota da inteligência artificial representou uma alta de 22% no risco relativo de volta do tumor.
Impacto do TumorSight Risk nas decisões de tratamento nos EUA
A avaliação gerada pelo programa não substitui exames laboratoriais nem análises médicas tradicionais, funcionando como uma etapa complementar antes da operação. Com o resultado em mãos, equipes médicas e pacientes ganham base para decidir sobre a aplicação de quimioterapia, radioterapia e terapias hormonais, tratamentos que provocam efeitos colaterais e exigem calibragem para evitar intervenções desnecessárias ou identificar quem precisa de protocolos mais intensivos.
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A médica oncologista especialista em mama da Endeavor Health, Poornima Saha, explicou que o recurso amplia a leitura do quadro de saúde individual. “O TumorSight Risk pode nos ajudar a construir um quadro mais completo ao lado de testes estabelecidos e achados clínicos. O objetivo é pesar as opções com cada paciente, levando em conta seu risco, potenciais efeitos colaterais e prioridades pessoais”, disse a especialista.
A autorização regulatória ocorreu durante o Outubro Rosa, mês de conscientização sobre a doença, em um país onde cerca de 400.000 mulheres recebem o diagnóstico de câncer de mama por ano. Segundo dados do National Cancer Institute, instituto oficial de pesquisa oncológica do governo norte-americano, o subtipo tumoral avaliado no estudo do software responde por aproximadamente 74% de todos os casos registrados nos Estados Unidos.
A tecnologia já começou a ser utilizada em hospitais e centros oncológicos norte-americanos. Para ampliar o acesso das pacientes ao teste, a SimBioSys mantém negociações de cobertura com seguradoras privadas de saúde e com os programas públicos Medicare, voltado a idosos, e Medicaid, destinado à população de baixa renda nos Estados Unidos.
