Saiba se Powerbank explode em voo: veja regras e riscos

carregador portátil

carregador portátil - Savvapanf Photo/Shutterstock.com

Um incidente recente a bordo de uma aeronave da Latam, que necessitou desviar sua rota após a explosão de um powerbank, colocou novamente em evidência os riscos associados ao transporte de baterias eletrônicas em voos. O episódio, ocorrido em uma quinta-feira (29) de janeiro, quando o avião seguia de São Paulo (SP) para Brasília (DF) e precisou pousar em Ribeirão Preto (SP), resultou no atendimento de três passageiros na pista devido ao susto, sem necessidade de hospitalização.

Este evento não é isolado, somando-se a outros casos registrados que acendem um alerta para as normativas de segurança aérea. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) possui regulamentações específicas para o manuseio e transporte desses dispositivos, visando minimizar potenciais perigos. A conscientização sobre essas diretrizes é fundamental para garantir a segurança de todos os passageiros e tripulantes durante as viagens.

Regulamentação e segurança no transporte aéreo

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) estabelece limites claros para o transporte de carregadores portáteis, baterias externas e powerbanks. Essas diretrizes são cruciais para a segurança dos voos, considerando as características das baterias de íon de lítio, amplamente utilizadas nesses dispositivos. A principal restrição reside na bagagem despachada, onde é estritamente proibido incluir qualquer um desses itens.

Em contraste, na bagagem de mão, o transporte é permitido, contanto que se respeitem os limites de capacidade e as regras de proteção. Baterias de até 100 Wh são liberadas sem restrições adicionais. Para aquelas com capacidade entre 100 Wh e 160 Wh, são permitidas no máximo duas unidades por dispositivo, exigindo, porém, aprovação prévia da companhia aérea responsável pelo voo.

  • As baterias devem ser transportadas com proteção individual, seja na embalagem original ou com os terminais isolados.
  • Isolar os terminais pode ser feito tampando-os ou acondicionando cada bateria em um saco plástico ou bolsa de proteção separada.
  • A capacidade em Wh, frequentemente distinta da medida em mAh (miliampère-hora) exibida pelos fabricantes, é o padrão da Anac. Para uma estimativa, 100 Wh equivale a aproximadamente 27.000 mAh, e 160 Wh a cerca de 40.000 mAh, considerando uma voltagem média de 3,7 V.
  • Por que as baterias de lítio podem explodir?

    Incidentes com baterias de íon de lítio, presentes em uma vasta gama de eletrônicos como celulares, notebooks e powerbanks, são considerados raros. Contrariamente a um senso comum, a probabilidade de uma explosão não aumenta dentro de um avião. Kim Rieffel, vice-presidente de Telecomunicações da Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (Abriq), ressalta que não há evidências científicas que indiquem maior risco em ambiente de voo.

    Os principais desencadeadores desses eventos são fatores como temperaturas elevadas e choques físicos, como quedas. Essas condições podem desorganizar o sistema interno de energia da bateria, levando a curtos-circuitos que, por sua vez, podem resultar em explosões. A capacidade da bateria tem influência direta na intensidade de um eventual incêndio, não na sua probabilidade, significando que quanto maior a energia armazenada, mais difícil pode ser o controle do fogo.

    A importância da homologação Anatel para dispositivos

    A escolha de carregadores portáteis e outros dispositivos eletrônicos homologados pela Anatel é uma medida preventiva crucial, conforme destacado por especialistas. Aparelhos que não passaram pelos crivos de homologação da agência reguladora tendem a apresentar um risco significativamente maior de falhas, incluindo explosões. Fábio Delatore, professor de Engenharia Elétrica do Instituto Mauá de Tecnologia, enfatiza que a ausência de homologação pode indicar que o equipamento não foi fabricado em conformidade com os requisitos de segurança e operação adequados. Isso significa que as partes constituintes do powerbank, por exemplo, podem não atender aos padrões mínimos de qualidade e confiabilidade. Assim, a recomendação é sempre priorizar produtos de fabricantes confiáveis e manter uma postura cética diante de ofertas excessivamente baratas, que podem sinalizar falta de conformidade com normas essenciais de segurança.

    Incidentes anteriores com carregadores portáteis em aeronaves

    A recente ocorrência na aeronave da Latam não configura um evento isolado, com registros de situações similares em anos anteriores que reforçam a necessidade de vigilância constante. Em agosto de 2025, um carregador portátil entrou em combustão durante um voo entre São Paulo e Amsterdã, enchendo a cabine com fumaça e causando momentos de tensão.

    Outro caso relevante se deu em outubro de 2025, quando um voo da Air China, que fazia a rota de Hangzhou para Seul, foi palco de um incêndio provocado pela explosão de uma bateria de lítio. A tripulação, treinada para tais emergências, conseguiu controlar a situação rapidamente, evitando feridos.

    Anteriormente, em março de 2025, passageiros de um voo em Hong Kong presenciaram um carregador de celular pegar fogo dentro da cabine. A pronta ação dos presentes, utilizando água para auxiliar na contenção das chamas, foi fundamental para que ninguém sofresse ferimentos.

    Recomendações para passageiros evitarem riscos

    Para minimizar os riscos associados ao transporte de powerbanks e outras baterias de íon de lítio em viagens aéreas, os passageiros devem seguir algumas recomendações essenciais. Primeiramente, é imperativo consultar as diretrizes atualizadas da companhia aérea e da Anac antes de qualquer voo, pois as normas podem ser ajustadas e precisam ser compreendidas.

    Adicionalmente, priorize a compra de dispositivos eletrônicos, incluindo powerbanks e celulares, que possuam homologação da Anatel. Esta certificação é um indicativo de que o produto atende aos padrões de segurança exigidos. Evite adquirir produtos muito baratos ou de procedência duvidosa, pois podem não cumprir as especificações necessárias e aumentar o risco de incidentes.

    Veja Também