Revelações do caso Epstein expõem donos de times da NBA, NFL e o comitê olímpico de Los AngelesPor Luís Henrique Costa
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A divulgação de milhões de páginas de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxe à tona novas e perturbadoras conexões de Jeffrey Epstein. Mesmo após sua morte, os arquivos detalham a extensa rede de tráfico sexual do financista, causando abalos em setores que vão da política global ao mundo dos negócios.
O universo esportivo, longe de estar imune, foi atingido de forma contundente por essas revelações. Documentos recém-liberados implicam figuras de alto escalão, incluindo proprietários de franquias bilionárias e executivos com cargos de liderança em organizações olímpicas, lançando uma sombra sobre a integridade de instituições esportivas de renome.
As informações aprofundam o escândalo da “Ilha Lolita”, demonstrando que a teia de influência de Epstein era muito mais vasta do que se supunha. Sua infiltração nas altas esferas do esporte nos Estados Unidos e na Europa continua a alimentar um intenso debate público sobre o comportamento das elites mundiais e suas redes de poder.
Elos com a elite de proprietários de equipes
Os documentos judiciais confirmam que a rede de Epstein já estava profundamente enraizada no coração do mundo esportivo, com laços estreitos com proprietários de equipes de grande influência e riqueza tradicional. Um dos nomes que emergiram foi o de Todd Boehly, presidente do Chelsea FC e sócio minoritário de gigantes como os Los Angeles Dodgers e os Lakers. Relatórios indicam que Boehly se encontrou com Epstein em duas ocasiões distintas durante o ano de 2011, colocando-o diretamente na órbita do financista.
Outra figura de destaque mencionada é o falecido Paul Allen, que foi proprietário do Portland Trail Blazers. Após um encontro que descreveu como “casual” em 2014, Allen demonstrou entusiasmo ao convidar Epstein para conhecer seu “projeto de pesquisa com ratos e cérebros”. Da mesma forma, Steve Tisch, proprietário do New York Giants, enviou um e-mail a Epstein perguntando sobre uma “amiga” em Nova York e se ela era “divertida”, uma comunicação que sugere um nível de familiaridade e um tipo de interação que vai além do profissional.
Negócios e interações financeiras
A preferência de Epstein por capital consolidado é evidenciada em suas interações com Josh Harris, acionista minoritário do Philadelphia 76ers e do Washington Commanders da NFL. Embora Harris tenha afirmado ter recusado múltiplos convites do financista, ele participou de um “café da manhã” organizado por Epstein em 2014.
A relação se torna mais complexa ao se analisar as transações financeiras. A Apollo Global Management, empresa de Harris, realizou pagamentos de 158 milhões de dólares a Epstein e lhe concedeu um empréstimo de 30 milhões, uma descoberta que levou Harris a exigir a renúncia do fundador da empresa, Leon Black, em 2021.
Após a divulgação dos documentos, um porta-voz de Harris negou veementemente qualquer relação comercial, afirmando que ele tentou impedir que a empresa se associasse a Epstein. No entanto, essa defesa tem sido recebida com ceticismo, dada a magnitude das transações e o encontro social previamente confirmado.
Atletas arrastados para a controvérsia
Além de investidores e proprietários, diversos atletas e profissionais do esporte tiveram seus nomes mencionados nos documentos, sublinhando a ampla influência que Epstein exercia. As citações variam em natureza e gravidade, mas todas contribuem para a imagem de uma rede que se estendia por múltiplos domínios da sociedade.
O ex-astro da MLB, Sammy Sosa, foi um dos nomes que surgiram, por ter comparecido a uma festa organizada por Epstein há cerca de duas décadas. O evento também contou com a presença de Donald Trump, o que ressalta o cruzamento de celebridades, políticos e figuras do esporte no círculo social do financista.
Outros atletas, como o astro da NFL Peyton Manning e o jogador em atividade Geno Smith, foram envolvidos de maneira mais indireta. Seus nomes apareceram em e-mails nos quais alguém oferecia versões infantis de seus uniformes. Embora isso não sugira qualquer tipo de má conduta, a simples menção os arrastou para o centro da polêmica.
Essa variedade de menções demonstra que a rede de Epstein não se limitava a um único tipo de relação. Ela se estendia a contatos formais e informais que, intencionalmente ou não, acabaram por conectar figuras conhecidas do esporte a um dos maiores escândalos de pedofilia da história recente.
A acusação envolvendo Kristaps Porzingis
O envolvimento de figuras da NBA é particularmente específico, com o nome de Kristaps Porzingis, jogador do Boston Celtics, aparecendo em conexão com alegações de estupro. Em 2019, quando a ESPN noticiou a acusação, Epstein enviou um e-mail a Porzingis perguntando: “Você conhece algum investigador de confiança?”.
Embora não haja registros de que o jogador tenha frequentado as festas de Epstein, a alegação de estupro contra ele é controversa. Uma mulher o acusou de agressão em 2018, afirmando ter recebido 68 mil dólares para manter silêncio. Os advogados de Porzingis classificaram o caso como uma tentativa de extorsão, e o incidente não gerou consequências duradouras para sua carreira profissional.
As profundas conexões de Tom McMillan
As ligações com o ex-jogador da NBA Tom McMillan adicionam uma camada de complexidade ao escândalo, entrelaçando esporte e política. McMillan, que já foi um jogador promissor comparado a Bill Walton, fez uma transição bem-sucedida para a política, tornando-se membro da Câmara dos Representantes. Sua aparição nos documentos de Epstein é significativa devido à sua posição pública. Investigações jornalísticas revelaram que McMillan participou de uma festa em um rancho de Donald Trump, evento que também contou com a presença de Epstein. Mais revelador ainda é o fato de que a agenda de contatos do financista continha “pelo menos seis métodos de contato” para McMillan, indicando uma relação que ia muito além de um encontro casual e sugerindo uma conexão de longa data e multifacetada. A carreira política de McMillan foi notavelmente apoiada por figuras de grande influência, como o próprio Trump e o ex-comissário da NBA, David Stern, levantando questionamentos sobre as dinâmicas de poder que permearam sua ascensão.
Liderança olímpica sob escrutínio
Casey Wasserman, presidente do Comitê Olímpico de Los Angeles 2028, é outra figura de destaque no escândalo. Como um dos agentes esportivos mais poderosos da América do Norte, sua agência representa centenas de atletas de elite, incluindo jogadores da NBA e estrelas da WNBA.
Documentos revelaram que, em 2003, Wasserman teve interações online de natureza explícita com Ghislaine Maxwell, principal associada de Epstein. Em sua defesa, Wasserman negou qualquer relação com Epstein, admitindo apenas ter viajado em seu avião em 2002 como parte de uma delegação, mas evitou comentar sobre as conversas com Maxwell.
Repercussões contínuas no universo esportivo
A reverberação do escândalo de Jeffrey Epstein no mundo dos esportes é um lembrete contundente da interconexão das redes de poder. A cada nova revelação, fica claro que a influência do financista penetrou nas mais altas camadas da sociedade, e a esperança é que a exposição contínua da verdade leve a uma maior transparência e responsabilização no futuro.







