Zubeldía impõe repertório ofensivo, mas Fluminense leva o empate com falhas defensivasPor Luís Pereira
6 min de leitura
|
O Fluminense não conseguiu manter a vantagem e empatou em 1 a 1 com o Bahia na Arena Fonte Nova, em uma partida válida pelo Campeonato Brasileiro. O gol tricolor foi marcado por John Kennedy, demonstrando a efetividade do esquema ofensivo implementado por Luis Zubeldía. Apesar de um repertório tático envolvente e a criação de múltiplas oportunidades, a equipe carioca viu o adversário igualar o placar devido a falhas individuais no setor defensivo, um ponto a ser ajustado.
Desde o apito inicial, a equipe treinada pelo argentino Luis Zubeldía apresentou as características já esperadas de seu novo modelo de jogo, pautado por triangulações rápidas e passes curtos que visam desorganizar a marcação adversária. Os jogadores demonstraram boa leitura de jogo e capacidade de rotação, criando um volume de jogo significativo no campo ofensivo. A imposição tática do Fluminense foi notável, controlando as ações e ditando o ritmo da partida, mesmo atuando como visitante contra um time que se postava de forma compacta e com linhas baixas.
Estratégia ofensiva de Zubeldía se impõe no primeiro tempo
A plasticidade e a eficácia do futebol proposto por Luis Zubeldía se manifestaram logo aos 19 minutos da etapa inicial, culminando no gol de John Kennedy. Uma troca de passes incisiva e envolvente desarticulou a defesa do Bahia, que, apesar de bem postada em bloco baixo, não conseguiu conter a movimentação constante do Fluminense. A construção da jogada evidenciou a capacidade do time carioca em encontrar espaços e explorar as entrelinhas, furando o bloqueio defensivo adversário com maestria.
Pouco depois, o Fluminense orquestrou uma jogada que ilustrou perfeitamente a filosofia de seu técnico. Desde a saída de bola, o time construiu com calma, trocando passes e realizando triangulações fluidas pelo lado direito do campo. Nonato, um dos destaques da partida, acelerou em progressão e fez um passe preciso para Kevin Serna. O atacante, no entanto, desperdiçou uma chance clamorosa, que poderia ter ampliado a vantagem e dado mais tranquilidade ao Tricolor Carioca antes do intervalo.
Flu mantém intensidade e cria chances no segundo tempo
A equipe das Laranjeiras manteve a postura ofensiva e a intensidade no retorno para o segundo tempo. O controle da posse de bola e a busca por penetrações na área adversária seguiram sendo as marcas do Fluminense, que por diversas vezes rondou o gol do Bahia. Lucho Acosta, com um chute perigoso que passou rente à trave, esteve perto de balançar as redes e aumentar a diferença no placar, sinalizando a ambição do time em selar a vitória.
Aos 13 minutos da etapa final, o técnico Luis Zubeldía realizou a primeira alteração tática na equipe. Com o objetivo de oxigenar o meio-campo e manter o ritmo de jogo, Bernal foi acionado para substituir Nonato, que vinha sendo um dos motores criativos do time. A mudança visava preservar o fôlego dos atletas e ajustar o posicionamento para conter a crescente pressão do adversário, que começava a ensaiar uma reação.
Vários minutos mais tarde, aos 20, o Fluminense teve mais uma oportunidade de ouro. Em uma sequência de lances de perigo, Canobbio tentou a finalização, o goleiro adversário defendeu, e no rebote, John Kennedy apareceu novamente para concluir, mas parou em uma segunda intervenção milagrosa do arqueiro. A persistência ofensiva era clara, mas a bola insistia em não entrar, mantendo o placar apertado e o jogo em aberto.
Alterações e o gol de empate do Bahia
Após a parada técnica para hidratação, que serviu para os técnicos ajustarem suas estratégias e os jogadores retomarem o fôlego, o panorama da partida mudou. O Bahia, impulsionado por sua torcida e por uma nova disposição tática, conseguiu encontrar o caminho do gol. Kike Olivera foi o responsável por igualar o marcador, aproveitando um momento de desatenção da defesa tricolor e capitalizando a pressão exercida pelo time da casa.
A resposta de Zubeldía foi imediata, buscando retomar a vantagem e o controle do jogo. Duas novas substituições foram efetuadas: Santi Moreno e Paulo Henrique Ganso entraram nos lugares de Kevin Serna e Lucho Acosta, respectivamente. A entrada de Ganso, em particular, sinalizava a busca por mais qualidade no passe e poder de criação no meio-campo, características essenciais para desequilibrar a partida contra um adversário mais fechado.
Mesmo com o Bahia ficando com um jogador a menos na reta final da partida, o Fluminense não conseguiu converter a superioridade numérica em gols. A equipe carioca, apesar de tentar pressionar e buscar o gol da vitória, esbarrou na sólida defesa adversária e na própria imprecisão nos momentos decisivos. O empate fora de casa, embora demonstre um ponto conquistado, deixou a sensação de que uma vitória era totalmente possível diante do cenário do jogo.
Análise do desempenho tricolor e próximos passos
O Fluminense, sob o comando de Luis Zubeldía, tem demonstrado um futebol com forte vocação ofensiva, capaz de criar muitas oportunidades sem, contudo, se expor defensivamente de maneira exagerada na maioria do tempo. O resultado de igualdade diante do Bahia levou o Tricolor a acumular quatro pontos em duas rodadas no Campeonato Brasileiro, um início que, apesar do empate, ainda reflete o potencial do trabalho que está sendo desenvolvido.
No primeiro tempo, o Flu não apenas abriu o placar, mas também construiu chances claras para ampliar a vantagem, controlando amplamente o confronto. A incapacidade de capitalizar essas oportunidades no ataque, combinada com falhas defensivas pontuais na segunda etapa, foi o fator determinante para o gol de empate sofrido. Esse é um aspecto crucial que a comissão técnica precisará abordar, visando aprimorar a consistência em ambos os setores.
O foco agora se volta para o próximo compromisso do Fluminense, que será contra o Maricá. A partida está agendada para o domingo, dia 8, no Maracanã, com início às 20h30 (horário de Brasília), e é válida pelo Campeonato Carioca. O confronto em casa será uma oportunidade para o time retomar o caminho das vitórias e solidificar os aspectos positivos do novo esquema tático, enquanto trabalha para corrigir as deficiências observadas.
A fase de adaptação à nova metodologia de Zubeldía é contínua, e a expectativa é que o time demonstre evolução a cada jogo, equilibrando a criatividade ofensiva com a solidez defensiva necessária para campanhas de sucesso em competições tão disputadas como o Brasileirão e o Campeonato Carioca. A torcida espera ver a equipe converter o bom desempenho em resultados mais consistentes, começando pelo próximo desafio em casa.






