新START失効 米国務長官「従来の軍縮モデルが時代遅れに」Por Luís Pereira
7 min de leitura
|
Rubio alerta: modelo antigo de desarmamento nuclear falha diante do avanço chinês
A expiração do tratado nuclear Nova START, que regulava os arsenais dos Estados Unidos e da Rússia, marca um ponto de inflexão na geopolítica global. Em resposta a este cenário, o secretário de Estado americano, Rubio, fez uma declaração contundente, afirmando que o modelo tradicional de controle de armas nucleares tornou-se obsoleto.
A principal razão para essa mudança de paradigma, segundo o secretário, reside na rápida e significativa expansão do arsenal nuclear da China. Este fator demanda uma abordagem completamente nova para a segurança e estabilidade global, conforme os Estados Unidos buscam realinhar suas estratégias de defesa e diplomacia.
A urgência de um novo quadro de desarmamento é premente, com apelos para que a China seja incluída em futuras negociações. A ausência de Pequim em acordos anteriores gerou um desequilíbrio que agora se manifesta plenamente.
A era pós-Nova START e a nova realidade global
O tratado Nova START, assinado em 2010 e em vigor até recentemente, foi o último pilar de um sistema bilateral de controle de armas nucleares entre as duas maiores potências atômicas, Estados Unidos e Rússia. Ele limitava o número de ogivas nucleares estratégicas implantadas e os veículos para sua entrega, como mísseis balísticos intercontinentais e submarinos.
Sua expiração, em um ano considerado 2026, conforme o cenário atual, encerra uma era de relativa previsibilidade e transparência nos arsenais nucleares de Washington e Moscou. Sem este acordo, as duas nações se encontram sem restrições vinculantes sobre o tamanho de seus arsenais estratégicos pela primeira vez em décadas.
Este cenário contrasta dramaticamente com as décadas da Guerra Fria, quando os esforços de desarmamento se concentravam quase exclusivamente na rivalidade entre os Estados Unidos e a União Soviética. A emergência de outras potências nucleares significativas, especialmente a China, redesenha o mapa da segurança internacional.
A ausência de um mecanismo formal de controle de armas entre os três maiores arsenais nucleares do mundo pode levar a uma nova corrida armamentista, com implicações imprevisíveis para a estabilidade global. A necessidade de adaptação a esta nova realidade é um dos pontos centrais da atual diplomacia.
A ascensão nuclear chinesa e a preocupação ocidental
Nos últimos anos, a China tem investido pesadamente na modernização e expansão de seu arsenal nuclear, um movimento que tem sido monitorado com crescente preocupação pelas nações ocidentais. Relatórios de inteligência indicam um aumento substancial no número de ogivas, bem como no desenvolvimento de novos sistemas de entrega, como mísseis hipersônicos.
Estimativas apontam que Pequim pode triplicar seu estoque de ogivas nucleares nas próximas décadas, atingindo um número projetado de mais de mil ogivas até 2030, e potencialmente 1.500 até 2035. Esta expansão acelerada inclui a construção de novos campos de silos para mísseis balísticos intercontinentais, o que representa uma mudança significativa na postura nuclear do país.
A falta de transparência da China sobre a dimensão e a doutrina de seu arsenal nuclear é um fator agravante. Ao contrário dos Estados Unidos e da Rússia, que têm historicamente compartilhado dados sobre seus arsenais por meio de tratados, Pequim mantém um sigilo quase total, dificultando a avaliação de suas intenções e capacidades reais.
Essa opacidade estratégica impõe um dilema às políticas de segurança globais. O Secretário Rubio sublinhou que, sem informações claras sobre o arsenal chinês, qualquer tentativa de controle de armas baseada apenas em dados bilaterais entre EUA e Rússia se torna fundamentalmente falha e incapaz de abordar a totalidade das ameaças emergentes.
Reações e propostas para um novo pacto
A posição do Secretário Rubio reflete uma crescente unanimidade entre os formuladores de políticas em Washington sobre a necessidade de um modelo de controle de armas que transcenda as limitações da Guerra Fria. Ele defende ativamente a criação de um novo arcabouço que inclua a China, reconhecendo que Pequim é agora uma peça central no quebra-cabeça da segurança nuclear.
Tentar trazer a China para a mesa de negociações de controle de armas, no entanto, apresenta desafios consideráveis. Historicamente, Pequim tem rejeitado convites para participar de discussões trilaterais, argumentando que seu arsenal é significativamente menor do que os dos Estados Unidos e da Rússia e que seus próprios esforços de modernização são apenas para dissuasão mínima.
Superar essa resistência exigirá uma diplomacia inovadora e uma reavaliação das condições e premissas das negociações. Pode ser necessário considerar abordagens que não se baseiem apenas em paridade numérica, mas que levem em conta as diferentes doutrinas nucleares e as prioridades de segurança de cada país. A inclusão de múltiplos tipos de armas e tecnologias pode ser essencial.
Especialistas em segurança internacional sugerem que um novo pacto poderia focar em medidas de transparência, redução de riscos e estabilidade estratégica, em vez de apenas cortes absolutos de arsenais. Isso poderia criar um terreno comum para o engajamento com a China, ao mesmo tempo em que aborda as preocupações sobre a falta de previsibilidade.
O legado do controle de armas nucleares
O controle de armas nucleares tem sido um pilar fundamental da segurança internacional desde a eclosão da era atômica. Desde o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) de 1968 até acordos bilaterais entre EUA e URSS/Rússia, esses instrumentos visaram limitar a corrida armamentista e reduzir o risco de conflitos catastróficos.
Tratados como o SALT I e II e o próprio START original desempenharam um papel crucial na gestão da competição estratégica durante a Guerra Fria, estabelecendo limites e verificações que ajudaram a evitar escaladas descontroladas. Eles criaram canais de comunicação e construíram confiança, mesmo entre adversários ideológicos.
A expiração do Nova START, portanto, não é apenas um evento burocrático, mas o fim de uma era de arquitetura de segurança que, apesar de suas falhas, evitou a guerra nuclear em larga escala. Esse vácuo cria uma paisagem estratégica mais incerta e volátil, exigindo uma reavaliação profunda dos princípios que guiam a dissuasão.
A comunidade internacional agora enfrenta a tarefa de construir uma nova estrutura em um ambiente multipolar, onde múltiplos atores com diferentes interesses e capacidades nucleares precisam ser acomodados. A história do controle de armas mostra que, embora difícil, é um esforço essencial para a preservação da paz.
Desafios na mesa de negociação trilateral
Negociar um tratado de controle de armas que envolva Estados Unidos, Rússia e China é uma tarefa de complexidade sem precedentes. Cada uma dessas potências possui interesses estratégicos distintos, níveis variados de transparência sobre seus arsenais e programas de modernização nuclear em diferentes estágios. Os Estados Unidos, por exemplo, enfatizam a necessidade de incluir todas as ogivas, enquanto a Rússia pode buscar garantias sobre sistemas de defesa antimísseis e armas não nucleares estratégicas. A China, por sua vez, historicamente argumenta que seu arsenal é de “dissuasão mínima” e que só participará de negociações quando os EUA e a Rússia reduzirem significativamente seus próprios arsenais, o que cria um impasse considerável antes mesmo do início das conversações.
O caminho a seguir para a estabilidade
Diante dos desafios apresentados pela expiração do tratado Nova START e a ascensão nuclear chinesa, a busca por novas formas de diálogo e acordos é mais crítica do que nunca. A comunidade internacional precisa de soluções inovadoras para prevenir uma perigosa corrida armamentista e garantir a estabilidade global em um cenário nuclear multipolar.
desarmamento nuclear, nova START, China, Estados Unidos, segurança global






