CMAJ divulga 21 medidas para aumentar sustentabilidade ambiental nas salas cirúrgicas do CanadáPor Maria
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Uma nova diretriz publicada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, no Canadian Medical Association Journal (CMAJ) oferece orientações práticas para aumentar a sustentabilidade ambiental das salas de cirurgia no Canadá. O documento, elaborado pelo grupo Best Practice in Surgery da Universidade de Toronto com participação nacional, atualiza uma versão de 2020 e traz 21 recomendações divididas em quatro categorias principais.
O sistema de saúde canadense responde por cerca de 4,6% das emissões de gases de efeito estufa do país e gera 200 mil toneladas de outros poluentes anualmente. As salas cirúrgicas destacam-se pelo alto consumo de energia, até seis vezes maior por metro quadrado em comparação com outras áreas hospitalares, além de produzirem até um terço do lixo total dos hospitais.
Essas práticas sustentáveis mantêm a qualidade do atendimento e a segurança dos pacientes, ao mesmo tempo em que podem gerar economia de recursos. A diretriz baseia-se em revisões rápidas de evidências e consenso entre especialistas de diversas regiões do Canadá.
Impacto ambiental do setor de saúde no Canadá
As salas de cirurgia representam uma das áreas mais intensivas em recursos dentro dos hospitais canadenses. Elas consomem grandes quantidades de energia para iluminação, climatização e equipamentos especializados, contribuindo significativamente para a pegada de carbono do setor.
Além do consumo energético, a geração de resíduos é outro ponto crítico. Materiais descartáveis, instrumentos cirúrgicos e embalagens geram volumes expressivos de lixo, muitas vezes descartados de forma inadequada.
Iniciativas anteriores já demonstraram que intervenções simples podem reduzir esses impactos sem comprometer a assistência médica. A atualização da diretriz incorpora novas evidências e feedback de hospitais em todo o país para tornar as recomendações mais aplicáveis.
Categoria reduzir: foco na diminuição de desperdícios
A categoria “reduzir” concentra esforços na eliminação de resíduos desnecessários por meio de ações práticas. A segregação adequada de lixo permite direcionar materiais para destinos corretos e evita contaminação cruzada.
Outra medida importante envolve a diminuição do desperdício farmacêutico, com orientação para uso racional de medicamentos e descarte correto de sobras. Reduzir o número de instrumentos em bandejas cirúrgicas e pacotes personalizados também contribui para menor geração de resíduos.
- Diminuir uso desnecessário de energia com desligamento de equipamentos em standby;
- Reduzir emissões de anestesia inalatória por meio de alternativas de baixo impacto;
- Otimizar fluxo de ar e temperatura nas salas quando não ocupadas;
- Evitar abertura antecipada de materiais que podem não ser utilizados.
Essas ações combinadas podem gerar reduções significativas no volume de lixo e no consumo energético diário.
Estratégias de reutilização de materiais
Substituir itens descartáveis por versões reutilizáveis forma o cerne da categoria “reuse”. Dispositivos médicos, têxteis e recipientes de objetos cortantes possuem alternativas duráveis que passam por processos de esterilização seguros.
Estudos indicam que a transição para reutilizáveis mantém padrões de segurança e reduz custos a longo prazo. Hospitais que adotaram essas práticas relataram diminuição expressiva no volume de resíduos enviados para aterros.
A diretriz incentiva avaliação cuidadosa de cada item para identificar oportunidades de reutilização. Treinamento de equipes garante adesão correta aos protocolos de reprocessamento.
Programas de reciclagem tradicionais e especializados
A categoria “recycle” aborda a implementação de programas de reciclagem tanto convencionais quanto específicos para materiais hospitalares. Separar plásticos, metais e papel facilita o reaproveitamento e diminui o descarte final.
Programas especializados lidam com itens complexos, como eletrônicos e materiais contaminados que exigem tratamento diferenciado. Parcerias com empresas de reciclagem ampliam as possibilidades de recuperação.
Esses iniciativas exigem estruturação inicial, mas resultam em desvios significativos de resíduos dos aterros sanitários. Monitoramento contínuo ajuda a ajustar os processos conforme a demanda.
Repensar práticas para sustentabilidade de longo prazo
A categoria “rethink” reúne estratégias com evidências indiretas, mas essenciais para mudanças estruturais. Doações de materiais não utilizados para regiões carentes representam uma forma eficaz de reaproveitamento.
O uso de álcool em gel para higienização das mãos reduz o consumo de água e sabão em comparação com lavagem tradicional. Políticas de compras preferenciais priorizam fornecedores com critérios ambientais rigorosos.
- Incentivar pesquisa contínua sobre novos materiais sustentáveis;
- Promover educação ambiental entre equipes multidisciplinares;
- Integrar indicadores de sustentabilidade em avaliações de desempenho hospitalar;
- Estimular colaboração entre instituições para compartilhar boas práticas.
Essas abordagens fomentam cultura organizacional voltada para responsabilidade ambiental.
Benefícios econômicos e operacionais das medidas
A adoção das recomendações pode trazer economia financeira aos hospitais canadenses. Redução de desperdícios diminui custos com descarte e aquisição de novos materiais.
Simultaneamente, práticas de eficiência energética baixam contas de eletricidade e manutenção. Experiências piloto em instituições demonstraram retorno de investimento em períodos curtos.
A manutenção da qualidade assistencial permanece prioridade em todas as sugestões. Evidências revisadas confirmam que medidas sustentáveis não interferem na segurança dos procedimentos.
Contexto da atualização e participação nacional
Esta versão atualiza a diretriz de 2020 com inclusão de novas revisões sistemáticas e documentos orientadores. O processo envolveu especialistas de várias províncias e consultas externas com hospitais.
Organizações nacionais endossaram o documento, ampliando sua aplicabilidade. A metodologia seguiu padrões internacionais adaptados para o tema ambiental.
O grupo responsável destaca a importância de ações coletivas para mitigar o impacto climático do setor saúde. Implementação gradual permite adaptação às realidades locais de cada instituição.
Implementação prática nas instituições canadenses
Hospitais interessados podem iniciar com auditorias de resíduos e consumo energético para identificar prioridades. Formação de comitês multidisciplinares facilita o planejamento e execução.
Monitoramento de indicadores específicos mede o progresso ao longo do tempo. Compartilhamento de resultados entre instituições acelera a disseminação de sucessos.
A diretriz oferece ferramenta prática para administradores e profissionais da saúde alinharem operações com metas ambientais nacionais. Adoção ampla contribui para redução da pegada ecológica do sistema de saúde canadense.







