Conselheiros do São Paulo apontam que nova camisa da New Balance viola regras do estatutoPor Thiago Lemos
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O Conselho Deliberativo do São Paulo iniciou um movimento de contestação interna após o vazamento de detalhes da nova camisa titular para a temporada de 2026. A peça, desenvolvida pela New Balance, apresenta alterações na disposição das tradicionais listras horizontais e no posicionamento do escudo tricolor. Segundo conselheiros influentes, o design fere o artigo 157 do estatuto social do clube, que detalha rigorosamente as especificações do uniforme número um.
A controvérsia ganhou força nos bastidores do MorumBIS nas últimas horas, com alertas enviados diretamente ao presidente Harry Massis sobre possíveis representações formais. O grupo de oposição e até membros da base aliada argumentam que o modelo descaracteriza a identidade visual histórica da instituição. Em contrapartida, a diretoria executiva sustenta que possui pareceres jurídicos que autorizam a inovação estética no material esportivo.
- As listras vermelha, branca e preta devem estar posicionadas na altura do peito.
- O emblema do clube precisa cobrir inteiramente as três faixas horizontais.
- As faixas vermelha e preta devem ter exatamente 5 centímetros de largura cada.
- A faixa branca central deve possuir a medida obrigatória de 2,5 centímetros.

Divergências sobre a interpretação do artigo 157
O ponto central da discórdia entre os conselheiros e a diretoria do São Paulo reside na forma como o texto estatutário é interpretado para a confecção das camisas. Enquanto conselheiros como Marco Aurélio Cunha utilizam as redes sociais para afirmar que o modelo está fora das regras, o clube se apoia em uma análise jurídica realizada em julho de 2024. O documento assinado pelo advogado Guilherme Salutti defende que uma visão puramente literal do estatuto não seria a mais adequada para a modernização do uniforme.
Segundo o parecer jurídico, as imagens anexadas ao estatuto do clube funcionam apenas como exemplos visuais e não como uma limitação técnica absoluta para a New Balance. O texto alega que o emblema não necessita obrigatoriamente cobrir a totalidade das faixas de forma milimétrica, existindo margens aceitáveis para variações estilísticas. Esse entendimento é duramente criticado por conselheiros que veem na manutenção do padrão uma forma de preservar a história e a tradição do uniforme branco.
Riscos de representação no conselho deliberativo
O presidente Harry Massis foi oficialmente notificado por membros do órgão colegiado sobre o descontentamento generalizado com o protótipo que deve ser lançado ainda esta semana. Existe a possibilidade real de que uma queixa formal seja protocolada, o que poderia levar a uma suspensão temporária do lançamento ou até ao cancelamento da distribuição do lote. Para os críticos, mudanças drásticas de layout só seriam permitidas legalmente no uniforme número três, que historicamente possui maior liberdade criativa.
A pressão interna visa evitar que o clube comercialize um produto que possa ser considerado ilegal perante as suas próprias leis internas. Caso o Conselho Deliberativo entenda que houve violação grave, a New Balance poderia enfrentar prejuízos logísticos significativos com o recolhimento das peças já produzidas para 2026. A diretoria de marketing, no entanto, mantém-se confiante na validade das alterações propostas e na aceitação do público jovem.
Histórico de problemas com a New Balance
Esta não é a primeira vez que a parceria entre o São Paulo e a fornecedora norte-americana enfrenta questionamentos por questões técnicas ou históricas. No ano anterior, o uniforme especial em homenagem ao goleiro Rogério Ceni foi alvo de críticas por apresentar um erro de cronometragem na estampa. A inscrição “51:09” fazia referência à defesa histórica contra o Liverpool no Mundial de 2005, mas o lance real ocorreu nos segundos finais do mesmo minuto.
O clube e a empresa alegaram na época que o horário escolhido representava o momento em que o batedor Steven Gerrard pegou a bola para a cobrança da falta. Entretanto, análises de vídeo mostraram que a cronologia oficial não condizia com as justificativas apresentadas após as reclamações da torcida. Esse desgaste anterior contribui para o clima de desconfiança atual em relação ao cumprimento rigoroso dos padrões exigidos pelo clube.
Detalhes técnicos do estatuto para uniformes
O regulamento interno do São Paulo descreve minuciosamente que o uniforme número um deve ser composto obrigatoriamente por camisas brancas, calções brancos e meias brancas. Qualquer alteração nessas cores principais só é permitida em casos de impossibilidade técnica determinada por organizadores de competições específicas, como a CBF ou a Conmebol. A rigidez do texto visa impedir que patrocinadores ou fornecedores alterem o DNA visual do “Clube da Fé” sem aprovação prévia.
Os conselheiros argumentam que o respeito às medidas de 5 centímetros para as cores laterais e 2,5 centímetros para a central é o que garante a harmonia visual clássica. Eles reforçam que a New Balance foi contratada para fornecer tecnologia e qualidade, mas que o design deve se curvar às normas vigentes desde a fundação. A falta de diálogo prévio com as comissões do conselho sobre o novo desenho é citada como um erro estratégico da atual gestão.
Manifestações de figuras influentes nos bastidores
O posicionamento público de Marco Aurélio Cunha serviu como um catalisador para que outros sócios e conselheiros expressassem descontentamento nas plataformas digitais. A frase curta e direta postada pelo ex-dirigente resume o sentimento de uma ala tradicionalista que vê na nova camisa uma tentativa de modernização excessiva e desnecessária. A repercussão negativa entre os torcedores mais conservadores também começou a ser monitorada pelo departamento de comunicação do clube.
A New Balance, quando procurada para comentar o caso, optou por não emitir uma nota oficial até o momento, mantendo o cronograma de marketing original. O São Paulo também segue em silêncio oficial, embora fontes internas indiquem que o clima é de apreensão quanto à reação do mercado se a polêmica escalar. A expectativa é que reuniões de emergência ocorram antes da cerimônia de apresentação do novo enxoval esportivo para a temporada.
Impacto na relação com a fornecedora esportiva
A crise institucional gerada por uma peça de vestuário pode desgastar a relação comercial entre o São Paulo e a New Balance a longo prazo. O contrato entre as partes prevê exclusividade e altos valores de royalties, mas exige o cumprimento de todas as cláusulas estatutárias da instituição paulista. Se o impasse não for resolvido rapidamente, o lançamento oficial poderá ser ofuscado por disputas judiciais internas e boicote de parte da torcida organizada.
Até o momento, o material promocional já foi produzido e as lojas oficiais do clube aguardam o recebimento dos estoques para o início das vendas imediatas. A reviravolta no conselho coloca em xeque a estratégia de vendas para o primeiro trimestre de 2026, período crucial para a arrecadação com licenciamento. O desfecho da polêmica depende agora da sensibilidade da diretoria em ouvir os apelos dos conselheiros ou manter a aposta no parecer jurídico de Salutti.
Perspectiva do design moderno versus tradição
Especialistas em marketing esportivo afirmam que o choque entre a inovação das marcas globais e o tradicionalismo dos clubes brasileiros é um fenômeno recorrente. As empresas buscam criar novos padrões para estimular o consumo e evitar a sensação de repetição nos modelos anuais. Contudo, no caso do São Paulo, o estatuto é considerado um dos mais protetivos do país, deixando pouco espaço para intervenções criativas no uniforme principal.
A New Balance pretendia trazer um aspecto mais dinâmico às listras, possivelmente movendo o centro de gravidade visual do escudo para se adaptar a novos tecidos e tecnologias de ventilação. No entanto, o rigor técnico do artigo 157 serve como uma barreira que impede que a camisa titular se torne um laboratório de testes estéticos. A discussão agora gira em torno do equilíbrio entre as necessidades comerciais de 2026 e o respeito aos documentos fundacionais do Tricolor.







