Luto no Chaco: Sandra Mendoza, ex-deputada federal peronista, morre aos 62 anosPor Carolina Costa
8 min de leitura
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O cenário político argentino e, em especial, a província de Chaco, amanheceram em luto nesta quarta-feira com a notícia do falecimento da ex-deputada federal Sandra Mendoza. Aos 62 anos, a figura proeminente do peronismo deixou um vasto legado, marcando sua atuação tanto no parlamento provincial quanto no Congresso Nacional.
A perda da ex-congressista gerou imediata repercussão. Durante uma sessão do Senado, que debatia um projeto de reforma trabalhista, foi observado um minuto de silêncio em sua homenagem, um gesto solicitado pela senadora Juliana Di Tullio e prontamente acolhido por todos os blocos partidários.
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A ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner também expressou seu pesar. “Adeus, querida Sandra, grande camarada e ativista do peronismo. Guerreira da vida… que você descanse em paz. Meus sentimentos à família dela”, escreveu CFK em suas redes sociais, demonstrando o profundo impacto da morte de Mendoza na cúpula política.
A ex-deputada vinha enfrentando uma série de complicações de saúde desde outubro do ano passado, quando seu diagnóstico de diabetes foi agravado pelas sequelas de um acidente doméstico. Esses problemas, que impactaram gravemente sua mobilidade, foram um desafio persistente nos últimos meses de sua vida.
Querida compañera, ..mis más sentidos pésame a su familia y amigos
— Rochi (@Rochipereira7) February 11, 2026
Vuela alto Sandra Q.E.P.D. ❤🙏🇦🇷✌ pic.twitter.com/hL7HHVrHR3
Legado político e trajetória em Chaco
Nascida em 20 de abril de 1963, Sandra Mendoza dedicou grande parte de sua vida ao serviço público e à militância política. Sua jornada começou no âmbito universitário, onde se formou em Cinesiologia pela Universidade Nacional do Nordeste. Foi nesse ambiente acadêmico que ela deu os primeiros passos em seu ativismo, um período formativo que moldou sua visão e compromisso com as causas sociais.
Sua incursão na política formal teve início em 2005, quando foi eleita deputada provincial em Chaco. Essa primeira experiência legislativa durou três anos, período no qual Mendoza se destacou por sua atuação incisiva e por abordar temas relevantes para a população local, consolidando sua base eleitoral e seu prestígio na província.
Em 2008, Sandra Mendoza deixou o cargo de deputada provincial para assumir uma nova função no gabinete de Jorge Capitanich, seu ex-marido e então governador de Chaco. Ela foi nomeada Ministra da Saúde Pública da província, uma pasta de grande responsabilidade onde pôde aplicar sua formação e experiência em prol do bem-estar dos cidadãos.
Seu trabalho à frente do Ministério da Saúde pavimentou o caminho para um novo salto em sua carreira política. Em 2009, foi eleita Deputada Nacional pela Frente para a Vitória, representando Chaco no Congresso argentino. Sua performance em Buenos Aires foi reconhecida, resultando em sua reeleição em 2013, o que demonstrou a força de seu mandato e sua conexão com o eleitorado.
Ativismo e forte ligação com o peronismo
A ligação de Sandra Mendoza com o peronismo não era apenas partidária, mas uma convicção profunda que moldou sua identidade política e social. Desde os tempos de ativismo universitário, ela abraçou os ideais justicialistas de justiça social, soberania política e independência econômica, defendendo-os com paixão em todas as suas frentes de atuação.
Foi nesse contexto de militância e engajamento que ela conheceu Jorge Capitanich, figura central do peronismo em Chaco e que viria a ser seu companheiro e pai de suas duas filhas. Essa união familiar e política reforçou seu papel dentro do movimento, transformando-a em uma referência para muitos militantes e eleitores.
Mendoza se destacou como uma “guerreira da vida”, nas palavras de Cristina Kirchner, por sua dedicação incansável às causas populares e à defesa dos mais vulneráveis. Seu peronismo era vivido na prática, na busca por políticas públicas que garantissem direitos e melhorassem a qualidade de vida da população, especialmente em uma província com grandes desafios sociais como Chaco.
A importância do peronismo em Chaco é inegável, sendo a principal força política da região por décadas. Sandra Mendoza foi uma das arquitetas e mantenedoras dessa hegemonia, trabalhando para que os princípios do movimento fossem traduzidos em ações concretas de governo e representação popular, assegurando a continuidade de um projeto político alinhado aos anseios da sociedade.
A saúde pública sob sua gestão
A passagem de Sandra Mendoza pela pasta da Saúde Pública de Chaco foi um período desafiador e de grande empenho. Assumindo o ministério em 2008, ela herdou uma estrutura com carências significativas e a demanda urgente por melhorias no acesso e na qualidade dos serviços de saúde para uma população diversa e muitas vezes carente. Durante sua gestão, Mendoza implementou programas de fortalecimento da atenção primária, buscou expandir a cobertura vacinal e trabalhou para descentralizar alguns serviços, visando aproximar o atendimento médico das comunidades mais distantes. Enfrentou a complexidade de um sistema que exigia constante investimento e a coordenação entre diferentes níveis de governo, sempre com a meta de garantir que a saúde fosse um direito acessível a todos os habitantes da província. Seu comprometimento com a área era uma extensão de seu ativismo social, enxergando a saúde não apenas como uma questão técnica, mas como um pilar fundamental para a dignidade humana e o desenvolvimento social.
Memória e reconhecimento póstumo
As homenagens a Sandra Mendoza no Senado refletiram o respeito e a admiração que ela conquistou ao longo de sua trajetória política. O minuto de silêncio, solicitado e aceito por todos os senadores, transcendeu as diferenças partidárias, unindo o parlamento em um gesto de reconhecimento à sua dedicação e ao seu serviço público.
A mensagem da ex-presidente Cristina Kirchner não foi apenas uma nota de condolências, mas um testemunho da proximidade política e pessoal que existia entre as duas líderes. As palavras de CFK destacaram a figura de Mendoza como uma “grande camarada e ativista”, ressaltando seu papel como uma guerreira dedicada à causa peronista e à luta pela vida.
O Partido Justicialista de Chaco também se manifestou com uma mensagem comovente em suas redes sociais. Em seu comunicado, o partido declarou com profunda tristeza o adeus à ex-deputada, enfatizando a “marca indelével” que ela deixou na vida política e social da província, um reconhecimento oficial de sua importância histórica.
A nota do PJ Chaco ressaltou que a carreira de Mendoza foi “marcada pelo compromisso com as causas que defendeu e pela firme convicção de trabalhar pelo bem-estar do povo de Chaco”. O partido estendeu seu apoio à família, incluindo Jorge Capitanich e suas filhas Guillermina e Jorgelina, e reiterou que sua memória “permanecerá viva na memória coletiva e na história política de Chaco”, sublinhando a gratidão por sua contribuição ao serviço público.
Repercussão entre colegas e no cenário político
Além das manifestações oficiais e da ex-presidente, a notícia do falecimento de Sandra Mendoza gerou uma onda de pesar e solidariedade entre diversos líderes políticos e sociais de toda a Argentina, especialmente em sua província natal, Chaco. Inúmeros colegas de bancada, tanto do governo quanto da oposição, reconheceram a sua capacidade de diálogo e a sua paixão pelos debates construtivos.
A perda da ex-deputada representa um vazio significativo no cenário político regional. Mendoza era uma voz experiente e atuante, cuja ausência será sentida na articulação de pautas sociais e na defesa dos princípios que nortearam sua carreira. Sua militância ativa e sua capacidade de mobilização eram atributos que a tornavam uma peça fundamental no tabuleiro político de Chaco.
Sua dimensão política, contudo, transcendia as fronteiras de Chaco. Como deputada nacional por dois mandatos consecutivos, ela participou de debates cruciais para o país, apresentando projetos e defendendo posições que impactavam a vida dos argentinos. Sua trajetória no Congresso Nacional a consolidou como uma figura de relevância em todo o território nacional, contribuindo para fortalecer a representatividade de sua província.
Vida pessoal e formação acadêmica
Antes de mergulhar de vez na vida pública, Sandra Mendoza dedicou-se aos estudos acadêmicos. Sua formação em Cinesiologia na Universidade Nacional do Nordeste não apenas lhe proporcionou uma base de conhecimento científico, mas também a introduziu ao ambiente efervescente do ativismo universitário, onde se forjou sua consciência política e social.
Foi nesse período de formação e militância que ela conheceu Jorge Capitanich, com quem viria a construir uma família. Do casamento nasceram suas duas filhas, Guillermina e Jorgelina, que foram parte integrante de sua vida e seu legado. Sandra Mendoza conseguiu conciliar a intensa carreira política com os desafios e as alegrias da vida familiar, sempre buscando o equilíbrio entre suas responsabilidades públicas e pessoais.















