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O cenário do futebol brasileiro foi agitado nesta última quinta-feira (12) com a confirmação da demissão de Jorge Sampaoli do comando técnico do Atlético-MG. A saída do treinador argentino ocorreu após um melancólico empate em casa contra o Remo, na Arena MRV, selando uma segunda passagem que alternou momentos de esperança e profundas frustrações para o clube mineiro.

A notícia rapidamente repercutiu e provocou reações diversas no meio esportivo e entre a massa de torcedores. Entre os comentários, destacou-se a análise incisiva de Vanderlei Luxemburgo, técnico com vasta experiência no futebol nacional e conhecido por suas declarações contundentes, que não poupou críticas ao estilo e ao desempenho de Sampaoli no clube.

Luxemburgo, que já esteve à frente do Galo, utilizou suas redes sociais para esmiuçar o trabalho do argentino. Ele levantou questionamentos sobre a consistência da metodologia de Sampaoli e, de forma irônica, ressaltou a habilidade do agente do treinador em conseguir novas oportunidades no mercado, mesmo diante de um histórico de demissões.

O perfil controverso de Jorge Sampaoli

A trajetória profissional de Jorge Sampaoli em diversos clubes e seleções é marcada por uma intensidade singular e uma paixão inquestionável pelo jogo, que muitas vezes se traduz em um ambiente de alta pressão e, por vezes, em conflitos internos. Sua filosofia de jogo, pautada na agressividade ofensiva, na posse de bola e na marcação sob pressão, exige total adesão dos atletas e da diretoria, o que nem sempre ocorre de forma harmônica.

Conforme a análise de Luxemburgo e a percepção de bastidores frequentemente noticiada pela imprensa esportiva, Sampaoli é propenso a se envolver em desavenças, buscando incessantemente novas contratações e, em alguns casos, confrontando figuras importantes dentro do elenco. A manutenção de um ambiente coeso e a gestão de expectativas se mostram desafios recorrentes em suas passagens, impactando diretamente o desempenho da equipe em momentos cruciais da temporada e dificultando a construção de projetos de longo prazo.

A demissão do Atlético-MG, por exemplo, surge em um contexto de descontentamento crescente da torcida e da diretoria com a falta de resultados consistentes. A eliminação da Copa Sul-Americana, em um momento em que o time parecia ter potencial para chegar longe, expôs as fragilidades do trabalho, somada a rumores de atritos nos vestiários. A pressão por um título, após um investimento significativo, era imensa, e a incapacidade de reverter o quadro de inconstância culminou na sua saída.

A voz crítica de Vanderlei Luxemburgo

Vanderlei Luxemburgo não hesitou em apontar um padrão na carreira de Sampaoli, questionando a eficácia de seu trabalho em relação à frequência de suas demissões. “Sampaoli mandado embora do Atlético. Novidade? Não, novidade seria se ele não fosse mandado embora, fizesse um grande trabalho e levasse o time a grandes conquistas”, expressou o ex-técnico do Galo em suas redes sociais, demonstrando ceticismo quanto à capacidade do argentino de construir legados duradouros.

Ele continuou, detalhando sua visão sobre as dificuldades de Sampaoli em manter a longevidade e o sucesso em seus projetos. “Ele não consegue. Consegue brigar com todo mundo, buscar uma indenização, pedir contratação o tempo inteiro, ‘quero jogador’, briga com ídolo do clube. É sempre isso aí”, afirmou Luxa, evidenciando uma percepção de comportamento repetitivo do argentino, que tende a gerar desgaste rapidamente nos locais por onde passa.

A crítica se estendeu àqueles que, segundo Luxemburgo, defendem incondicionalmente o trabalho do treinador, ignorando o histórico de saídas conturbadas. “Os ‘baba-ovos’ do Sampaoli, ‘Sampaoli é bom’. Não conseguiu fazer um trabalho bom, em todos os lugares foi mandado embora. E as viúvas dele continuam assim”, pontuou o treinador brasileiro, com sua característica franqueza e de usar termos impactantes para descrever a persistência dos apoiadores.

Por fim, Luxemburgo fez uma observação ácida sobre a capacidade de Sampaoli de se recolocar rapidamente no mercado, apesar dos resultados inconsistentes. “O empresário dele é muito bom, porque coloca ele no Brasil sempre. E o que ele fez no Brasil?”, completou Luxa. A fala remete ao agente Fernando Felicevich, conhecido por sua influência e por gerenciar a carreira de diversos nomes do futebol sul-americano, incluindo Sampaoli, conseguindo para ele novas oportunidades mesmo após demissões.

Desempenho na segunda passagem pelo Galo

Jorge Sampaoli iniciou sua segunda gestão no Atlético-MG em 2 de setembro de 2025, sob grande expectativa, buscando repetir o sucesso e a intensidade que marcaram sua primeira passagem pelo clube, entre 2020 e 2021, quando o time se destacou pelo futebol ofensivo. A aposta da diretoria em seu retorno se deu pela esperança de consolidar um projeto vitorioso, especialmente considerando o robusto investimento em um elenco qualificado, capaz de disputar os principais títulos nacionais e continentais.

Contudo, o que se viu foi uma equipe de altos e baixos, incapaz de consolidar uma performance vitoriosa e consistente ao longo da temporada. A campanha em 2025 registrou um aproveitamento irregular, com oito vitórias, nove empates e sete derrotas em 24 confrontos. O ano de 2026 trouxe uma queda ainda mais acentuada no rendimento do Galo: apenas duas vitórias, além de sete empates e uma derrota, minando a confiança da torcida e da diretoria e culminando na perda do título da Copa Sul-Americana, um dos grandes objetivos da temporada. No total de sua segunda passagem, Sampaoli comandou o Atlético em 34 partidas, alcançando 10 triunfos, 16 igualdades e oito reveses, com um aproveitamento final de 45%, ficando aquém das ambições do clube.

Relação com o elenco e o caso Hulk

A convivência nos bastidores de um grande clube de futebol é sempre complexa, mas no caso de Jorge Sampaoli, essa relação se tornou um ponto de frequente debate. O treinador é conhecido por sua exigência máxima, sua busca por perfeição tática e por não se furtar a embates diretos com jogadores que não se encaixam em seus padrões de intensidade ou que expressam discordância com suas ideias táticas e disciplinares.

Um dos pontos mais comentados e que gerou especulações sobre um suposto desgaste interno foi a relação de Sampaoli com o atacante Hulk, um dos maiores ídolos da torcida atleticana e peça fundamental no esquema tático do Galo. Embora nunca confirmado oficialmente por ambas as partes, a imprensa esportiva e observadores próximos reportavam tensões nos bastidores, que poderiam ter contribuído para o ambiente pesado no clube e para a queda de rendimento coletivo em alguns momentos cruciares da temporada, afetando a dinâmica do time em campo.

Histórico de saídas e impactos financeiros

A história recente de Jorge Sampaoli é pontuada por saídas que, em muitos casos, são abruptas e envolvem rescisões financeiramente onerosas para os clubes. Sua passagem pelo Flamengo, por exemplo, também foi marcada por expectativas altas e um desfecho decepcionante, com uma multa rescisória considerável paga pela diretoria rubro-negra. Este padrão, de chegar com pompa e sair rapidamente, gerando custos adicionais e desestabilizando o planejamento financeiro, é o cerne da crítica de Vanderlei Luxemburgo sobre a eficácia de seu trabalho e a astúcia de seu empresário.

Essa característica de Sampaoli, de deixar os clubes antes do fim do contrato ou ser desligado, não é exclusividade do Brasil. Em outras passagens por equipes sul-americanas e europeias, como o Santos, a seleção argentina e o Olympique de Marseille, o técnico também demonstrou uma certa impaciência em relação aos projetos de longo prazo, buscando novos desafios ou sendo desligado em cenários de pressão por resultados e comumente deixando para trás acordos complexos de rescisão. O empresário, Fernando Felicevich, neste contexto, desempenha um papel fundamental em negociar esses termos e na subsequente recolocação do treinador no mercado, abrindo portas para novos projetos apesar dos históricos de instabilidade.

A persistência do nome Sampaoli no mercado

Com a demissão do Atlético-MG, o mercado de treinadores aguarda os próximos passos de Jorge Sampaoli. Apesar do histórico de saídas conturbadas e dos resultados inconsistentes em suas últimas passagens, o nome do argentino ainda possui um apelo considerável no cenário do futebol mundial. Sua reputação de implementar um futebol ofensivo, de alta intensidade e com uma identidade tática clara, continua sendo um fator atrativo para clubes que buscam uma renovação estratégica e uma filosofia de jogo agressiva, mesmo cientes dos riscos envolvidos em sua contratação.

Perspectivas e o desafio da estabilidade

A capacidade de Sampaoli de despertar o melhor em alguns elencos, como demonstrado em passagens vitoriosas pela seleção do Chile e por clubes como o Sevilla, ainda é um fator que o mantém em evidência. No entanto, a recente sequência de trabalhos curtos e com resultados abaixo do esperado no futebol brasileiro, tanto no Atlético-MG quanto no Flamengo, pode começar a pesar em futuras negociações. A percepção de que ele é um técnico de impacto imediato, mas com dificuldades em consolidar projetos de longo prazo, se intensifica a cada nova demissão. O empresário de Sampaoli, Fernando Felicevich, terá um papel crucial em negociar a próxima oportunidade, que pode vir novamente do Brasil, da América do Sul ou de outros mercados onde o treinador ainda mantém prestígio, mas o desafio de construir um legado duradouro e manter a estabilidade no comando técnico será cada vez maior para o argentino, que terá de provar sua capacidade de adaptação e longevidade.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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