Patinador americano Ilia Malinin decepciona em Milão e Mikhail Shaidorov é o novo campeãoPor Thiago Lemos
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A final da patinação artística individual masculina nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026 entregou um resultado inesperado e histórico nesta sexta-feira, 13 de fevereiro. O cazaque Mikhail Shaidorov, de 21 anos, superou os favoritos e conquistou a medalha de ouro, marcando a primeira vez que seu país atinge o topo do pódio nesta modalidade específica. O evento foi marcado pela performance atípica do americano Ilia Malinin, que entrou na Arena de Patinação como o grande cotado ao título, mas acabou na oitava posição após erros graves.
Os resultados finais foram definidos pela somatória das notas do programa curto, realizado na última terça-feira, e do programa livre disputado hoje no horário local da Itália. Shaidorov, que ocupava a quinta colocação após a primeira etapa, realizou uma apresentação impecável e tecnicamente superior para garantir o lugar mais alto do pódio. A competição reuniu os 24 melhores patinadores do mundo, que buscaram precisão em elementos de alta complexidade sob o olhar atento dos juízes e do público presente.
- Mikhail Shaidorov (Cazaquistão) alcançou a nota total de 291.58 pontos.
- Yuma Kagiyama (Japão) garantiu a medalha de prata com 280.06 pontos.
- Shun Sato (Japão) completou o pódio com o bronze ao somar 274.9 pontos.
- Ilia Malinin (EUA) finalizou em oitavo lugar com a pontuação total de 264.49.
💬2-time world champion 🇺🇸Ilia Malinin on his free skate after finishing 8th:
— CGTN Sports Scene (@CGTNSportsScene) February 14, 2026
"It just left your hands."
"I should have tried to put it aside and focus on the next thing. But it was like I wasn't aware of where I was in the program."#FigureSkating #MilanoCortina2026 #Olympics pic.twitter.com/NBhtjW1Lkw
Ascensão de Mikhail Shaidorov ao topo olímpico
O patinador cazaque demonstrou uma resiliência notável ao cravar todos os elementos obrigatórios de sua rotina durante o programa livre nesta sexta-feira. Ao concluir sua apresentação, o atleta desabou no gelo em um misto de exaustão e alívio, ciente de que havia entregado o melhor desempenho de sua carreira até o momento.
Com a nota de 198.64 no programa livre, Shaidorov estabeleceu sua melhor marca pessoal da temporada e consolidou uma distância de mais de 11 pontos em relação ao segundo colocado. Esta conquista representa apenas a segunda medalha do Cazaquistão na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, elevando o status do esporte no país da Ásia Central.
Quedas e instabilidade do favorito Ilia Malinin
Ilia Malinin, conhecido mundialmente pelo apelido de “Deus dos Quádruplos”, enfrentou uma noite de frustrações técnicas que o afastaram da disputa por medalhas individuais. Apesar de ter liderado o programa curto com uma vantagem confortável de cinco pontos, o americano de 21 anos não conseguiu manter a consistência necessária na fase final.
O atleta iniciou sua rotina com um salto bem-sucedido, mas logo em seguida apresentou uma sequência de falhas técnicas que comprometeram sua avaliação artística e técnica. Ele sofreu duas quedas diretas no gelo e, em outros momentos, precisou utilizar as mãos para evitar um impacto maior, o que resultou em deduções severas na pontuação final.
Elementos técnicos e o retorno do mortal para trás
A competição em Milão-Cortina também ficou marcada pela execução de manobras que desafiam a gravidade e a própria história do regulamento da patinação. Malinin e o francês Adam Siao Him Fa, que terminou na sétima posição, incluíram o mortal para trás em suas rotinas coreográficas.
Este elemento específico esteve proibido em competições oficiais por cerca de 50 anos devido ao alto risco de lesões, retornando oficialmente ao quadro de manobras permitidas apenas em 2024. A inclusão de tais movimentos demonstra a evolução técnica dos atletas, embora Malinin não tenha conseguido converter essa audácia em pontos suficientes para o pódio desta vez.
Desempenho dos atletas japoneses e consistência no gelo
O Japão reafirmou sua força tradicional na patinação artística ao colocar dois representantes no pódio individual masculino. Yuma Kagiyama apresentou um programa sólido e elegante, garantindo a medalha de prata após somar 280.06 pontos totais na competição.
Shun Sato também se destacou pela precisão técnica, superando adversários experientes para assegurar o bronze com 274.9 pontos. A performance da delegação japonesa foi elogiada pela crítica especializada, que destacou a capacidade dos patinadores em minimizar erros em momentos de alta pressão competitiva.
Trajetória de Ilia Malinin nos Jogos de Milão
Antes da decepção no individual, Malinin já havia sentido o gosto da vitória nesta edição olímpica ao conquistar o ouro na competição por equipes pelos Estados Unidos. Naquela ocasião, ele chegou a receber aplausos de figuras ilustres do esporte mundial, como o tenista Novak Djokovic, que acompanhava as provas.
O americano é o atual bicampeão mundial e detém o recorde de ser o único patinador a completar sete saltos quádruplos em uma única prova oficial. Entretanto, a pressão da estreia olímpica individual parece ter pesado sobre o jovem atleta, que admitiu à imprensa local ainda não compreender totalmente a origem de tantas falhas seguidas.
Impacto da vitória para o esporte no Cazaquistão
A medalha de ouro de Mikhail Shaidorov é vista como um divisor de águas para os esportes de inverno no Cazaquistão. O campeão expressou o desejo de que sua conquista sirva de inspiração para crianças e jovens atletas em seu país natal, provando que é possível superar limites estabelecidos.
A pontuação de 291.58 atingida por Shaidorov reflete um amadurecimento técnico que o coloca agora como o homem a ser batido no cenário internacional. O atleta destacou que este é o dia mais importante de sua vida profissional, celebrando a execução perfeita de uma estratégia traçada ao longo de anos de treinamento intensivo.







