A ginasta brasileira Rebeca Andrade, campeã olímpica, alcançou o tricampeonato mundial no salto e liderou o retorno do Brasil ao pódio no Campeonato Mundial de Ginástica Artística de 2026, encerrado neste domingo (25), em Roterdã, nos Países Baixos. A delegação nacional fechou o torneio com duas conquistas no feminino, somando o ouro de Rebeca ao bronze obtido por Flávia Saraiva na trave, além da quinta colocação geral por equipes entre as mulheres.
O desempenho recolocou o país entre os medalhistas da competição após a delegação ter passado em branco na edição de 2025. Na decisão da trave, realizada no domingo, Flávia Saraiva atingiu a nota de 14.300 pontos para assegurar o terceiro lugar. “Eu me senti muito feliz. Era uma final difícil, foram muitas séries acima de 14. Sabia que, para disputar medalha, eu tinha que fazer a série mais difícil”, afirmou a ginasta da seleção brasileira.
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Tricampeonato de Rebeca Andrade e notas do salto em Roterdã
A medalha de ouro de Rebeca Andrade foi definida no sábado (24), quando a brasileira registrou 14.466 pontos na final do salto. Com o resultado, a atleta de 27 anos chegou à marca de dez medalhas na história dos Campeonatos Mundiais de Ginástica Artística, acumulando quatro ouros, quatro pratas e dois bronzes ao longo da carreira. Na disputa pelo título em Roterdã, ela superou duas representantes dos Estados Unidos: Claire Pease ficou com a prata ao somar 14.233 pontos, enquanto Skye Blakely levou o bronze com 14.166 pontos.
Durante todas as suas apresentações no salto na cidade holandesa, a brasileira obteve notas de execução superiores a 9,300 pontos. O torneio marcou o retorno da campeã olímpica às competições após um ano de afastamento planejado para recuperação física e mental, período iniciado depois de sua participação nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, nos quais ganhou quatro medalhas e elevou seu total olímpico na carreira para seis pódios (dois ouros, três pratas e um bronze). Na atual edição do Mundial, ela competiu apenas no salto e na trave, definiu que não disputará mais o aparelho solo e programou a retomada das séries nas barras assimétricas para a temporada de 2027.
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Bronze de Flávia Saraiva na trave e resultados da equipe feminina
Flávia Saraiva garantiu a segunda medalha do Brasil em 25 de outubro de 2026 ao alcançar 6.1 na nota de dificuldade e 8.200 na execução durante a final da trave. A brasileira competiu com um desconforto muscular na coxa, condição que reduziu o valor de dificuldade do salto apresentado, mas confirmou a sua terceira medalha em Mundiais, juntando-se à prata por equipes e ao bronze no solo obtidos na edição de 2023. O ouro da prova em Roterdã ficou com a argelina Kaylia Nemour, seguida pela chinesa Zhang Qingying; ambas empataram com 14.566 pontos, e a ginasta da Argélia venceu no critério de desempate pela nota de execução.
No conjunto da competição feminina, o grupo formado por Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Lorrane Oliveira, Thais Fidelis e Sophia Weisberg obteve cinco participações em finais e terminou na quinta posição na decisão por equipes. Nas classificatórias, o quinteto havia avançado na oitava colocação com 159.131 pontos. Lorrane Oliveira voltou a disputar uma final de individual geral após um intervalo de 11 anos e encerrou a prova em 21º lugar, enquanto Flávia terminou a mesma disputa na 12ª posição. A equipe não contou com a medalhista olímpica Julia Soares, que ficou fora do torneio em razão de uma lesão sofrida no segundo semestre de 2026. O cronograma da seleção feminina nos Países Baixos registrou as seguintes etapas:
- Segunda-feira, 19 de outubro: disputa das classificatórias femininas, com o Brasil em 8º lugar;
- Quarta-feira, 21 de outubro: final por equipes feminina, encerrada pelo país na 5ª posição;
- Sexta-feira, 23 de outubro: final do individual geral feminino, com participações de Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira;
- Sábado, 24 de outubro: conquista do ouro de Rebeca Andrade na decisão do salto;
- Domingo, 25 de outubro: conquista do bronze de Flávia Saraiva na decisão da trave.
Eliminação da equipe masculina nas classificatórias e lesões em 2026
Em sentido oposto ao resultado feminino, a seleção masculina brasileira encerrou as classificatórias do Mundial de Roterdã na 19ª colocação e ficou quase cinco pontos atrás da zona dos 12 primeiros colocados, faixa que serve de parâmetro para a classificação olímpica. Nenhum ginasta do time masculino avançou às finais por aparelhos ou do individual geral, fato que não ocorria com o Brasil em uma grande competição desde o Campeonato Mundial de 2010, sediado na mesma cidade holandesa, e que contrasta com a campanha dos Jogos Olímpicos da Rio 2016, quando o país classificou todos os atletas às decisões individuais e obteve três pódios.
O desempenho masculino foi diretamente afetado por problemas físicos e falhas técnicas ao longo da competição, revertendo o quadro do Mundial de 2025, ocasião em que Diogo Soares e Caio Souza haviam colocado o país em três finais mesmo com o Brasil saindo sem medalhas no quadro geral. Um mês antes da viagem aos Países Baixos, Caio Souza sofreu uma ruptura no bíceps direito, passou por cirurgia e foi cortado da delegação. Já em Roterdã, Diogo Soares cometeu falhas nas classificatórias e ficou fora da decisão do individual geral, enquanto o campeão mundial e medalhista olímpico Arthur Nory, de 33 anos, bateu o rosto na barra fixa durante sua série, levou quatro pontos na testa e precisou abandonar a disputa antes de se apresentar no solo e no salto.
A busca das seleções feminina e masculina do Brasil pelas vagas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 prosseguirá no Campeonato Mundial de Ginástica Artística de 2027, que será disputado em Chengdu, na China.
