China avança com projeto Tianhe para fabricar chuva e combate seca no norte apesar de críticas internacionaisPor Bruna
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A China intensifica programa de semeadura de nuvens para combater secas no norte e noroeste do país, com operações que envolvem aviões, drones e geradores terrestres lançando iodeto de prata para estimular precipitação adicional. Em março de 2025, a Administração Meteorológica da China executou o projeto “chuva de primavera” em regiões do cinturão de grãos, utilizando 30 aeronaves e drones, além de mais de 250 geradores no solo, para aliviar a seca que afeta plantações no início da temporada agrícola. Autoridades afirmam que a ação gerou 31 milhões de toneladas extras de precipitação em 10 áreas vulneráveis, com aumento de 20% em relação ao ano anterior na zona-alvo. Especialistas internacionais questionam a precisão dessas medições e a real eficácia da técnica em larga escala.
O país expandiu significativamente o uso da modificação climática nos últimos anos, cobrindo mais de 50% de seu território com operações para aumentar chuva ou neve, e em alguns casos reduzir precipitação indesejada. Tecnologias como drones e radares avançados permitiram maior precisão nas intervenções, que já foram aplicadas em eventos específicos, como os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 e celebrações nacionais. A agência meteorológica chinesa informou, em dezembro de 2025, que as atividades de chuva e neve artificial produziram 168 bilhões de toneladas adicionais de precipitação desde 2021.
Origens e evolução da técnica na China
A semeadura de nuvens começou na China em 1958, com experimentos iniciais na província de Jilin para combater seca. A técnica surgiu nos Estados Unidos na década de 1940, quando pesquisadores observaram a formação de cristais de gelo ao introduzir gelo seco em nuvens super-resfriadas. Na China, o método ganhou força com o uso de iodeto de prata, cujas partículas semelhantes ao gelo estimulam a condensação em nuvens com água super-resfriada.
A primeira base operacional foi estabelecida em 2013, e atualmente existem seis bases colaborando em pesquisas. O programa se consolidou como o maior do mundo, com integração de inteligência artificial para otimizar o lançamento de agentes. Operações combinam métodos aéreos, com aviões e drones, e terrestres, por meio de foguetes e geradores.
Projeto Tianhe e ambições de longo prazo
O projeto Tianhe, conhecido como “rio do céu”, busca criar um corredor de vapor d’água do Planalto Tibetano para regiões secas do norte, utilizando milhares de geradores instalados no solo. Essa iniciativa visa direcionar umidade para áreas com escassez hídrica crônica, beneficiando agricultura e recursos hídricos.
Especialistas destacam que o programa responde a secas frequentes desde a década de 1950, que impactam a produção agrícola e a economia. A expansão inclui monitoramento por satélites e radares para identificar nuvens adequadas, com foco em áreas montanhosas onde a neve é mais fácil de medir.

Dúvidas sobre eficácia e comprovação científica
Cientistas questionam se os resultados divulgados correspondem à precipitação adicional real gerada. A dificuldade em realizar experimentos controlados surge da variabilidade natural das nuvens, tornando complexo separar o efeito artificial do natural. Estudos independentes, como o projeto Snowie nos Estados Unidos, demonstraram aumento modesto de neve em condições específicas, mas indicaram limitações em cenários variados.
Na China, alegações de aumentos expressivos carecem de validação independente em muitos casos. A técnica depende de nuvens com potencial de precipitação, sendo menos eficaz em períodos quentes ou sem condições ideais. Métodos terrestres são mais acessíveis, mas menos previsíveis que os aéreos, que envolvem custos elevados.
Principais limitações técnicas identificadas
- A semeadura requer nuvens com água super-resfriada ou gotículas adequadas para funcionar de forma efetiva.
- Em meses quentes, nuvens se deslocam rapidamente e contêm menos potencial para precipitação artificial.
- Medições de neve em montanhas são mais confiáveis do que de chuva em áreas planas ou urbanas.
- Custos de operações aéreas com aviões e drones superam os benefícios em muitos cenários de baixa escala.
Preocupações ambientais e geopolíticas
O uso em larga escala levanta debates sobre impactos ambientais dos produtos químicos, como iodeto de prata, e possíveis alterações em padrões de chuva em regiões vizinhas. Pesquisadores alertam para riscos transfronteiriços, especialmente em bacias hidrográficas compartilhadas com países como a Índia, onde intervenções poderiam afetar recursos hídricos.
Análises indicam que efeitos em nações vizinhas tendem a ser mínimos em operações atuais, mas a ausência de acordos internacionais para monitoramento preocupa. Especialistas defendem maior cooperação global para avaliar consequências de longo prazo e evitar tensões.
Avanços tecnológicos e métodos alternativos
A China testa inovações como semeadura com íons negativos e sinalizadores para estimular união de gotículas. Drones equipados com IA aumentam a precisão na identificação e tratamento de nuvens. Experimentos recentes no Planalto Qinghai-Tibetano usaram grandes drones em voos prolongados para aprimorar técnicas de alta altitude.
Esses desenvolvimentos visam superar limitações tradicionais, mas pesquisas independentes ainda são escassas para confirmar ganhos significativos. A técnica não gera precipitação em ausência de nuvens propícias, o que restringe sua aplicação.
Limitações persistentes da semeadura de nuvens
A eficácia varia conforme o tipo de nuvem e a estação do ano. Em climas quentes, nuvens se deslocam rapidamente e contêm menos água super-resfriada, reduzindo resultados. Medições de neve em montanhas são mais confiáveis que de chuva em planícies.
Custos elevados de operações aéreas levam à preferência por métodos terrestres em larga escala. A imprevisibilidade dos efeitos regionais exige monitoramento contínuo para mitigar riscos inesperados.







