Prestianni nega ofensas racistas contra Vini Jr e alega má interpretação do brasileiro em LisboaPor Thiago Lemos
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O atacante brasileiro Vinicius Junior denunciou ter sido alvo de insultos racistas por parte do meia-atacante argentino Gianluca Prestianni durante a partida entre Benfica e Real Madrid. O confronto, realizado no Estádio da Luz, em Lisboa, terminou com vitória espanhola por 1 a 0, mas o resultado esportivo ficou em segundo plano diante da gravidade dos relatos apresentados após o apito final. O árbitro francês François Letexier chegou a acionar o protocolo da UEFA contra o racismo ainda durante o segundo tempo da partida.
A acusação ganhou força com o depoimento do atacante Kylian Mbappé, que atuou como testemunha ocular e auditiva do episódio ocorrido no gramado português. Segundo o jogador francês, Prestianni teria proferido termos racistas contra o brasileiro por pelo menos cinco vezes em diferentes momentos de tensão do jogo. A denúncia foi formalizada pela equipe de arbitragem, que registrou os incidentes em súmula para análise posterior das autoridades desportivas europeias.
- O incidente ocorreu na noite de terça-feira em Lisboa.
- Vinicius Junior utilizou suas redes sociais para expor a situação.
- A UEFA iniciou a coleta de imagens e áudios do sistema de transmissão.
- Jogadores do Real Madrid demonstraram apoio público ao companheiro.
🚨 Kylian Mbappé: “Prestianni clearly called Vini Jr a monkey, it happened five times”.
— Fabrizio Romano (@FabrizioRomano) February 17, 2026
“I saw that. UEFA have the best cameras, now we wait. This is not acceptable. It’s not my kind of human being”. pic.twitter.com/XsXCxDRpoW
Defesa de Prestianni alega interpretação equivocada
O jogador argentino Gianluca Prestianni utilizou seus canais oficiais para negar veementemente qualquer prática de injúria racial contra o camisa 7 do Real Madrid. Segundo a versão do atleta do Benfica, o que ocorreu foi um erro de comunicação e uma interpretação equivocada por parte de Vinicius Junior durante o calor da disputa esportiva. Prestianni afirmou que possui uma conduta ilibada ao longo de sua carreira e que jamais utilizaria termos discriminatórios contra colegas de profissão.
Em comunicado oficial, o meia argentino expressou lamentação pelo ocorrido, mas reiterou que as palavras ouvidas pelo brasileiro não condizem com o que foi dito de fato. Ele argumentou que o ambiente hostil de um jogo decisivo de Champions League pode gerar confusões sonoras, mas garantiu que sua consciência está tranquila em relação aos princípios éticos. O jogador também demonstrou preocupação com a repercussão negativa que o caso tomou globalmente nas últimas horas.
Testemunho de Mbappé reforça denúncia de brasileiro
Kylian Mbappé foi uma das vozes mais incisivas na defesa de seu companheiro de equipe logo após o encerramento do confronto em Portugal. O craque francês relatou às autoridades de campo que ouviu claramente as ofensas direcionadas a Vinicius Junior, especificando o uso da palavra “macaco” de forma reiterada pelo adversário. Este depoimento é considerado crucial para o andamento do processo disciplinar, uma vez que se trata de uma testemunha direta da interação entre os jogadores.
A postura de Mbappé sinaliza uma união no vestiário do Real Madrid contra episódios de discriminação que têm perseguido o atacante brasileiro em diferentes estádios da Europa. O clube espanhol já sinalizou que dará todo o suporte jurídico necessário para que o caso seja investigado com rigor pela UEFA. A expectativa é que o depoimento do francês, somado às imagens capturadas pelas câmeras de transmissão, forme o conjunto probatório principal contra o atleta argentino.
Reação de Vinicius Junior e protocolo de arbitragem
Vinicius Junior não se calou diante do ocorrido e usou sua conta no Instagram para desabafar sobre o novo ataque sofrido em solo europeu. O brasileiro afirmou que os racistas são covardes e que buscam esconder suas atitudes por trás da competitividade do futebol. Ele destacou que a luta contra o preconceito é contínua e que não deixará de denunciar qualquer ato que fira sua dignidade ou a de outros jogadores negros.
A atuação do árbitro François Letexier também foi destacada, uma vez que o protocolo de três etapas da UEFA foi iniciado assim que a primeira reclamação formal foi feita no gramado. Houve um anúncio no sistema de som do Estádio da Luz solicitando que os torcedores e jogadores mantivessem o respeito, conforme prevê o regulamento para casos de comportamento discriminatório. A interrupção momentânea da partida serviu para registrar o descontentamento da equipe espanhola com a postura de Prestianni.
Alegação de ameaças no vestiário do Estádio da Luz
Além de negar as ofensas racistas, Gianluca Prestianni trouxe uma nova camada de conflito ao afirmar que foi alvo de ameaças por parte de integrantes do Real Madrid. Segundo o meia, alguns jogadores do time espanhol teriam feito abordagens agressivas nos túneis de acesso aos vestiários após a partida. Ele afirmou que se sente acuado pela pressão exercida pela equipe adversária e pela exposição midiática que o caso gerou instantaneamente.
Essa contra-acusação de Prestianni tenta equilibrar a narrativa do incidente, sugerindo que houve hostilidade de ambos os lados após o desentendimento inicial. Contudo, até o momento, não houve registros formais ou vídeos que comprovem ameaças físicas ou verbais por parte dos madridistas. O Benfica, clube do jogador argentino, informou que está analisando internamente os fatos antes de emitir um posicionamento definitivo sobre a conduta de seu atleta e a segurança de sua delegação.
Implicações disciplinares na Champions League
A UEFA trata casos de racismo com tolerância zero e pode aplicar sanções severas caso a culpa de Prestianni seja comprovada pelas evidências coletadas. As punições previstas no regulamento disciplinar da entidade incluem suspensões por um número considerável de partidas e multas pesadas para o clube responsável. Se os relatos de Mbappé e Vinicius Junior forem confirmados por perícia de leitura labial, o argentino poderá enfrentar um longo período de afastamento das competições continentais.
Por outro lado, o Real Madrid reforçou que espera medidas exemplares para que episódios como este não voltem a ocorrer no maior torneio de clubes do mundo. A diretoria merengue acredita que a proteção aos seus atletas deve ser a prioridade das entidades organizadoras. O caso de Lisboa se soma a uma lista de incidentes que têm pautado debates sobre a necessidade de punições mais drásticas, incluindo a perda de pontos para equipes cujos membros se envolvam em atos racistas.
Histórico de tensões em confrontos internacionais
O futebol europeu tem enfrentado um aumento nos relatos de crimes de ódio dentro dos gramados, o que tem gerado uma mobilização global de atletas de elite. Vinicius Junior tornou-se um símbolo dessa resistência, após enfrentar situações semelhantes em diversos estádios da Espanha. O episódio em Lisboa demonstra que o problema ultrapassa fronteiras nacionais e exige uma resposta coordenada de todas as federações ligadas à FIFA.
A repercussão em Portugal foi imediata, com parte da imprensa local questionando a postura de Prestianni e outra parte aguardando a conclusão das investigações oficiais. Especialistas em direito desportivo apontam que o depoimento de testemunhas como Mbappé costuma ter um peso decisivo em julgamentos da UEFA. A comunidade esportiva aguarda agora os próximos passos das autoridades para entender como será conduzida a justiça diante de mais um caso que mancha a imagem do esporte.
O Real Madrid retornou à Espanha logo após o jogo, enquanto o Benfica manteve seus atletas em regime de silêncio para evitar maiores polêmicas antes do posicionamento jurídico. O clima entre as diretorias, que historicamente mantêm boa relação, ficou estremecido devido à gravidade da acusação feita pelo brasileiro. A UEFA deve nomear um inspetor ético e disciplinar nas próximas 48 horas para conduzir o inquérito de forma independente e imparcial.







