Oscar abre mão de R$ 53 milhões e negocia rescisão contratual com o São PauloPor Thiago Lemos
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O São Paulo e o meio-campista Oscar estão em estágios avançados para oficializar a rescisão do contrato que unia as partes até o final de 2027. O jogador de 34 anos tomou a decisão pessoal de encerrar sua trajetória no futebol profissional após enfrentar problemas de saúde recentes. Durante as conversas para o distrato, o atleta sinalizou que abrirá mão de uma quantia estimada em R$ 53 milhões, valor que receberia integralmente se cumprisse o vínculo até o encerramento previsto.
A negociação agora se concentra em uma pendência financeira específica que o clube possui com o jogador, acumulada durante a última temporada de atuação. Oscar pleiteia o recebimento de aproximadamente R$ 7 milhões, montante referente a direitos de imagem em atraso e luvas pela assinatura do compromisso. Embora o staff do meia tenha solicitado inicialmente o pagamento à vista, já existe uma flexibilização para que o débito seja parcelado pelo Tricolor até dezembro de 2027.
O processo de saída ocorre em meio a um clima de respeito mútuo entre a diretoria são-paulina e os representantes do atleta, que buscam um desfecho amigável para o impasse. A expectativa é que um encontro definitivo na próxima semana sele os termos finais da separação e permita ao clube aliviar sua folha salarial. As tratativas são conduzidas pelo diretor executivo Rui Costa e pelo empresário Giuliano Bertolucci, que mantém diálogo constante sobre o fluxo de pagamentos.
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Problemas de saúde motivaram decisão de aposentadoria precoce
A escolha de Oscar pelo encerramento da carreira foi precipitada por um episódio médico ocorrido no final do ano passado, durante os testes físicos de rotina. O jogador sofreu um mal súbito no Centro de Treinamento da Barra Funda e precisou ser removido de ambulância para o Hospital Israelita Albert Einstein. Na unidade de saúde, ele permaneceu sob cuidados intensivos na UTI para a realização de uma bateria de exames cardiológicos detalhados.
Os diagnósticos apontaram que o meia teve uma síncope vasovagal, condição caracterizada pela perda súbita e temporária de consciência devido à queda da pressão arterial. Especialistas indicam que, embora o quadro não apresente risco iminente de morte, ele demanda monitoramento constante e repouso absoluto em fases críticas. Diante desse cenário e do histórico de lesões anteriores, Oscar optou por priorizar sua integridade física e o convívio familiar fora das quatro linhas.
- Síncope vasovagal causa desmaios por redução súbita dos batimentos cardíacos.
- O atleta cumpriu um rigoroso protocolo de repouso antes de definir o futuro.
- A decisão foi comunicada à diretoria após o jogador frequentar o CT de forma esporádica.
- O São Paulo já considera o contrato suspenso para fins de registros internos desde o início do ano.
Detalhes financeiros e pendências com o staff do atleta
O montante de R$ 53 milhões que Oscar decidiu não cobrar representa os salários e encargos dos dois anos remanescentes de contrato que ele teria direito a receber. O atleta entende que, por não ter condições de desempenhar suas funções em alto nível, não seria justo onerar o clube com valores futuros. Contudo, a dívida de R$ 7 milhões é considerada incontroversa por seu staff, uma vez que se refere ao período em que ele esteve efetivamente à disposição.
Além dos valores devidos diretamente ao jogador, o São Paulo também precisa equacionar o pagamento de comissões pendentes aos intermediários da negociação. O clube não confirma os números publicamente, tratando as cifras como sigilosas, mas reconhece que há um esforço financeiro para quitar as obrigações do passado. A diretoria vê a economia gerada pela rescisão como fundamental para o planejamento orçamentário das próximas temporadas, permitindo novos investimentos no elenco.
A segunda passagem de Oscar pelo Morumbi termina com números discretos, totalizando 21 partidas disputadas, com dois gols marcados e cinco assistências concedidas aos companheiros. O desempenho esportivo foi diretamente impactado por problemas físicos, incluindo uma fratura em três vértebras lombares sofrida no meio do ano passado. Essa sequência de adversidades físicas contribuiu para que o meia amadurecesse a ideia de pendurar as chuteiras aos 34 anos de idade.
Repercussão interna e sucessão na numeração do elenco
O clima no vestiário do São Paulo é de solidariedade ao companheiro, que é visto como uma liderança técnica e um exemplo de profissionalismo no dia a dia. A diretoria já começou a movimentar as peças do elenco para suprir a ausência definitiva do meia nas competições oficiais que o clube disputa. Um sinal claro da saída iminente foi a redistribuição da numeração oficial, com a camisa 8 sendo herdada por outros jogadores do grupo principal.
A cúpula tricolor agilizou o registro de novos reforços, como o meia Cauly, para garantir que o setor criativo da equipe não sofra com a carência de opções técnicas. O técnico e a comissão técnica foram informados sobre o andamento da rescisão para que pudessem ajustar o planejamento tático sem contar com Oscar para 2026. O clube planeja uma homenagem simbólica ao atleta assim que o distrato for assinado, reconhecendo sua identificação com as cores do time desde a base.
Aspectos médicos da síncope vasovagal e prevenção no esporte
O quadro médico de Oscar trouxe à tona discussões sobre a saúde de atletas de alto rendimento e os limites impostos pelo corpo em situações de estresse físico. A síncope vasovagal não costuma deixar sequelas permanentes, mas exige que o indivíduo evite gatilhos emocionais ou físicos que possam desencadear novos desmaios súbitos. No caso de um jogador de futebol, a intensidade dos treinamentos e jogos oficiais torna o manejo dessa condição clínica extremamente desafiador e arriscado.
Especialistas em cardiologia esportiva ressaltam que a prevenção é o melhor caminho, envolvendo hidratação rigorosa, controle de sódio e ajustes na rotina de exercícios físicos. Para Oscar, o risco de sofrer traumas físicos durante as quedas causadas pelos desmaios pesou significativamente na balança para a decisão da aposentadoria definitiva. O acompanhamento médico continuará sendo realizado de forma privada pelo ex-atleta, mesmo após o desligamento formal das atividades do São Paulo.
O desfecho do caso deve ocorrer até o final da próxima semana, quando uma nova rodada de conversas presenciais está agendada entre as partes interessadas. O objetivo é que o documento de rescisão seja redigido de forma que proteja juridicamente tanto o clube quanto o profissional, evitando litígios futuros. Com a assinatura, o São Paulo encerra um capítulo importante de sua folha de pagamentos e foca na reestruturação financeira necessária para a continuidade da temporada atual.







