O Corinthians anunciou, na madrugada deste sábado (21), o desligamento do técnico Lucas Piccinato do comando da equipe feminina. A decisão surge após um empate em 2 a 2 com o Fluminense, disputado em casa pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro Feminino.
A notícia pegou parte da torcida corintiana de surpresa, considerando o momento delicado da equipe no início da temporada. O resultado contra o Fluminense, em que o time jogou com uma atleta a mais em campo e ainda assim cedeu o empate, intensificou a pressão sobre a comissão técnica.
Além de Piccinato, a movimentação no Parque São Jorge incluiu a saída de outros membros da equipe técnica. O auxiliar Brenno Basso, o preparador de goleiras Francisco Rodrigues e o preparador físico Luiz Guilherme Gonçalves também foram desligados de suas funções, conforme comunicado pelo clube alvinegro.
Mudança inesperada no comando técnico
A diretoria do Corinthians agiu rapidamente para efetivar as mudanças no comando técnico, sinalizando uma insatisfação com os resultados recentes e o desempenho da equipe feminina. A saída de uma comissão técnica completa é um indicativo da seriedade com que o clube avaliava a situação.
Com a vacância no cargo de treinador e nos demais postos da equipe técnica, o clube agora busca um novo nome para assumir imediatamente o desafio de reestruturar o time. A urgência reside no calendário competitivo do futebol feminino, que não oferece muitas pausas.
Breve passagem e o peso da herança
Lucas Piccinato havia chegado ao Corinthians em dezembro do ano anterior, com a desafiadora missão de suceder Arthur Elias, que deixou a equipe para assumir a Seleção Brasileira Feminina. A sombra da bem-sucedida gestão anterior, que colecionou títulos importantes, pesou sobre seu trabalho desde o primeiro momento.
Apesar da expectativa de manter o alto nível de competitividade, a passagem de Piccinato foi marcada por um início de temporada abaixo das projeções. A performance recente do time, que não conseguiu atingir os objetivos traçados em competições de grande relevância, impulsionou a decisão da diretoria por uma mudança drástica e imediata.
Sob o comando de Arthur Elias, o Corinthians feminino acumulou um histórico impressionante de conquistas, incluindo dois Campeonatos Brasileiros, duas Copas Libertadores e uma Supercopa do Brasil. Ele registrou 71 vitórias, 20 empates e 10 derrotas em sua trajetória, alcançando um aproveitamento de 76,9%, com 240 gols marcados e apenas 80 sofridos, dados que estabeleceram um patamar elevado para qualquer sucessor.
O início de temporada turbulento das Brabas
O começo do ano para as Brabas foi marcado por resultados que geraram preocupação e colocaram pressão sobre a equipe e a comissão técnica. Em janeiro, o time disputou o Mundial de Clubes Feminino da FIFA, um torneio de prestígio, mas não conseguiu erguer o troféu, ficando com o vice-campeonato após uma derrota na prorrogação para o Arsenal.
Na sequência, a equipe enfrentou outro revés significativo ao perder o título da Supercopa Feminina para o arquirrival Palmeiras. Essa derrota, em um clássico decisivo, amplificou a percepção de que o time não estava conseguindo replicar o desempenho dominante de temporadas anteriores, tornando a atmosfera interna ainda mais crítica.
A estreia no Campeonato Brasileiro, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-MG, trouxe um breve alívio, mas a irregularidade voltou a se manifestar rapidamente. O empate em 2 a 2 contra o Fluminense, ocorrido em casa e com o Corinthians tendo uma jogadora a mais em campo durante boa parte do jogo, foi o estopim para a diretoria tomar a medida extrema de demitir o treinador.
A falta de consistência nos resultados, especialmente em jogos importantes e com vantagem numérica, foi um fator decisivo para a avaliação negativa da comissão técnica. A expectativa era de um time dominante, e o que se viu foram oscilações que comprometeram o início da jornada.
Desafios iminentes e competições futuras
A temporada de 2026 reserva grandes desafios para o Corinthians feminino, que ainda terá pela frente diversas competições de alto nível. Além da sequência do Campeonato Brasileiro, a equipe está confirmada para disputar a Copa Libertadores, a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista Feminino.
Esses torneios exigirão não apenas um time competitivo, mas também um novo comando técnico capaz de imprimir rapidamente uma nova filosofia e motivar as atletas. A escolha do próximo treinador será crucial para definir o rumo da equipe nas próximas semanas e meses, dada a densidade do calendário.
Perfis cotados para a sucessão
Com a saída de Piccinato, o mercado de técnicos para o futebol feminino entra em efervescência, e o Corinthians já busca nomes para preencher a vaga. Diversos profissionais, tanto no cenário nacional quanto internacional, surgem como potenciais candidatos para assumir a liderança técnica das Brabas.
Entre os nomes que circulam, Tatiele Silveira, atualmente no comando do Colo-Colo, destaca-se por sua experiência e resultados. Emily Lima, que teve uma passagem recente pelo Levante, na Espanha, também é uma opção considerada por sua visão tática e conhecimento do futebol feminino de alto nível.
Outras treinadoras como Thaissan Passos, que já esteve à frente do Grêmio, e Jéssica Lima, reconhecida por sua vasta experiência no futebol brasileiro e passagens por diferentes clubes, estão entre as alternativas. Além delas, Jorge Barcellos, com histórico no Internacional e na própria Seleção Brasileira Feminina em anos anteriores, aparece como um perfil com rodagem e conhecimento para o cargo de grande responsabilidade.
A busca por estabilidade e novos caminhos
A diretoria corintiana agora tem a tarefa de escolher um nome que consiga reverter a fase turbulenta e restaurar a confiança da equipe e da torcida. A expectativa é que o novo treinador traga não apenas um novo planejamento tático, mas também um elemento de estabilidade e liderança para um elenco acostumado a disputar e vencer títulos.

