Pressão no Santos por Cuca divide opiniões da diretoria e gera receio sobre patrocínios do clubePor Luís Pereira
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A recente eliminação do Santos no Campeonato Paulista, com uma derrota por 2 a 1 para o Novorizontino fora de casa pelas quartas de final, intensificou a turbulência nos bastidores do clube. O resultado negativo subiu a pressão sobre o técnico Juan Pablo Vojvoda, marcando um início de temporada abaixo das expectativas e colocando em xeque a permanência do comandante argentino no cargo. A situação acende o alerta para a necessidade de respostas rápidas antes do início da sequência de jogos do Campeonato Brasileiro, que se aproxima com desafios significativos.
Nos corredores da Vila Belmiro, o nome do técnico Cuca, atualmente desempregado desde o ano passado, surgiu como uma forte opção defendida por aliados do presidente Marcelo Teixeira. Essa ala acredita que a chegada do treinador, conhecido por sua capacidade de gestão de grupos, poderia “blindar o vestiário” em um momento de instabilidade. A proposta visa trazer uma figura com experiência para acalmar os ânimos e impulsionar o desempenho da equipe em campo.
No entanto, a ideia encontra resistência significativa dentro da própria diretoria santista. Há um receio palpável de que a contratação de Cuca, apesar de suas credenciais esportivas, possa gerar repercussões negativas fora das quatro linhas. A gestão do clube avalia que a chegada do multicampeão poderia afastar potenciais patrocinadores e, inclusive, abalar a relação com parceiros comerciais já estabelecidos, impactando a saúde financeira e a imagem da instituição.
Crise após eliminação no Paulistão
A saída precoce do Campeonato Paulista representou um duro golpe para as ambições do Santos e para a moral da equipe. O revés diante do Novorizontino expôs fragilidades táticas e a dificuldade em converter o volume de jogo em resultados concretos, evidenciando a necessidade de ajustes urgentes para o restante da temporada.
O desempenho abaixo do esperado desde o início do ano fez com que a torcida manifestasse sua insatisfação, transformando cada partida em um teste de paciência para a comissão técnica e os jogadores. O ambiente de cobrança se intensificou, criando um cenário desafiador para qualquer profissional à frente do time.
O nome de Cuca e a divisão interna
Alexi Stival, popularmente conhecido como Cuca, está sem vínculo com nenhum clube e é um treinador com um currículo vitorioso no futebol nacional. Seus apoiadores dentro do Santos veem nele a figura ideal para reorganizar o elenco e dar uma nova dinâmica ao time, utilizando sua experiência em momentos de alta pressão.
Contudo, a discussão sobre sua vinda vai além do aspecto puramente técnico. A diretoria atual demonstra preocupação com a repercussão pública de uma possível contratação, considerando o histórico do treinador. Esse debate interno revela a complexidade das decisões no futebol moderno, onde o desempenho em campo é apenas uma das variáveis.
Apesar de já ter recebido duas propostas para retornar ao futebol brasileiro, Cuca tem sinalizado que sua prioridade, no momento, são ofertas do exterior. Essa postura adiciona um elemento a mais de incerteza em torno da especulação, mesmo com a pressão de alguns setores do clube por sua chegada.
Patrocínios em xeque: a preocupação da diretoria
A diretoria do Santos está profundamente preocupada com a imagem do clube e as implicações financeiras de certas escolhas de gestão. A avaliação interna é de que a chegada de um nome com alta rejeição por parte de uma parcela significativa da torcida poderia comprometer negociações e parcerias estratégicas.
A captação de novos patrocinadores e a manutenção dos atuais são pilares cruciais para a estabilidade econômica do Peixe. Em um cenário competitivo, a reputação e a percepção pública de um clube são fatores decisivos para atrair investimentos, e qualquer ruído pode ser prejudicial.
O departamento de marketing e a cúpula financeira analisam com cautela todos os cenários. A visão é de que um treinador multicampeão poderia, paradoxalmente, gerar um risco de desvalorização comercial se o descontentamento da torcida se traduzir em menor engajamento ou em uma imagem pública fragilizada.
Preservar a boa relação com empresas parceiras e abrir portas para novos negócios exige um alinhamento entre as expectativas esportivas e os valores de mercado. A escolha de um técnico, portanto, transcende o aspecto técnico-tático e se torna uma decisão estratégica de longo alcance para a marca Santos.
Rejeição da torcida e histórico do treinador
A “muita rejeição na torcida” enfrentada por Cuca é um dos principais entraves para sua possível contratação pelo Santos. Uma parcela significativa dos torcedores expressa veementemente sua oposição ao nome, baseada em eventos passados que geraram grande controvérsia e polarização. Essa percepção negativa, mesmo com o passar do tempo, permanece um fator relevante na avaliação da diretoria.
Em 2024, a Justiça da Suíça anulou a sentença contra Alexi Stival por estupro contra uma menor de idade, proferida em 1989. A defesa do treinador argumentou à época que ele foi condenado à revelia, sem representação legal adequada no processo. A decisão da justiça suíça permitiu que o treinador voltasse a exercer sua profissão normalmente, o que ele fez ao comandar o Atlético-MG em 2025, após o ocorrido. No entanto, o episódio continua a ser um ponto sensível para muitos torcedores, especialmente em um clube com a visibilidade e a responsabilidade social do Santos.
Cenários para Juan Pablo Vojvoda no Peixe
Apesar das especulações intensas e da pressão crescente, Juan Pablo Vojvoda segue no comando técnico do Santos. Sua permanência tem sido monitorada de perto pela diretoria, que avalia o impacto das últimas partidas e a capacidade de reação do elenco sob sua liderança.
O próximo compromisso da equipe será crucial para o futuro do argentino. O Peixe entra em campo na quinta-feira, 26 de fevereiro, na Vila Belmiro, para enfrentar o Vasco pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Este jogo representa uma oportunidade para Vojvoda buscar um resultado positivo e aliviar a pressão. A expectativa é que o desempenho nesta partida possa ser determinante para os próximos passos da diretoria em relação à comissão técnica.
Outras opções no mercado de técnicos
Com a posição de Vojvoda na corda bamba, outros nomes além de Cuca começam a circular nos bastidores como possíveis substitutos. Entre eles, Marcelo Gallardo, atualmente no River Plate, é citado como uma “sombra” para o técnico santista. O experiente treinador argentino, com um histórico de sucesso expressivo em seu clube atual, também estaria em uma situação delicada, abrindo um leque de possibilidades para a diretoria do Santos caso a mudança de comando seja de fato concretizada nos próximos dias.






