Santos e Pepe lamentam morte de Didi, barbeiro que criou o famoso corte de cabelo do Rei PeléPor Thiago Lemos
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O Santos Futebol Clube e a comunidade esportiva amanheceram em luto nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, com a confirmação do falecimento de João Araújo. Conhecido mundialmente pelo apelido de Didi, o profissional ganhou notoriedade histórica como o barbeiro oficial do Rei Pelé e de diversos outros craques que passaram pela Vila Belmiro ao longo de décadas. Aos 87 anos, ele estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa, localizado na cidade de Santos, onde lutava contra complicações de saúde que se agravaram nos últimos dias de sua internação.
A causa do óbito foi confirmada como uma parada cardiorrespiratória, ocorrida após um período de cuidados intensivos na unidade hospitalar desde o início do mês de fevereiro. Durante este intervalo, o barbeiro passou por dois procedimentos cirúrgicos complexos na região do intestino, mas não resistiu ao quadro clínico delicado. João Araújo deixa um legado familiar sólido, composto por sua esposa e três filhos, além de uma legião de amigos e clientes que frequentavam seu estabelecimento comercial em busca de boas histórias e serviços de excelência.
A barbearia de Didi tornou-se um ponto de peregrinação turística e esportiva por estar situada estrategicamente ao lado do estádio Urbano Caldeira, a histórica Vila Belmiro. O local não era apenas um comércio de estética, mas um centro cultural informal onde a memória do Santos FC era preservada através de conversas entre torcedores e atletas. Entre os principais marcos de sua carreira, destaca-se a criação do “topete” de Pelé, visual que acompanhou o Atleta do Século durante a maior parte de sua trajetória vitoriosa nos gramados do mundo inteiro.
- O falecimento ocorreu no Hospital Beneficência Portuguesa de Santos.
- O velório foi programado para ocorrer até as 15h40 no próprio hospital.
- A cerimônia de cremação acontece na Memorial Necrópole Ecumênica.
- O local do sepultamento é o mesmo onde Pelé foi enterrado em 2023.
O legado do corte de cabelo mais famoso do mundo
O Santos FC utilizou suas plataformas oficiais de comunicação para emitir uma nota de pesar profunda sobre a perda de um de seus personagens mais emblemáticos fora de campo. O clube ressaltou que Didi não era apenas um prestador de serviços, mas uma figura integrada à rotina da instituição e dos jogadores que fizeram história com a camisa alvinegra. Em sua barbearia, o profissional moldou a imagem de ídolos que transcenderam gerações, mantendo sempre a simplicidade e a discrição que lhe eram características marcantes.
A nota oficial detalhou que a invenção do topete de Pelé aconteceu dentro daquelas paredes, transformando um corte de cabelo simples em um símbolo de identidade para o maior jogador de todos os tempos. Para o Santos, a partida de João Araújo representa o fechamento de um capítulo importante da história cotidiana da Vila Belmiro, onde o convívio entre os moradores e o clube era personificado pela figura do barbeiro.
Pepe e a despedida do canhão da vila
Pepe, o segundo maior artilheiro da história do Santos e companheiro inseparável de Pelé no ataque dos anos 60, manifestou-se de forma emocionada em suas redes sociais. O “Canhão da Vila” compartilhou registros fotográficos ao lado de Didi, enfatizando que as idas à barbearia eram momentos de lazer, risadas e fortalecimento de laços de amizade que duraram mais de meio século. Para o ex-jogador, o ambiente criado por João Araújo era um refúgio de hospitalidade e boas memórias para todos os veteranos do clube.
O ídolo santista descreveu Didi como um homem generoso e um ouvinte atento, qualidades que o tornavam querido por todos, independentemente da fama dos clientes que sentavam em sua cadeira. A mensagem de Pepe reforçou que, embora o profissional tenha partido, as histórias narradas naquele espaço físico continuarão vivas na memória coletiva de quem viveu a era de ouro do futebol brasileiro.
A rotina histórica na barbearia ao lado da vila
A barbearia de Didi funcionava como um elo entre o passado glorioso e o presente do Santos, recebendo desde jovens promessas das categorias de base até lendas já consagradas. A proximidade com o estádio permitia que técnicos, dirigentes e atletas frequentassem o local com naturalidade, criando um ambiente de camaradagem raramente visto no futebol moderno e profissionalizado. João Araújo tratava todos com a mesma cortesia, mantendo a tradição das barbearias clássicas que servem como ponto de encontro social.
Muitos torcedores que visitavam o Memorial das Conquistas no estádio aproveitavam para passar em frente ao estabelecimento de Didi, na esperança de encontrar o homem que cuidava da imagem do Rei. A simplicidade do local contrastava com a magnitude das personalidades que ali circulavam, reforçando a identidade santista de clube intimamente ligado ao seu bairro e aos seus moradores tradicionais.
Procedimentos de despedida e homenagens finais
O velório de João Araújo atraiu amigos, familiares e representantes do Santos FC, que fizeram questão de prestar o último adeus ao profissional que dedicou a vida à cidade e ao clube. O clima de respeito e gratidão marcou as horas de cerimônia na Beneficência Portuguesa, com coroas de flores enviadas por diversas personalidades ligadas ao esporte. A família agradeceu o carinho recebido e destacou a força que Didi demonstrou durante os dias de internação hospitalar.
Após as 15h40, o cortejo fúnebre seguiu pelas ruas de Santos em direção à Memorial Necrópole Ecumênica, um local que já carrega um peso histórico imenso para os amantes do futebol. A escolha do local para a cerimônia de cremação carrega um simbolismo forte, unindo novamente o barbeiro e seu cliente mais ilustre no descanso final dentro do mesmo complexo fúnebre.
Um símbolo da identidade cultural santista
Didi representava uma era em que o futebol era vivido de forma mais humana e próxima, onde os jogadores moravam no bairro e frequentavam os mesmos comércios que os torcedores comuns. Sua morte é vista por historiadores locais como a perda de uma biblioteca viva de fatos anedóticos e bastidores que nunca foram registrados em livros oficiais de estatísticas. Ele conhecia as preferências, as preocupações e as alegrias dos atletas nos momentos de maior pressão antes de grandes decisões.
A preservação da imagem de Pelé, sempre impecável em suas aparições públicas, passava pelas mãos firmes e tesouras precisas de João Araújo. Essa responsabilidade foi carregada com orgulho por Didi ao longo de toda a vida, tornando-se sua principal marca registrada e garantindo-lhe um lugar cativo na mitologia do Santos Futebol Clube. O clube estuda formas de homenagear o barbeiro em jogos futuros, reconhecendo sua importância para a mística da Vila Belmiro.
Impacto na comunidade local da Vila Belmiro
Os moradores do bairro da Vila Belmiro também sentiram profundamente a perda do vizinho ilustre, que era visto diariamente cuidando de seu negócio com dedicação exemplar. O comércio local costuma se unir em torno de figuras tão tradicionais, e a morte de Didi altera o cotidiano da rua onde a barbearia está instalada há tantas décadas. Comerciantes vizinhos lembraram de sua pontualidade e do bom humor constante, mesmo nos momentos de dificuldade econômica ou de saúde.
A prefeitura de Santos e órgãos ligados ao turismo também reconhecem que figuras como Didi ajudam a construir a narrativa da “Cidade do Futebol”, atraindo visitantes interessados na história de Pelé. A barbearia, agora sem o seu mestre, permanece como um monumento à amizade e à lealdade que o profissional demonstrou para com o clube do seu coração e seus ídolos eternos.







