Atlético-MG aposta em desejo pessoal de Torreira e nota flexibilidade do Galatasaray no negócioPor Carolina Costa
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A diretoria do Atlético-MG intensificou os trabalhos nos bastidores para promover uma reformulação estratégica no elenco, visando atender às exigências da nova comissão técnica. Após a saída de Jorge Sampaoli, o clube agiu rápido e definiu Eduardo Domínguez como o novo comandante para a sequência da temporada. Com a mudança no comando, as prioridades de mercado foram reavaliadas e o foco se voltou para a qualificação do meio-campo, setor considerado vital para a dinâmica de jogo pretendida pelo treinador argentino.
Diante desse cenário de reestruturação, uma antiga negociação que parecia encerrada voltou à pauta da alta cúpula alvinegra. O clube mineiro retomou os contatos para tentar a contratação do volante uruguaio Lucas Torreira, que atualmente defende o Galatasaray, da Turquia. A movimentação indica que o Galo está disposto a fazer um esforço significativo para entregar um reforço de peso à torcida e ao novo técnico.
O principal combustível para a reabertura das conversas foi a mudança de postura do próprio atleta. Torreira sinalizou positivamente sobre o interesse de retornar ao futebol sul-americano, motivado por questões pessoais e pelo desejo de estar mais próximo da família. Essa vontade expressa pelo jogador criou um ambiente favorável para que o Atlético-MG se aproximasse novamente do estafe do uruguaio, buscando viabilizar uma operação que é considerada complexa.
A diretoria atleticana entende que o momento é propício para insistir na contratação, aproveitando a janela de oportunidade aberta pelo desejo do jogador. A estratégia agora envolve alinhar as expectativas financeiras do clube turco com a realidade orçamentária do futebol brasileiro, utilizando a vontade do atleta como um trunfo na mesa de negociações.
Obstáculos financeiros e mudança de cenário
As primeiras tentativas de aproximação do Atlético-MG, realizadas no início do ano, encontraram uma barreira rígida por parte do Galatasaray. Naquela ocasião, o clube de Istambul se mostrou irredutível, estipulando o valor de 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 60,6 milhões) para liberar o volante. A exigência turca incluía o pagamento integral e à vista, sem a possibilidade de parcelamento ou inclusão de cláusulas de produtividade, o que inviabilizou o avanço das tratativas naquele momento.
Buscando contornar a rigidez inicial, o Galo chegou a formalizar duas propostas. A mais recente envolvia o pagamento de 6 milhões de euros fixos (cerca de R$ 36,3 milhões), somados a outros 2 milhões de euros em bônus por metas atingidas. No entanto, mesmo com o valor total podendo chegar a 8 milhões de euros, a oferta foi rejeitada. O Galatasaray alegou a necessidade de liquidez imediata e a preferência por valores garantidos, sem depender de variáveis futuras para compor o montante final da transferência.
Apesar das negativas anteriores, o panorama da negociação sofreu alterações importantes nas últimas semanas. Informações de bastidores apontam que o clube turco começou a demonstrar uma flexibilidade que não existia nas rodadas iniciais de conversa. Embora os valores de referência permaneçam elevados, a diretoria do Galatasaray já admite discutir condições que tornem a operação menos onerosa para o time brasileiro, abrindo margem para um desfecho positivo.
Desafios contratuais e engenharia salarial
Para concretizar a chegada de Lucas Torreira, o Atlético-MG precisará superar não apenas a questão da taxa de transferência, mas também os desafios relacionados ao contrato vigente do jogador. O volante possui vínculo com o Galatasaray até junho de 2028, o que confere aos turcos uma posição confortável para negociar. Além disso, existe uma cláusula que prevê a renovação automática por mais uma temporada, condicionada ao cumprimento de metas esportivas, o que valoriza ainda mais o ativo no mercado internacional.
Outro ponto sensível na operação é o alto salário do atleta. Torreira é um dos jogadores mais bem pagos do elenco turco, com vencimentos anuais na casa dos 5 milhões de euros. Convertendo para a realidade nacional, isso representaria um custo mensal de aproximadamente R$ 2,5 milhões, valor que o colocaria no topo da folha salarial do Atlético-MG e entre os maiores salários do futebol brasileiro.
A diretoria alvinegra está ciente de que será necessária uma engenharia financeira robusta para acomodar os vencimentos do uruguaio sem comprometer o equilíbrio fiscal do clube. A expectativa é que, com o avanço das conversas e a colaboração do próprio jogador, seja possível chegar a um denominador comum que permita a adequação dos valores à realidade financeira do Galo, viabilizando assim a contratação de um nome de impacto para a nova era sob o comando de Eduardo Domínguez.







