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O Conselho de Sentença do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos e meio de prisão em regime fechado. A decisão ocorreu na madrugada desta quinta-feira (5), após sessão que durou quase 16 horas e começou na tarde de quarta-feira (4). Os jurados reconheceram a autoria nos crimes de homicídio qualificado pela morte de Fernanda Cabral, de 22 anos, e tentativa de homicídio contra Bruno Carvalho Cabral, então com 16 anos. A juíza Tula Mello leu a sentença e destacou as graves consequências do ato. A defesa anunciou recurso contra a decisão.

Cíntia Mariano Dias Cabral permaneceu presa desde 2022, quando ocorreu a prisão durante depoimento na delegacia. O Ministério Público sustentou que os crimes foram praticados com motivo fútil, motivado por ciúmes da relação das vítimas com o pai delas, Adeílson Jarbas Cabral, companheiro da ré por cerca de seis anos. Laudos periciais confirmaram que as vítimas sofreram intoxicação por carbamato, princípio ativo do veneno conhecido como chumbinho, substância usada como raticida. A denúncia apontou que o veneno foi colocado na comida em ocasiões distintas, em março e maio de 2022.

Depoimento de Bruno Cabral detalha episódio de envenenamento

Bruno Carvalho Cabral, sobrevivente do crime, foi o primeiro a depor no julgamento. Ele descreveu o almoço na casa da madrasta após um simulado escolar, em um sábado de maio de 2022. Bruno relatou que Cíntia entregou diretamente o prato com feijão, sem que os demais se servissem normalmente.

O jovem percebeu gosto estranho e identificou pontinhos azuis no feijão. Ele separou algumas partículas e questionou a madrasta, que reagiu com nervosismo e apagou a luz do ambiente. Após a refeição, Bruno foi para a casa da mãe e passou mal em minutos, com sintomas como língua enrolada, suor excessivo e dificuldade para andar e enxergar. Ele associou imediatamente o episódio à morte da irmã Fernanda, ocorrida meses antes em circunstâncias semelhantes.

Relato do pai revela conflitos familiares

Adeílson Jarbas Cabral, pai de Fernanda e Bruno, confirmou em depoimento a existência de brigas frequentes entre Cíntia e os filhos dele. As discussões envolviam questões do dia a dia, como gastos, organização da casa e preferências do pai pela filha. Adeílson admitiu favorecer Fernanda em horários, dinheiro e oportunidades, o que gerava incômodo na companheira.

Bruno raramente frequentava a casa do pai por causa das tensões com a madrasta. No dia do envenenamento de Bruno, Adeílson recebeu o alerta da ex-mulher sobre o mal-estar do filho e começou a conectar os fatos à suspeita sobre Cíntia, que preparou a refeição. A relação do casal terminou após o início das investigações policiais.

Bruno com a irmã, Fernanda, que morreu envenenada - Reprodução/Redes sociais
Bruno com a irmã, Fernanda, que morreu envenenada – Reprodução/Redes sociais

Mãe das vítimas descreve desconfianças e tentativas suspeitas

Jane Cabral, mãe de Fernanda e Bruno, relatou que desconfiou de Cíntia após a morte da filha e o episódio com o filho. Durante a internação de Fernanda, a ré ofereceu comida repetidamente, o que Jane recusou. Após o óbito, Cíntia enviou um bolo de chocolate à casa dela, que foi descartado imediatamente por Jane e Bruno.

Jane afirmou que as interações com Cíntia se limitaram ao período de internação da filha. A ré insistia na alimentação de Jane, alegando preocupação. A mãe considerou as ofertas suspeitas e associou ao contexto dos envenenamentos. Inicialmente, não suspeitou de crime na morte de Fernanda, mas o mal-estar de Bruno em situação similar reforçou a desconfiança.

Filhos biológicos confirmam confissão da mãe

Lucas Mariano Rodrigues, filho de Cíntia, depôs como testemunha de acusação e afirmou que a mãe confessou os crimes após o episódio com Bruno. Ele buscou a mãe no hospital e a levou para a casa da avó, onde questionou diretamente sobre os fatos. Cíntia admitiu ter envenenado Bruno e, ao ser pressionada, confirmou o mesmo contra Fernanda. Lucas pediu que a mãe repetisse a confissão para a irmã Carla.

Carla Mariano Rodrigues corroborou o relato do irmão. Ela insistiu para ouvir diretamente da mãe e obteve a admissão dos atos na casa da avó. Carla relatou medo de fuga da mãe antes da chegada da polícia, acionada pela família. Os filhos descreveram o convívio familiar como aceitável na superfície, mas marcado por ciúmes intensos de Cíntia em relação ao companheiro.

Denúncia e provas periciais sustentam acusação

A denúncia do Ministério Público detalhou que, em 15 de março de 2022, Cíntia colocou veneno na refeição de Fernanda, que passou mal, foi internada e morreu 13 dias depois em hospital da Zona Oeste do Rio. Em maio, o mesmo método foi usado contra Bruno, que sobreviveu após atendimento médico. Exames confirmaram intoxicação por carbamato em ambos os casos.

Perícias pós-exumação no corpo de Fernanda reforçaram a causa química do óbito. A acusação destacou a materialidade dos fatos e a autoria comprovada por elementos como depoimentos, laudos e circunstâncias. O julgamento, inicialmente marcado para outubro de 2025, foi adiado após a defesa abandonar o plenário por falta de acesso a perícias em telefone. A sessão foi remarcada para março de 2026.

Detalhes do julgamento e manutenção da prisão

A sessão no 3º Tribunal do Júri durou desde as 15h de quarta até a madrugada de quinta, com deliberação dos jurados em menos de meia hora. A juíza manteve a prisão da ré após a leitura da sentença. Testemunhas de defesa, como médico do IML, questionaram procedimentos iniciais na morte súbita de Fernanda, mas a condenação prevaleceu com base nas provas apresentadas.

O caso ganhou repercussão pela gravidade dos fatos e pelo uso de substância tóxica em ambiente familiar. A pena total reflete a soma das qualificadoras reconhecidas pelos jurados nos dois crimes.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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