Governo propõe suspender multas e pontos da CNH por pedágio Free Flow até dezembro de 2026
O Ministério dos Transportes anunciou uma medida provisória que busca suspender a aplicação de multas e pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas que transitarem pelo sistema de pedágio “free flow” e não efetuarem o pagamento da tarifa. A iniciativa visa conceder um prazo de regularização até dezembro de 2026, permitindo que os condutores quitem suas pendências sem as penalidades habituais.
A proposta surge em resposta às dificuldades relatadas por motoristas para realizar os pagamentos, dada a variedade de sistemas de cobrança empregados pelas concessionárias. A suspensão temporária busca harmonizar a comunicação entre as operadoras e o sistema do governo federal, promovendo um ambiente mais claro e eficiente para os usuários das rodovias.
Em discussão no Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a deliberação em elaboração tem como foco a prorrogação do prazo de homologação dos sistemas até o final de 2026. Esta medida, ainda em tramitação, permitirá que ajustes técnicos e de interoperabilidade sejam feitos, garantindo que o sistema de livre passagem funcione de forma integrada e acessível a todos.
Entenda a proposta de suspensão das penalidades
A infração por evasão de pedágio, seja em praças tradicionais ou no moderno sistema free flow, implica uma multa de R$ 195,23 e a adição de cinco pontos na CNH. No entanto, com a complexidade atual de pagamento do free flow, muitos motoristas têm sido penalizados inadvertidamente, gerando transtornos e dúvidas sobre como proceder.
A suspensão planejada não representa um perdão das tarifas devidas, mas sim uma oportunidade para que os motoristas regularizem os pagamentos dos pedágios em aberto. A penalidade de multa e pontos só será aplicada caso o pagamento não seja efetuado até a data-limite estabelecida, que deve ser dezembro de 2026, conforme a proposta do Ministério dos Transportes.
O funcionamento do pedágio free flow no Brasil
O pedágio free flow, ou eletrônico, representa uma evolução significativa na forma de cobrança em rodovias, eliminando as tradicionais cabines de atendimento e a necessidade de redução de velocidade. Este sistema opera com tecnologia avançada para identificar os veículos em movimento, proporcionando uma experiência de viagem mais fluida e sem interrupções.
Uma das grandes vantagens do free flow é a capacidade de realizar a cobrança proporcional ao trecho percorrido pelo veículo. Sensores e câmeras instalados em pórticos fixos ao longo da rodovia são capazes de identificar precisamente onde o carro ingressou e saiu da via, garantindo que o motorista pague apenas pelo uso efetivo da infraestrutura.
No cenário brasileiro, o sistema já está em operação em importantes rodovias federais, como a BR-101 (Rodovia Rio-Santos), e sua implementação está autorizada para diversas vias urbanas e rurais, incluindo estradas federais, estaduais, distritais e municipais em todo o país. Essa expansão visa modernizar a infraestrutura viária e otimizar o fluxo de tráfego.
Multas e a complexidade da cobrança
É fundamental compreender que o pedágio eletrônico, por si só, não aplica multas. Sua função principal é unicamente a de identificar corretamente o veículo para processar a cobrança da tarifa. As penalidades são acionadas somente quando o pagamento da passagem não é realizado dentro do prazo estipulado após a detecção pelo pórtico.
A emissão da multa ocorre quando o governo federal recebe a comunicação da concessionária da rodovia sobre a não quitação do pedágio. Essa informação é então registrada no aplicativo CNH Digital, alertando o condutor sobre a infração grave. A dificuldade reside na variedade de plataformas de pagamento e na falta de um canal único e integrado.
A inconsistência entre os sistemas de cobrança das diferentes concessionárias gera confusão. Motoristas frequentemente relatam que não conseguem encontrar uma maneira simples e padronizada de pagar a tarifa após passarem pelos pórticos, o que os leva à situação de evasão de pedágio, muitas vezes sem intenção de fraudar o sistema.
Para mitigar esses problemas, a proposta de suspensão das multas e pontos se faz necessária. Ela serve como um período de transição crucial para que tanto o governo quanto as concessionárias possam desenvolver e implementar soluções de interoperabilidade que simplifiquem o processo para o usuário final, antes que as penalidades voltem a ser plenamente aplicadas.
Tecnologia por trás do sistema inovador
O sistema free flow emprega uma tecnologia sofisticada, que se baseia e aprimora as tags eletrônicas já conhecidas no Brasil. A diferença principal está na capacidade de leitura e identificação do veículo em alta velocidade, sem exigir qualquer interação do motorista com uma cabine ou dispositivo físico.
Diversas câmeras e sensores são instalados estrategicamente nos pórticos ao longo das rodovias. Esses equipamentos trabalham em conjunto para identificar os veículos equipados com tag ou para realizar a leitura precisa das placas, o que permite determinar quem deve ser cobrado e registrar a passagem de forma eficiente.
Alguns desses sistemas utilizam câmeras com lentes duplas, capazes de capturar imagens em 3D. Essa funcionalidade é essencial para identificar com precisão o tipo de veículo, o número de eixos e até mesmo quais eixos estão suspensos, garantindo uma cobrança correta e diferenciada, especialmente para veículos de carga, como caminhões. Além disso, luzes infravermelhas são integradas para assegurar a identificação dos veículos mesmo em condições climáticas adversas, como neblina ou fumaça densa, elevando a confiabilidade do sistema.
Cenário internacional e regulamentação
A tecnologia de pedágio eletrônico free flow não é uma novidade no cenário global, sendo um modelo de sucesso adotado em mais de 20 países. Nações como Noruega, Portugal, Estados Unidos, Itália, China e Chile já utilizam essa modalidade em suas redes rodoviárias há anos, comprovando sua eficácia na gestão do tráfego e na otimização da arrecadação de pedágios. O Chile, em particular, foi um dos pioneiros na América Latina a implementar largamente o sistema, servindo como referência para outros países da região. A experiência internacional demonstra que, com uma regulamentação clara e sistemas de pagamento integrados, o free flow pode oferecer benefícios substanciais aos motoristas e às operadoras de rodovias. A adesão a padrões internacionais e a colaboração entre as entidades reguladoras e as concessionárias são passos fundamentais para garantir que o sistema funcione de maneira transparente e sem gerar entraves para os usuários, como as atuais dificuldades de pagamento no Brasil. A busca por essa integração é o que impulsiona a atual deliberação do Contran.
Detalhes da deliberação e próximos passos
A Resolução Contran nº 1.013/2024 estabeleceu que os sistemas de livre passagem (free flow) deveriam ser previamente homologados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) antes de iniciarem sua operação, com um prazo de 180 dias a partir da publicação do normativo específico. Este normativo, a Portaria Senatran nº 442, foi publicado em 12 de junho de 2025, definindo os procedimentos para a homologação.
Apesar de o módulo sob responsabilidade da Senatran, para envio de informações cadastrais, já estar tecnicamente concluído, foram identificados ajustes cruciais na arquitetura de interoperabilidade. Estes ajustes são indispensáveis para assegurar a compatibilidade plena com as soluções tecnológicas atualmente utilizadas pelas concessionárias de rodovias em todo o país.
Diante desse cenário, a Senatran, em colaboração com o Ministério dos Transportes, busca uma alternativa regulatória que permita uma transição mais adequada. É nesse contexto que está sendo elaborada uma deliberação do Contran para prorrogar o prazo de homologação até dezembro de 2026. Esta proposta ainda está sob análise interna e aguarda a manifestação da Consultoria Jurídica.
Como evitar a multa e regularizar pagamentos
Para evitar a multa e os pontos na CNH, mesmo com a suspensão temporária, é crucial que o motorista esteja atento e tome as medidas necessárias para regularizar o pagamento do pedágio free flow.
A proposta de suspensão da exigibilidade das multas, caso o usuário regularize o pagamento dos pedágios em aberto até dezembro de 2026, representa uma chance valiosa. Não se trata de uma isenção do valor do pedágio, mas sim da oportunidade de quitar a dívida sem incorrer em penalidades adicionais, reforçando a importância da responsabilidade do condutor.

















