Honda cancela três modelos elétricos nos EUA e registra prejuízo bilionário em virada estratégica
A Honda Motor Co. anunciou o cancelamento do desenvolvimento e lançamento de três modelos elétricos planejados para produção na América do Norte. A decisão faz parte de uma reavaliação da estratégia de eletrificação da empresa, motivada pela desaceleração do mercado de veículos elétricos nos Estados Unidos. A montadora espera registrar entre US$ 5,2 bilhões e US$ 15,7 bilhões em perdas associadas a essa mudança, o que deve levar a um prejuízo anual líquido pela primeira vez em décadas como empresa listada.
A companhia atribui o ajuste a fatores como a redução da demanda por EVs no mercado americano, influenciada pelo relaxamento de regulações sobre combustíveis fósseis e alterações em incentivos fiscais. A Honda também aponta dificuldades para manter a competitividade em regiões como a Ásia, onde recursos direcionados para EVs impactaram outros segmentos. A reestruturação busca melhorar a rentabilidade do negócio automotivo no curto prazo.
Cancelamento de modelos específicos
A Honda decidiu interromper os projetos do Honda 0 SUV, do Honda 0 Saloon e do Acura RSX. Esses veículos faziam parte da série 0, posicionada como central na estratégia de veículos definidos por software. A produção estava prevista para ocorrer em instalações nos Estados Unidos, com lançamento inicialmente planejado para o próximo ano.
A montadora concluiu que iniciar a produção e as vendas desses modelos no ambiente atual resultaria em perdas adicionais ao longo do tempo. A medida reflete uma adaptação rápida às condições de mercado em evolução.
Desafios na linha de híbridos
A Honda foi pioneira na venda de híbridos nos Estados Unidos com o Insight, lançado antes do Prius da Toyota. Atualmente, a empresa oferece apenas quatro modelos híbridos, enquanto concorrentes expandiram significativamente essa oferta.
Apesar da meta de dobrar as vendas de híbridos até o final da década, a Honda anunciou redução na produção de híbridos nos Estados Unidos neste ano. Modelos como o Prelude, reintroduzido como híbrido exclusivo, registraram vendas modestas, com apenas 299 unidades comercializadas no mês passado.
A ausência de opções híbridas em picapes, minivans e SUVs maiores limita a presença da marca em segmentos de alta demanda. A empresa planeja fortalecer essa categoria com novos powertrains híbridos e sistemas de direção automatizada previstos para após 2027.
Impacto nas vendas e no mercado americano
O mercado dos Estados Unidos representa a principal fonte de receita da Honda. As vendas no país cresceram apenas 0,5% no ano passado, desempenho abaixo da média do setor. A Prologue, EV lançada em 2024 em parceria com a GM, viu as vendas caírem 64% no último mês reportado, influenciadas pela perda de subsídios federais em setembro.
A linha envelhecida contribui para os desafios, com problemas que antecedem a aposta em EVs. A reorganização integra o desenvolvimento de veículos à área de pesquisa e desenvolvimento para criar produtos mais competitivos.
Contexto global e ajustes regionais
A Honda enfrenta estagnação na China, com declínio nas vendas por 24 meses consecutivos. Globalmente, as vendas atingiram pico de 5,3 milhões de unidades em 2019, mas caíram para 3,7 milhões no ano passado e projeção de 3,3 milhões no atual ano fiscal.
A empresa pretende realocar recursos para fortalecer híbridos nos principais mercados, incluindo Japão e Estados Unidos. Na Índia e em outras partes da Ásia, o foco será na expansão da linha e na melhoria da competitividade de custos com modelos híbridos de próxima geração.
Medidas para recuperação financeira
Executivos da Honda, incluindo o CEO Toshihiro Mibe, aceitaram cortes voluntários de remuneração por três meses. A companhia mantém investimentos em outras áreas rentáveis, como motocicletas e serviços financeiros, para compensar as perdas no segmento automotivo.
A estratégia revisada enfatiza a captura de efeitos positivos com a introdução de novos modelos e híbridos avançados nos Estados Unidos a partir de 2027. A Honda também considera ajustes na produção de baterias em joint venture local para priorizar híbridos.
A montadora continua comprometida com a eletrificação, mas adapta o ritmo às realidades do mercado. A reavaliação busca equilibrar inovação com sustentabilidade financeira em um cenário de demanda volátil.
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