A vila de Hakuba, prepara multas de até 50 mil ienes para conter comportamentos inadequados de turistas estrangeirosPor Beatriz
4 min de leitura
![]() |
A vila de Hakuba, no Japão, introduzirá a partir de julho de 2026 multas de até 50 mil ienes para comportamentos disruptivos de turistas. A medida visa responder a reclamações crescentes de moradores sobre barulho noturno, consumo de álcool em vias públicas e outros atos considerados inadequados. O prefeito Toshiro Maruyama anunciou a atualização da ordenança local de boas maneiras, que antes existia sem penalidades efetivas. As infrações incluem beber enquanto caminha, perturbação do sossego após certo horário e lançamento de fogos de artifício.
A região atrai esquiadores do mundo todo pelas pistas de neve em pó e atmosfera animada. Dez estações de esqui compõem o vale, com destaque para Happo-one, sede de eventos dos Jogos Olímpicos de Inverno de Nagano em 1998. Turistas estrangeiros, especialmente de Austrália, Europa e Américas, impulsionam a economia local durante a temporada de inverno, que vai do final de novembro ao início de maio.
Reclamações locais aumentam com chegada de visitantes
Moradores relatam lotação em supermercados, ônibus e restaurantes durante os meses de pico. A vida noturna em áreas como Echoland concentra a maioria das queixas, com relatos de grupos barulhentos e bêbados nas ruas. Comerciantes locais pressionam por ações mais firmes para preservar a tranquilidade da vila.
O prefeito destacou que uma lei similar existe há uma década, mas sem multas, o que limitava sua aplicação. Agora, a polícia poderá aplicar as penalidades diretamente quando houver recusa em obedecer ordens oficiais. A intenção é garantir convivência harmônica entre residentes e visitantes.
Debate sobre necessidade das multas divide opiniões
Empresários do setor turístico questionam a gravidade do problema. Um executivo de grupo hoteleiro local argumenta que cenas de bares animados ocorrem em qualquer destino de esqui no mundo. Ele considera exagerada a percepção de descontrole e alerta que mensagens negativas podem afastar visitantes em potencial.
A vila registra aumento expressivo de turistas estrangeiros após a reabertura pós-pandemia. Em 2025, o número de esquiadores chegou a cerca de 1,064 milhão, embora abaixo do pico histórico de 2,785 milhões em 1992, quando quase todos eram japoneses. A mudança no perfil dos visitantes gera impactos diferentes nos preços e na rotina diária.
Impactos econômicos e no custo de vida
Preços de alimentos e acomodações subiram com a adoção de hábitos ocidentais, como jantar fora. Uma tigela de ramen que custa 1.300 ienes parece acessível para estrangeiros devido à desvalorização do iene, mas pesa no orçamento dos moradores. Terrenos e imóveis valorizaram significativamente desde o período pandêmico.
Alguns hotéis e condomínios foram adquiridos por valores bem acima dos praticados antes de 2020. A compra recente de um imóvel por 250 milhões de ienes exemplifica a valorização, contra menos de 46 milhões ienes no período pré-pandemia. Proprietários locais também se beneficiam dessa alta nos ativos.
Equilíbrio entre turismo e preservação da vila
Hakuba mantém traços culturais japoneses apesar da influência internacional. A atmosfera europeia nas pistas contrasta com elementos tradicionais preservados. Visitantes destacam a vida noturna como diferencial em relação a outros resorts mais calmos.
O prefeito planeja imposto sobre hospedagem para custear serviços públicos sobrecarregados, como manutenção de estradas e transporte. Críticos afirmam que a taxa pode desestimular visitas na baixa temporada. Especialistas sugerem distribuição de turistas para outras regiões do Japão menos pressionadas.
Medidas visam convivência sustentável
A ordenança atualizada lista categorias específicas de violações, com foco em orientação antes da punição. A vila integra esforços nacionais para lidar com o crescimento do turismo estrangeiro, que atingiu 42,6 milhões de visitantes no Japão no ano passado. O governo federal mira 60 milhões até 2030.
Hakuba busca atrair visitantes durante todo o ano para equilibrar a economia sazonal. A ausência de barreiras de entrada na vila torna o desafio maior para controlar fluxos. Autoridades enfatizam a gratidão pelo aporte econômico dos turistas, mas reforçam a necessidade de regras claras.
A região continua popular por neve constante e montanhas altas. Filas em teleféricos são raras, e muitos esquiadores encontram pistas vazias. O aumento projetado de visitantes internacionais deve intensificar discussões sobre gestão sustentável do destino.







