Hakuba no Japão cria regras com multas altas contra excessos de turistas estrangeiros em 2026Por Beatriz
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O Vale de Hakuba, nos Alpes Japoneses, enfrenta tensões crescentes entre moradores e o aumento de visitantes estrangeiros atraídos pela neve em pó e pela vida noturna vibrante. A vila, composta por dez estações de esqui, registrou 1.064.000 esquiadores no ano passado, número inferior ao pico histórico de 2.785.000 em 1992, mas com composição distinta: a maioria atual é de turistas internacionais, diferente do predomínio japonês na década de 1990. O prefeito Toshiro Maruyama anunciou a implementação de multas de até 50.000 ienes para infrações como beber enquanto caminha, fazer barulho após determinado horário noturno ou soltar fogos de artifício, com entrada em vigor em 1º de julho de 2026.
A medida atualiza uma ordenança de 2015 que proibia tais condutas, mas sem prever penalidades financeiras, o que limitava sua eficácia. Comerciantes locais pressionaram por ações mais rigorosas diante de relatos frequentes de turistas bêbados e arruaceiros, especialmente na área de Echoland, no distrito de Happo-one, onde se concentram bares e pubs. A polícia poderá aplicar as multas quando os infratores ignorarem ordens oficiais para cessar o comportamento.
Medidas contra comportamentos indesejados
As novas regras abrangem oito categorias específicas de violações. Incluem grafite, ruído excessivo à noite, fogos de artifício e fumar enquanto se caminha.
O objetivo declarado é preservar o ambiente tranquilo e o conforto tanto de residentes quanto de visitantes. A vila busca equilibrar o crescimento econômico impulsionado pelo turismo com a manutenção da qualidade de vida local.
Visão do prefeito sobre o turismo
Toshiro Maruyama reconhece os benefícios econômicos trazidos pelos turistas. Ele destaca que o influxo apoia negócios e empregos na região.
Ao mesmo tempo, o prefeito aponta a necessidade de medidas para lidar com os impactos negativos. Ele menciona que o governo nacional oferece pouco suporte a áreas sobrecarregadas como Hakuba.

Posição do setor hoteleiro e de restaurantes
Marcus Bauder, CEO do Hakuba Hospitality Group, que gerencia hotéis, restaurantes e aluguéis de temporada, considera que os problemas são exagerados. Ele compara a agitação noturna de Hakuba com o que ocorre em outros destinos turísticos globais.
Bauder argumenta que não se trata de excesso de turismo generalizado. A vila fica lotada apenas em períodos de pico, como Natal e Ano Novo, e esforços visam atrair visitantes em outras épocas do ano.
Impactos nos preços e na infraestrutura
Os preços de imóveis subiram significativamente desde a pandemia, com alguns terrenos valorizando até 130%. Restaurantes adotaram o hábito ocidental de jantar fora, elevando a demanda e os custos.
Uma tigela de ramen a 1.300 ienes parece acessível para turistas devido à desvalorização do iene, mas representa valor alto para moradores. Supermercados e ônibus públicos registram maior lotação e barulho durante a temporada de inverno.
Contexto histórico e recuperação pós-bolha
Hakuba sediou eventos dos Jogos Olímpicos de Inverno de Nagano em 1998, o que impulsionou construções e a conexão via trem-bala, reduzindo o tempo de Tóquio para cerca de 90 minutos. Após o estouro da bolha econômica na década de 1990, preços despencaram e muitas acomodações enfrentaram dificuldades financeiras.
Atualmente, o setor beneficia-se da valorização imobiliária. Compras recentes incluem hotéis e condomínios por valores muito superiores aos pré-pandemia, com participação tanto de investidores estrangeiros quanto japoneses.
Diferenças em relação a outros destinos
Hakuba mantém características japonesas tradicionais enquanto oferece atmosfera mais ocidentalizada, especialmente em Happo-one, sede de competições olímpicas. Turistas destacam a vida noturna intensa, diferente de resorts mais tranquilos.
As filas para teleféricos são raras e as pistas frequentemente vazias em comparação com estações europeias ou norte-americanas. No entanto, o aumento contínuo de visitantes internacionais indica que a vila ficará mais cheia nos próximos anos.
Desafios nacionais com o turismo
O Japão recebeu 42,6 milhões de turistas estrangeiros no ano passado, com gastos de 9,5 trilhões de ienes. O governo estabeleceu meta de 60 milhões até 2030.
Outras localidades enfrentam questões semelhantes. Medidas como impostos sobre hospedagem são discutidas em Hakuba para financiar serviços públicos sobrecarregados, como manutenção de estradas e transporte.
Equilíbrio entre economia e preservação
Maruyama defende a dispersão de turistas para regiões menos visitadas. Especialistas em turismo reforçam a importância de promover destinos alternativos para aliviar a pressão sobre os mais populares.
A vila não possui mecanismos de controle de entrada. As ações focam em regras de conduta para garantir convivência harmoniosa.







