Cuca organiza defesa do Santos com estreia de Lucas Veríssimo em empate contra o CruzeiroPor Thiago Lemos
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O técnico Cuca iniciou sua nova trajetória no comando do Santos com uma estratégia pautada na segurança defensiva e no pragmatismo tático durante o duelo contra o Cruzeiro, válido pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro de 2026. A partida, realizada no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, terminou em um empate sem gols que refletiu a postura cautelosa adotada pelo treinador santista para estancar a vulnerabilidade do sistema recuado.
A grande novidade da noite foi a reestreia de Lucas Veríssimo, que retornou ao clube assumindo imediatamente a braçadeira de capitão e a função de organizador da linha de defesa. O zagueiro demonstrou solidez nos duelos individuais e eficiência no jogo aéreo, tornando-se o principal pilar de sustentação para que o Peixe suportasse a pressão exercida pelos donos da casa ao longo dos 90 minutos de jogo.
Para garantir o resultado fora de casa, a comissão técnica implementou as seguintes mudanças estruturais na equipe:
- Recuo das linhas de marcação para reduzir o espaço de transição do adversário.
- Fortalecimento do meio-campo com o volante Gabriel Menino atuando de forma mais aberta.
- Compactação entre os setores para priorizar a manutenção da meta zerada.
- Utilização de Rony como peça solitária de velocidade para puxar contra-ataques pontuais.
Estratégia defensiva prioriza proteção da meta santista
Cuca optou por uma formação que privilegia o preenchimento de espaços no setor intermediário, visando anular as principais peças de criação do Cruzeiro. O posicionamento de Gabriel Menino pela ala direita foi uma resposta direta à necessidade de conter as subidas ofensivas do adversário, criando uma dobra de marcação que dificultou as infiltrações na área santista.
O desempenho coletivo na fase defensiva foi satisfatório para os planos da nova comissão técnica, embora tenha sacrificado o ímpeto ofensivo da equipe. A coordenação imposta por Lucas Veríssimo permitiu que o Santos mantivesse a organização mesmo nos momentos de maior volume de jogo do rival, estabelecendo uma base sólida para o desenvolvimento dos trabalhos futuros no CT Rei Pelé.
Atuação de Lucas Veríssimo traz confiança ao elenco
O retorno do xerife à zaga santista foi o ponto alto do confronto em termos de desempenho individual e liderança em campo. Veríssimo não apenas venceu a maioria das disputas pelo alto, como também orientou constantemente o posicionamento de seus companheiros, corrigindo falhas de cobertura que eram frequentes em partidas anteriores da competição nacional.
A presença do defensor trouxe uma nova dinâmica para o setor, que vinha sofrendo com a instabilidade de outras opções do elenco. Com uma atuação segura e sem sustos, o capitão justificou a confiança de Cuca e se colocou como peça inamovível no esquema que começa a ser desenhado para o restante da temporada de 2026.
Disputa por vaga na zaga ganha novos contornos
Enquanto Lucas Veríssimo se consolidou rapidamente, o desempenho de Luan Peres gerou questionamentos devido a algumas hesitações em lances considerados simples durante o primeiro tempo. Essa instabilidade abre espaço para que outros nomes do grupo busquem uma oportunidade entre os titulares nos próximos treinamentos, visando o equilíbrio ideal ao lado do novo capitão.
Os defensores Adonís Frías e Zé Ivaldo aparecem como os candidatos mais imediatos a pleitear a posição de segundo zagueiro nas próximas rodadas. A competitividade interna é vista de forma positiva pela diretoria, que entende a necessidade de um elenco robusto para suportar o calendário intenso do futebol brasileiro e as exigências físicas do modelo de jogo de Cuca.
Meio-campo técnico busca compactação e combate
O setor de criação foi sacrificado em prol de uma maior combatividade, com Christian Oliva e Barreal focados em fechar as linhas de passe no círculo central. Essa escolha tática resultou em um jogo de muita briga física e pouca plasticidade, onde o Santos abriu mão da posse de bola para atuar de forma reativa, explorando as falhas de posicionamento do Cruzeiro.
A disposição tática exigiu um esforço físico considerável dos atletas de meio-campo, que precisaram cobrir grandes áreas do gramado para manter a estrutura defensiva intacta. Mesmo com o domínio territorial do oponente, o Peixe conseguiu neutralizar as investidas mais perigosas, garantindo que o goleiro tivesse uma noite de intervenções pontuais e seguras sob as traves.
Ataque isolado sofre com falta de transição
Rony e Moisés tiveram dificuldades para dar continuidade às jogadas ofensivas, uma vez que o time se encontrava muito retraído em seu próprio campo de defesa. A estratégia de lançamentos longos e disputas de segunda bola foi a tônica do ataque santista, que raramente conseguiu articular tramas coletivas que envolvessem a marcação cruzeirense de forma eficiente.
- Falta de aproximação entre os homens de frente e o meio-campo.
- Dependência excessiva de jogadas individuais em velocidade.
- Dificuldade na retenção da bola no campo de ataque para aliviar a defesa.
- Baixo aproveitamento em cruzamentos e jogadas de bola parada ofensiva.
Gol anulado pelo var gera polêmica no mineirão
Próximo ao encerramento da partida, o Santos teve a chance de sair com a vitória em um lance isolado de Barreal, que finalizou com precisão após vencer a marcação. No entanto, após uma revisão minuciosa da arbitragem de vídeo, o gol foi anulado por um impedimento milimétrico, o que provocou protestos imediatos dos jogadores e da comissão técnica no banco de reservas.
A decisão foi duramente criticada por lideranças do elenco santista, que questionaram os critérios utilizados na traçagem das linhas tecnológicas. Apesar da frustração com o lance invalidado, o episódio mostrou que a equipe, mesmo priorizando a defesa, manteve a concentração necessária para aproveitar as poucas brechas cedidas pelo adversário em transições rápidas.
Intervalo no calendário permite ajustes técnicos profundos
O elenco santista terá um período de dez dias sem jogos oficiais, voltando a campo apenas no dia 2 de abril para o próximo compromisso pelo Brasileirão. Esse intervalo é considerado fundamental por Cuca para implementar suas ideias táticas com mais calma e realizar treinamentos específicos que visem melhorar a criatividade do time sem perder a consistência defensiva apresentada.
Durante esse tempo, a comissão técnica focará em exercícios de saída de bola e movimentação ofensiva, buscando soluções para que o time não dependa apenas de lampejos individuais. A meta é transformar a solidez mostrada contra o Cruzeiro em uma plataforma para um futebol mais propositivo, condizente com as tradições ofensivas que historicamente marcam o clube da Vila Belmiro.
Retorno de Neymar e Gabigol reforça o sistema ofensivo
Para os próximos desafios, o Santos contará com os retornos de Neymar, preservado para controle de carga física, e Gabigol, que não pôde atuar contra o Cruzeiro por questões contratuais relacionadas ao seu empréstimo. A volta da dupla de ataque eleva significativamente o patamar técnico da equipe e oferece a Cuca as peças necessárias para aumentar o poder de fogo do setor.
Neymar deve assumir a função de organizador central, sendo o elo que faltou no Mineirão para ligar a defesa ao ataque com qualidade. Já Gabigol retoma seu posto como referência na área, trazendo sua capacidade de finalização e presença de espírito em jogos decisivos, o que deve mudar drasticamente a postura do Peixe nas próximas rodadas do certame nacional.
Desafio de Cuca é superar legado de vojvoda
O novo treinador carrega a missão de encontrar um equilíbrio que seu antecessor, Juan Pablo Vojvoda, não conseguiu estabelecer de forma duradoura. Enquanto o argentino buscava um jogo mais plástico, muitas vezes acabava expondo a defesa a riscos desnecessários, resultando em perdas de pontos importantes que deixaram a equipe em uma situação intermediária na tabela de classificação.
Cuca deixou claro em sua coletiva que a prioridade inicial é a estabilidade, construindo o time de trás para frente para ganhar a confiança do grupo de jogadores. A expectativa da diretoria é que, com a base defensiva solidificada por Lucas Veríssimo, o Santos possa evoluir gradualmente para um modelo de jogo que seja ao mesmo tempo seguro e agressivo diante de seus torcedores.
O empate em Belo Horizonte, embora pouco vistoso para o público geral, foi encarado internamente como um primeiro passo importante na reconstrução da identidade competitiva do time. Com a integração total dos reforços e o tempo para treinar, o Alvinegro Praiano busca agora subir posições na tabela e brigar na parte de cima do Campeonato Brasileiro, aproveitando o novo fôlego trazido pela mudança no comando técnico e o retorno de seus principais astros ao gramado.







