Hakuba implementa multas de até 50 mil ienes para conter comportamentos disruptivos de turistasPor Jeronimo Santos
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A vila de Hakuba, nos Alpes Japoneses, na província de Nagano, prepara-se para aplicar multas a partir de julho de 2026 contra comportamentos considerados inadequados por turistas. O prefeito Toshiro Maruyama aprovou a medida após queixas crescentes de moradores e comerciantes locais sobre barulho noturno, consumo de álcool em vias públicas e outros atos perturbadores. A iniciativa atualiza uma ordenança de 2015 que proibia tais práticas, mas sem penalidades financeiras, o que limitava sua efetividade.
As novas regras visam equilibrar o crescimento do turismo com a preservação da tranquilidade local. Multas de até 50.000 ienes podem ser aplicadas se o infrator não cessar a conduta após advertência oficial. Entre as infrações listadas estão gritar ou usar equipamentos de som após as 22h, lançar fogos de artifício à noite, pichar ou colar adesivos em propriedades, fumar enquanto caminha e beber álcool em espaços públicos.
Medidas contra perturbações noturnas
A vida noturna em áreas como Echoland e Happo-one concentra muitas reclamações. Turistas frequentam bares e pubs, onde o consumo de bebidas leva a comportamentos barulhentos. Moradores relatam dificuldades para descansar devido ao ruído após o horário comercial.
Comerciantes locais pressionaram pela adoção de punições mais rigorosas. Eles argumentam que a ausência de consequências permitia a repetição de incidentes. A atualização da lei responde diretamente a essas demandas.
Debate sobre necessidade das multas
Nem todos os envolvidos no setor turístico concordam com a severidade da medida. Representantes de empresas de hospedagem e restaurantes consideram que os problemas são exagerados e comuns em destinos de esqui internacionais. Eles defendem que a vila continua atraente sem precisar de restrições excessivas.

Um executivo do setor destacou que áreas barulhentas à noite fazem parte da experiência em muitos resorts globais. Ele alerta que mensagens negativas sobre excesso de turismo poderiam prejudicar a imagem do destino.
Crescimento do número de visitantes
Hakuba recebeu cerca de 2,9 milhões de visitantes em 2025, número bem superior aos registrados nos anos pós-pandemia. No inverno de 2024-2025, as estações de esqui atraíram números recordes, com aumento significativo de turistas internacionais.
O pico histórico ocorreu em 1992, com 2,785 milhões de visitantes, quase todos japoneses. Atualmente, a proporção de estrangeiros é muito maior, o que altera a dinâmica local. Os visitantes buscam a neve em pó famosa e a atmosfera vibrante das dez estações de esqui.
Impactos econômicos e desafios locais
O turismo impulsiona a economia da vila, gerando receitas para hotéis, restaurantes e serviços. Preços de imóveis subiram expressivamente desde a pandemia, beneficiando proprietários que investiram no setor.
Moradores enfrentam lotação em supermercados, ônibus públicos e vias durante a alta temporada. Uma tigela de ramen que custa 1.300 ienes parece acessível para estrangeiros, mas representa aumento significativo para residentes. O prefeito planeja introduzir imposto sobre hospedagem para custear manutenção de infraestrutura sobrecarregada.
Perspectivas para o equilíbrio turístico
Hakuba mantém características japonesas tradicionais ao mesmo tempo em que oferece ambiente ocidentalizado, especialmente em Happo-one, sede de eventos dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1998. Turistas de Austrália, Europa e Américas destacam a vida noturna como diferencial em comparação a resorts mais isolados.
O prefeito reconhece os benefícios econômicos trazidos pelos visitantes, mas cobra mais apoio governamental para mitigar efeitos negativos. Especialistas sugerem distribuir fluxos turísticos para outras regiões do Japão, reduzindo pressão sobre destinos populares.
Aumento de preços e mudanças no perfil
A adoção de hábitos ocidentais, como jantar fora, elevou a demanda por restaurantes e contribuiu para reajustes de preços. Propriedades que custavam valores baixos antes da pandemia agora são negociadas por centenas de milhões de ienes.
Compradores japoneses e estrangeiros participam ativamente do mercado imobiliário. A valorização beneficia o setor hoteleiro, que sofreu com dívidas após o boom olímpico de 1998 e a posterior queda nos preços.
Convivência entre residentes e visitantes
A vila de menos de 10 mil habitantes lida com influxo sazonal intenso. Filas formam-se em restaurantes populares antes da abertura, e après-ski anima as noites com música e bebidas.
Medidas como as multas buscam promover respeito mútuo. Autoridades enfatizam que o objetivo é garantir conforto para todos, sem restringir o turismo responsável.
A vila continua sem barreiras de entrada, mas reforça normas para preservar o ambiente e a qualidade de vida local.







