Homem de 82 anos que atuava como pastor é detido em Santa Catarina por estupro de vulnerável cometido 144 vezesPor Beatriz
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Um pastor de 82 anos foi preso nesta segunda-feira (23) em Indaial, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A prisão ocorreu após sentença condenatória definitiva pelo crime de estupro de vulnerável praticado de forma continuada. Os abusos foram cometidos entre 2009 e 2015 no município de Apiúna, quando a vítima tinha entre 8 e 15 anos. A investigação da Polícia Civil estima que os atos ocorreram 144 vezes ao longo de cerca de seis anos.
Na época dos fatos, o condenado tinha cerca de 70 anos e atuava como pastor de uma igreja. Ele mantinha relação de amizade com a família da vítima e se aproveitava da confiança para realizar visitas frequentes à residência. Os crimes aconteciam principalmente durante pernoites, quando o homem dormia no mesmo quarto ou na mesma cama da criança. A vítima pertencia a uma família em situação de vulnerabilidade social, o que facilitava o acesso do autor.
Detalhes da condenação e cumprimento da pena
A Delegacia de Polícia da Comarca de Ascurra cumpriu o mandado de prisão decorrente da sentença. O homem foi condenado a 15 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão em regime fechado. A condenação refere-se ao artigo 217-A do Código Penal, que trata do estupro de vulnerável em continuidade delitiva. A ação penal tramitou até o trânsito em julgado, permitindo a execução imediata da pena privativa de liberdade.
O idoso já possuía condenação anterior pelo mesmo tipo de crime. Em 2014, ele recebeu pena de oito anos de prisão em regime fechado por estupro de vulnerável registrado no município de Indaial. Essa condenação anterior reforça o histórico de práticas criminosas contra menores. A Polícia Civil atuou com base em elementos colhidos ao longo da investigação, incluindo o relato detalhado da vítima.
Contexto dos abusos e forma como ocorreram
Os abusos iniciaram quando a vítima contava com apenas 8 anos de idade. Eles se prolongaram até a vítima completar 15 anos, configurando uma sequência de atos libidinosos repetidos. O autor se valia da posição de autoridade religiosa e da proximidade com a família para manter o contato constante. As ocorrências concentravam-se em momentos de pernoite na casa da criança, onde o condenado dormia no mesmo ambiente.
A Polícia Civil destacou que o número estimado de 144 atos resulta da análise do período de seis anos e do relato consistente da vítima. Os fatos foram apurados pela delegacia responsável pela comarca, que reuniu provas suficientes para sustentar a denúncia e a posterior condenação. O processo tramitou com observância das garantias legais, culminando na sentença definitiva que agora é executada.
Características do crime de estupro de vulnerável
O crime de estupro de vulnerável atinge menores de 14 anos ou pessoas que não possuem capacidade de oferecer resistência. A lei estabelece pena de reclusão de 8 a 15 anos, com agravantes possíveis em casos de lesão grave ou resultado morte. No presente caso, a continuidade delitiva elevou a reprimenda aplicada pelo Judiciário. A investigação partiu do relato da vítima, complementado por outros elementos probatórios colhidos ao longo dos anos.
A ausência de testemunhas presenciais é comum nesse tipo de delito, mas o depoimento da vítima serve como peça inicial relevante. A Polícia Civil dispõe de meios técnicos e periciais para corroborar os relatos e formar o conjunto probatório. No Brasil, a legislação protege a vulnerabilidade presumida de crianças e adolescentes, independentemente de eventual consentimento alegado.
Medidas de prevenção e orientação a famílias
Pais e responsáveis devem observar mudanças no comportamento das crianças e orientá-las a relatar qualquer toque inadequado a um adulto de confiança. A conscientização sobre os sinais de abuso sexual infantil contribui para identificação precoce de casos. Órgãos de proteção como conselhos tutelares e delegacias especializadas recebem denúncias de forma sigilosa e dão andamento às investigações necessárias.
A sociedade conta com canais oficiais para registro de ocorrências envolvendo violência contra menores. A prevenção passa pela educação familiar e pela atenção ao convívio de crianças com adultos em posições de autoridade. Casos como esse reforçam a importância de não naturalizar relações de confiança sem supervisão adequada em ambientes domésticos.
Histórico da investigação em Santa Catarina
A apuração dos fatos ocorreu ao longo de anos até o julgamento definitivo. A Delegacia de Ascurra coordenou a execução do mandado de prisão na manhã de segunda-feira (23). O preso foi encaminhado ao sistema prisional para cumprimento da pena em regime fechado. A Polícia Civil mantém o sigilo sobre detalhes que possam identificar a vítima, preservando sua integridade e privacidade.
Investigações de crimes sexuais contra vulneráveis exigem sensibilidade e técnica especializada. Em Santa Catarina, as delegacias regionais atuam em conjunto com o Ministério Público e o Poder Judiciário para garantir o andamento célere dos processos. O caso de Apiúna seguiu esse fluxo regular até a condenação transitada em julgado.







