O custo da gasolina e do diesel continuou a aumentar em diversos mercados enquanto motoristas aguardam para ver se o cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos e Irã resultará em preços mais baixos nos postos. Os preços do petróleo caíram inicialmente após o acordo de pausa nos conflitos, mas registraram alta nesta quinta-feira devido a dúvidas sobre a manutenção do entendimento. O barril de Brent chegou a se aproximar de 99 dólares antes de recuar ligeiramente, permanecendo bem acima dos níveis anteriores ao início dos confrontos.
Motoristas em vários países enfrentam contas mais altas para encher o tanque, com o petróleo bruto influenciando diretamente o valor final dos combustíveis. Grupos de defesa dos consumidores indicam que uma queda significativa só deve ocorrer nas próximas semanas, caso o cessar-fogo se mantenha de forma estável.
- Preços médios de gasolina subiram cerca de 19% desde o começo do conflito.
- Diesel registrou aumento ainda maior, próximo a 34% em alguns mercados.
- Tanque cheio de gasolina custa agora mais de 13 dólares adicionais em comparação com fevereiro.
Dúvidas sobre duração do acordo elevam tensão nos mercados de energia
As incertezas surgiram após ataques israelenses no Líbano, o que levou o Irã a alertar para uma possível resposta. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças americanas permanecerão na região até que o Irã cumpra integralmente os termos do cessar-fogo real. Uma das condições centrais do acordo previa passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz, rota essencial para o suprimento global de petróleo e gás.
Relatos indicam que o Irã mantém restrições ao tráfego marítimo devido aos ataques israelenses, renovando temores de interrupções prolongadas no fornecimento de energia. O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, declarou que o país garantirá segurança na passagem, mas apenas após o fim de ações consideradas agressões. Há divergências sobre se os confrontos no Líbano estão incluídos no cessar-fogo.
O tráfego de navios pelo estreito permanece em níveis muito baixos desde o anúncio do acordo. Análises mostram que apenas um pequeno número de embarcações cruzou a rota nos últimos dias, contra uma média diária anterior de cerca de 130 navios. Empresas de rastreamento marítimo estimam que serão necessários pelo menos dez dias para limpar o backlog existente, mesmo se o volume normal for retomado.
Reações mistas em bolsas refletem nervosismo global
Mercados acionários reverteram parte dos ganhos obtidos na véspera, mas recuperaram terreno ao final do pregão em algumas praças. O índice Nikkei 225 do Japão fechou em queda de 0,7%, enquanto o FTSE 100 do Reino Unido recuou 0,05%. Na Europa, o Dax alemão caiu 1,14% e o Cac francês registrou baixa de 0,22%.
Nos Estados Unidos, os três principais índices encerraram o dia em alta após recuperação de quedas iniciais. O Dow Jones e o S&P 500 subiram 0,6%, e o Nasdaq avançou 0,8%. Analistas apontam que o movimento reflete incerteza sobre a abertura efetiva do Estreito de Ormuz e possíveis impactos no fluxo de energia.
A analista Victoria Scholar, da Interactive Investor, comentou que há um pouco de nervosismo nos mercados globais, com devolução de ganhos anteriores. Ela destacou que isso espelha dúvidas sobre o funcionamento real da rota marítima chave.
Preços no varejo sobem apesar de flutuações no atacado
De acordo com dados de grupos automotivos britânicos, o preço médio da gasolina atingiu 158,03 pence por litro nesta quinta-feira, enquanto o diesel chegou a 191,11 pence, ambos ligeiramente acima do dia anterior. Um tanque cheio de gasolina custa agora 13,86 libras a mais do que no início do conflito, totalizando 86,92 libras. Para o diesel, o aumento é de 26,80 libras, chegando a 105,11 libras.
Especialistas do RAC afirmam que motoristas não devem esperar uma grande redução nos preços nos postos em breve. Já o grupo AA indica que os custos no atacado estão agora mais baixos do que no começo da semana. O porta-voz Luke Bosdet explicou que, com base na regra de 10 a 14 dias de defasagem entre variações no atacado e no varejo, os preços nos postos devem se estabilizar no próximo fim de semana e depois cair, desde que o cessar-fogo se mantenha.
Impacto no transporte marítimo e perspectivas para o setor
Empresas de navegação relatam dificuldades para planejar operações devido às notícias diárias variáveis. Nils Haupt, da Hapag-Lloyd, que ainda tem navios no Golfo Pérsico, disse que é muito complicado prever os próximos passos. Ele alertou que eventuais taxas para passagem pelo Estreito de Ormuz poderiam elevar significativamente os custos, comparando com rotas como o Canal do Panamá ou de Suez.
Alguns países, como Malásia, Índia e Filipinas, negociaram passagem segura para suas embarcações nas últimas semanas. No entanto, o volume geral permanece muito abaixo do normal. Firmas de inteligência marítima como Windward observam que o risco e o número de transitos não mudaram de forma significativa desde o anúncio do cessar-fogo.
Mesmo no melhor cenário, serão necessárias semanas para mover cargas de gás e petróleo retidas, e meses para que o comércio global se aproxime dos níveis anteriores à crise. O vice-presidente americano JD Vance deve participar de negociações com o Irã no Paquistão neste sábado, o que pode trazer mais clareza sobre o futuro do acordo.
Condições para estabilização dos preços de combustíveis
O petróleo bruto serve como ingrediente principal na produção de gasolina e diesel, exercendo influência direta sobre o custo de abastecimento de veículos. Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, os preços no atacado do petróleo subiram cerca de 35%. Especialistas reforçam que qualquer alívio sustentado depende da retomada plena e segura do fluxo pelo Estreito de Ormuz.
Grupos de motoristas monitoram de perto os desdobramentos, pois interrupções prolongadas podem manter os preços elevados por mais tempo. A combinação de fatores geopolíticos e logísticos continua a ditar o ritmo das variações observadas nos mercados de energia.
Movimentação limitada de navios reforça cautela
Até o meio da tarde de 9 de abril, análises indicavam que apenas 11 navios haviam sido rastreados cruzando o estreito desde o cessar-fogo. É possível que outras embarcações tenham feito a travessia sem transmitir sua localização. A Marinha iraniana emitiu alertas de que qualquer navio tentando cruzar sem permissão poderá ser alvo.
O chefe de petróleo de Abu Dhabi afirmou que o estreito não está aberto, apesar do acordo. Essas declarações contribuem para a manutenção de pressão sobre os preços internacionais do petróleo.
O acordo de cessar-fogo de duas semanas visa permitir negociações mais amplas, incluindo a retomada segura do transporte marítimo. No entanto, as tensões persistentes com o Líbano e as posições divergentes entre as partes envolvidas mantêm o cenário volátil para os mercados de energia.

