La Niña chega ao fim e Pacífico entra em neutralidade com El Niño possível ainda em 2026Por Carolina Costa
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A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos declarou o fim de La Niña. O oceano Pacífico Equatorial agora se encontra em fase de neutralidade. As temperaturas da superfície do mar na região central e leste estão próximas da média histórica. Especialistas acompanham os próximos meses porque há chance de transição para El Niño.
A decisão foi divulgada nesta semana pelo Centro de Previsão Climática ligado à NOAA. O fenômeno La Niña envolvia resfriamento igual ou superior a 0,5 grau Celsius nas águas equatoriais do Pacífico. Essa condição ocorria a cada três a cinco anos e já perdeu força desde o início de 2026. As águas frias típicas enfraqueceram gradualmente.
Transição climática no Pacífico

As temperaturas da superfície do mar mostram padrão misto nas últimas semanas. Áreas próximas ou abaixo da média aparecem no centro do Pacífico. Temperaturas acima da média surgem no extremo leste, perto da costa da América do Sul, e avançam em direção à região central. Esse comportamento marca o período intermediário entre os fenômenos.
Sinais abaixo da superfície já indicam aquecimento. Anomalias de vento oeste foram observadas no Pacífico oeste equatorial. A combinação de fatores oceânicos e atmosféricos sustenta a fase neutra atual. Modelos de previsão acompanham o desenvolvimento desses indicadores.
- Temperaturas da superfície próximas da média na porção central e leste do Pacífico
- Anomalias subsurface em aquecimento progressivo
- Ventos oeste anômalos no oeste do Pacífico equatorial
- Convecção próxima da média na Linha Internacional de Data
Previsão de neutralidade nos próximos meses
A neutralidade deve persistir entre abril e junho de 2026 com cerca de 80% de probabilidade. O período de maio a julho ainda favorece a manutenção da fase neutra em torno de 55%. As projeções indicam que o sistema climático global não tem padrões organizados suficientes para caracterizar El Niño ou La Niña nesse intervalo inicial.
O aquecimento subsurface continua a se expandir. Isso costuma anteceder episódios de El Niño quando combinado com outros fatores atmosféricos. Meteorologistas destacam que ainda é cedo para definir a intensidade de qualquer transição futura. Variações entre neutro, moderado, forte ou muito forte aparecem nas simulações.
Chance de El Niño no segundo semestre
A probabilidade de El Niño surgir entre maio e julho chega a cerca de 60%. Entre junho e agosto a chance sobe para 61% a 62% segundo diferentes atualizações. O fenômeno, se confirmado, pode se estender até o final de 2026. A intensidade permanece incerta, com cerca de 25% de chance para cada categoria moderada, forte ou muito forte entre o fim de 2026 e início de 2027.
Modelos como o North American Multi-Model Ensemble apontam para a transição após o período neutro. O aquecimento das águas e os ventos anômalos contribuem para esse cenário. Especialistas observam que o cenário de super El Niño ainda exige mais confirmação nos próximos meses.
Possíveis efeitos no Brasil
Histórico mostra que El Niño altera padrões de chuva e temperatura no país. A região Sul tende a registrar aumento de precipitação com risco maior de eventos extremos. O Norte e partes do Nordeste podem enfrentar redução de chuvas. O Sudeste e Centro-Oeste apresentam maior irregularidade nas precipitações.
Períodos prolongados de calor ganham força especialmente na primavera e no verão. Ondas de calor se tornam mais frequentes em várias regiões. O fenômeno também influencia a frequência de tempestades em algumas áreas. Especialistas lembram que o aquecimento global continua como fator principal nas mudanças climáticas observadas.
O oceano já registra temperaturas mais quentes que a média histórica em várias partes do planeta. Essa condição amplifica os efeitos dos fenômenos como El Niño ou La Niña. Monitoramento contínuo dos indicadores oceânicos e atmosféricos permanece essencial para ajustes nas previsões.
O que define os fenômenos ENSO
La Niña ocorre com resfriamento significativo das águas equatoriais do Pacífico. El Niño envolve aquecimento igual ou superior a 0,5 grau Celsius na mesma região. A fase neutra representa condições próximas da média sem os padrões claros de resfriamento ou aquecimento. O ciclo completo do ENSO influencia padrões globais de temperatura e precipitação.
A NOAA emite alertas e watches com base em dados semanais e mensais. O índice Niño-3.4 serve como referência principal para classificação. Atualizações regulares ajustam as probabilidades conforme novos dados surgem. O acompanhamento inclui temperatura subsurface, ventos e convecção atmosférica.
- Resfriamento de 0,5°C ou mais define La Niña
- Aquecimento de 0,5°C ou mais define El Niño
- Condições próximas da média caracterizam neutralidade
- Transições ocorrem a cada poucos anos com intensidades variáveis
Monitoramento internacional e recomendações
Centros de previsão em diferentes países acompanham o mesmo conjunto de indicadores. A Organização Meteorológica Mundial e outros organismos contribuem com análises complementares. No Brasil, instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia e serviços privados atualizam projeções regionais com base nessas informações globais.
Agricultores, gestores de recursos hídricos e autoridades de defesa civil recebem orientações para se preparar para variações sazonais. Planos de contingência para seca ou excesso de chuva ajudam a reduzir impactos. O aquecimento global torna necessário acompanhar não apenas o ENSO mas também tendências de longo prazo.
A fase atual de neutralidade oferece janela para observação antes de qualquer transição. Dados das próximas semanas vão refinar as probabilidades de El Niño. Especialistas enfatizam que previsões climáticas sazonais apoiam planejamento sem eliminar incertezas naturais do sistema.







