Canadá registra alta de 50% em pedidos de cidadania por americanos após novas regrasPor Luís Henrique Costa
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O Canadá observou um aumento significativo nos pedidos de cidadania nos últimos meses, impulsionado majoritariamente por solicitações vindas dos Estados Unidos. Dados do Immigration, Refugees and Citizenship Canada (IRCC) revelam uma elevação de quase 50% nas aplicações de prova de cidadania em janeiro de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior. Essa alta coincide com a implementação e a clarificação de novas regras sob a Bill C-3, que expande a capacidade de pais transmitirem a cidadania canadense aos seus filhos.
As alterações na legislação, que entraram em vigor em dezembro do ano passado, visam corrigir decisões judiciais anteriores que consideraram inconstitucionais algumas limitações à cidadania por descendência. Os Estados Unidos, de forma notável, lideram o número de requerimentos, superando outras nações por uma margem expressiva. O movimento do governo canadense contraria a tendência global, onde muitos países têm apertado suas exigências para a obtenção de cidadania.
Americanos lideram alta nos pedidos de cidadania
O mês de janeiro de 2026 registrou 8.900 aplicações para prova de cidadania recebidas pelo governo canadense. Este número representa um crescimento notável em relação às 5.940 aplicações registradas em janeiro do ano anterior, indicando um interesse crescente pela cidadania canadense. Deste total, 2.470 aplicações, quase 28%, foram originadas dos Estados Unidos. Esse volume coloca os norte-americanos na vanguarda, evidenciando uma busca intensa pela documentação canadense.
Em comparação, o segundo maior grupo de aplicações veio do Reino Unido, com 290 pedidos, seguido pelo México, com 235. Nenhum outro país ultrapassou a marca de 140 aplicações no período analisado. Muitos países registraram 30 aplicações ou menos. Entre 15 de dezembro do ano passado, quando as novas regras foram inicialmente aplicadas, e 31 de janeiro de 2026, o IRCC processou um total de 12.430 pedidos de prova de cidadania. O departamento esclarece que esses números não se limitam apenas à cidadania por descendência, mas incluem outras categorias, como indivíduos nascidos no Canadá solicitando um certificado ou requerendo a substituição de um documento. Aproximadamente 2.500 americanos tiveram seus pedidos de cidadania canadense aprovados somente em janeiro.
Mudanças legais impulsionam novas regras de descendência
A revisão das leis de cidadania canadense foi impulsionada por uma decisão judicial significativa. Em 19 de dezembro de 2023, o Tribunal Superior de Justiça de Ontário declarou inconstitucionais partes cruciais da Lei de Cidadania relacionadas ao limite de primeira geração para a cidadania por descendência. Este limite, introduzido em 2009, impedia que uma criança nascida ou adotada fora do Canadá obtivesse automaticamente a cidadania se seu pai canadense também tivesse nascido ou sido adotado fora do país.
O governo federal optou por não recorrer da decisão, concordando que a legislação anterior gerava resultados inaceitáveis para os filhos de cidadãos canadenses nascidos no exterior. A Bill C-3, ao expandir as regras, visa corrigir essas injustiças e garantir que a cidadania possa ser transmitida de forma mais ampla entre gerações. A medida representa um reconhecimento das complexidades familiares e dos direitos de cidadania, alinhando a legislação com os princípios constitucionais. As novas disposições procuram oferecer maior clareza e acesso à cidadania para descendentes de canadenses.
Entenda as condições para a cidadania por descendência
As novas regras canadenses estabelecem critérios específicos para a concessão da cidadania por descendência, abrangendo diversas situações de nascimento e adoção fora do país. É fundamental compreender esses requisitos para determinar a elegibilidade. As diretrizes visam simplificar o processo para aqueles que antes enfrentavam impedimentos devido à legislação anterior.
- Pessoas nascidas após 15 de dezembro de 2025, fora do Canadá, na segunda geração ou posterior, podem ser cidadãos se seu pai canadense também nasceu ou foi adotado fora do país de um cidadão canadense (ou seja, o avô do solicitante era canadense) e esse mesmo pai residiu pelo menos 1.095 dias (três anos) no Canadá antes do nascimento.
- Pessoas adotadas podem solicitar a cidadania canadense se nasceram e foram adotadas fora do Canadá na segunda geração ou posterior, e seu pai canadense residiu pelo menos 1.095 dias no Canadá antes da adoção.
- A cidadania pode ter sido restaurada ou concedida a pessoas que nasceram fora do Canadá na segunda geração ou posterior antes de 15 de dezembro de 2025. Isso significa que, na maioria dos casos, a pessoa é automaticamente um cidadão canadense se nasceu antes de 15 de dezembro de 2025, fora do Canadá, de um pai canadense.
- Esta regra também se aplica a quem nasceu de alguém que se tornou canadense devido a estas mudanças nas regras. Caso a alteração torne alguém canadense automaticamente, mas a pessoa não deseje a cidadania, é possível solicitar a renúncia.
Tendência canadense vai contra movimento global
A decisão do Canadá de flexibilizar suas regras de cidadania contrasta com um padrão global observado em muitos outros países, que têm implementado exigências mais rigorosas. Essa postura distinta do governo canadense reflete uma abordagem particular sobre imigração e direitos de cidadania. Enquanto nações como Itália, Finlândia e Suécia buscam endurecer suas leis, o Canadá expande as possibilidades para descendentes.
No ano passado, a Itália aprovou uma lei que restringe a cidadania aos descendentes de um pai ou avô nascido em solo italiano. A regra anterior não possuía limite geracional, o que possibilitava um acesso mais amplo. Já a Finlândia, em 2024, aumentou o tempo de residência exigido antes de solicitar a cidadania, passando de cinco para oito anos. A mudança visa promover a integração dos imigrantes, focando em habilidades linguísticas e residência de longo prazo. A Suécia também está considerando um movimento semelhante para entrar em vigor neste ano, seguindo a tendência de muitos países europeus que buscam maior controle sobre os processos de naturalização.







