O presidente Donald Trump gravou uma leitura de passagem da Bíblia no Salão Oval. A participação ocorre nesta terça-feira à noite no evento America Reads the Bible. O material será transmitido como parte da maratona que percorre os 66 livros da versão protestante.
O evento acontece no Museum of the Bible, em Washington, e em outros locais. Ele é organizado pelo grupo Christians Engaged e busca destacar o papel da Bíblia na identidade nacional. Participantes leem trechos em voz alta, com transmissão ao vivo ao longo da semana.
Trump lê versículo de 2 Crônicas
O presidente deve ler o capítulo 7 do livro de 2 Crônicas. A passagem descreve a dedicação do templo por Salomão em Jerusalém. Nela, Deus promete ouvir o povo que se humilha, ora, busca sua face e se afasta de caminhos errados. Então perdoa o pecado e cura a terra.
A escolha do texto não é nova em contextos de oração nacional. Ele aparece em eventos como o Dia Nacional de Oração há décadas. Trump gravou o segmento em vídeo. A exibição está prevista para o horário das 18h no fuso de Washington.
Bunni Pounds, fundadora do Christians Engaged, comentou a seleção. O grupo convidou Trump especificamente para esse trecho. Ela destacou que a leitura reforça uma mensagem de fé e ação coletiva.
Lista de participantes inclui nomes de peso
- Secretário de Defesa Pete Hegseth
- Secretário de Estado Marco Rubio
- Presidente da Câmara Mike Johnson
- Evangelista Franklin Graham
- Pastora Paula White-Cain
Outros deputados republicanos e líderes evangélicos também participam. O evento reúne cerca de 500 leitores no total. Convites foram enviados a democratas e líderes de denominações progressistas, mas poucos aceitaram. Alguma representação católica está presente, inclusive do presidente da CatholicVote.
Evento marca semana de atividades religiosas
A maratona bíblica faz parte de iniciativas ligadas ao America 250, que celebra os 250 anos da independência dos Estados Unidos. Uma declaração de Trump citou o líder puritano John Winthrop e a ideia de o país servir como farol de fé. O texto afirma que a Bíblia está entrelaçada na história e no modo de vida americano.
A programação inclui leitura contínua de Gênesis a Apocalipse. Trechos famosos como “Deixem meu povo ir” ou “O Senhor é meu pastor” aparecem ao lado de passagens menos conhecidas sobre batalhas ou visões apocalípticas. O foco abrange desde a criação até a ressurreição de Jesus.
Críticas apontam caráter partidário
Alguns observadores questionaram a composição da lista de participantes, majoritariamente republicanos e apoiadores cristãos de Trump. Brian Kaylor, autor de livro sobre nacionalismo cristão, classificou o esforço como alinhado à ala direita. Ele disse que faltou diversidade política e ideológica para um projeto unificador.
O historiador Jemar Tisby publicou crítica nas redes. Ele alertou contra o uso de citações bíblicas ao lado de justificativas para violência ou exclusão. Outros lembraram que o evento ocorre dias após Trump circular imagem gerada por IA que gerou desconforto entre parte dos evangélicos e após tensão com o papa Leo XIV sobre o conflito no Irã.
Organizador defende leitura e obras
Bunni Pounds afirmou que ler a Bíblia sozinha não basta. “A fé sem obras é morta”, disse ela. O grupo incentiva os americanos a orar, votar e se engajar com base em visão bíblica. O evento também se conecta a uma jornada nacional de oração marcada para maio no National Mall.
A transmissão ocorre pelo Pure Flix e outros canais. O público pode acompanhar a sequência de leitores em tempo real. Cada um contribui com um trecho, mantendo o fluxo da narrativa completa do texto sagrado.
A iniciativa reflete o papel histórico da Bíblia em discursos públicos americanos ao longo dos séculos. Leitores incluem desde versos conhecidos até partes mais densas sobre leis, profecias e cartas do Novo Testamento. A organização evita adicionar interpretações pessoais durante a leitura.

