Nutricionistas revelam alimentos que evitam no supermercado no dia a dia

Consumidor supermercado

Consumidor supermercado - Foto: dodotone/ Shutterstock.com

Sete nutricionistas indicaram itens que raramente colocam no carrinho de compras. A lista inclui carnes processadas, bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados. Os profissionais reforçam que não existem alimentos proibidos, mas priorizam escolhas que compõem um padrão alimentar equilibrado.

O contexto geral mostra equilíbrio como princípio. Restrições definitivas ocorrem apenas em casos de alergia ou intolerância confirmada por médico. Fora dessas situações, o foco está na consistência das escolhas diárias.

Carnes processadas saem do carrinho por risco à saúde

Carlos Eduardo Haluch, coordenador de pós-graduação da União de Ensino Superior do Iguaçu, evita linguiça, salsicha, presunto, bacon, hambúrguer industrializado e nuggets. Ele cita evidências que associam o consumo frequente desses produtos ao maior risco de câncer e doenças cardiovasculares.

O alto teor de sódio contribui para problemas no coração. Nitritos e nitratos usados como conservantes podem formar compostos potencialmente carcinogênicos no organismo. Isso acontece especialmente em altas temperaturas ou no ambiente ácido do estômago.

Haluch explica que a qualidade e a forma do alimento influenciam o funcionamento do corpo. O nutricionista prioriza fontes de proteína mais naturais, como frango, ovos ou carne fresca. Leguminosas também entram na lista de boas opções.

Bebidas açucaradas e sucos em pó ficam de fora da despensa

O mesmo profissional não inclui refrigerantes nem bebidas adoçadas com açúcar. Esses itens geram pouca saciedade e facilitam o consumo excessivo de calorias. A alta carga de açúcares de rápida absorção, em especial a frutose, favorece gordura no fígado, aumento de triglicérides e acúmulo de gordura visceral.

Com o tempo, o mecanismo contribui para resistência à insulina. O risco de diabetes tipo 2 e doença hepática gordurosa cresce. Carolina Pimentel, doutora em ciências pela USP e certificada em medicina do estilo de vida, também evita suco em pó. O produto passa a impressão de ser uma opção melhor que refrigerante, o que pode levar ao exagero.

Ela observa que o excesso de bebidas açucaradas relaciona-se ao ganho de peso. Maristela Strufaldi, da Sociedade Brasileira de Diabetes, e Renata Juliana da Silva, professora da Etec Uirapuru e pós-doutoranda na USP, seguem a mesma linha. Ambas deixam sucos ou refrescos artificiais em pó fora das compras.

  • Alto teor de açúcar ou adoçantes artificiais
  • Presença de corantes e aromatizantes
  • Baixa contribuição de nutrientes reais
  • Substituição por frutas inteiras ou sucos naturais

Iogurtes saborizados e temperos prontos perdem espaço

Carolina Pimentel ainda evita iogurte com sabor de frutas. Muitos aditivos, como flavorizantes, corantes, espessantes e conservantes, aparecem na composição. Algumas marcas também exageram no açúcar. A recomendação é optar pelo iogurte natural, que leva apenas leite e fermento lácteo, e misturar com frutas frescas em casa.

Maristela Strufaldi e Renata Juliana da Silva não compram temperos prontos em pó ou cubos. O principal motivo é o excesso de sódio e aditivos, como glutamato monossódico. Elas preferem temperos naturais, como alho, cebola, ervas frescas, páprica, cúrcuma e pimenta. Esses ingredientes dão sabor, fornecem substâncias benéficas e ajudam a educar o paladar.

Valéria Machado, colaboradora em pesquisas na Unifesp, reforça a atenção aos rótulos. Se açúcar, gordura ou sal aparecem entre os primeiros itens da lista de ingredientes, o produto fica de fora. As normas obrigam a ordem decrescente de quantidade.

Macarrão instantâneo e salgadinhos de pacote são evitados

Valéria Machado também exclui macarrão instantâneo. O alimento é cozido e frito, o que permite preparo rápido, mas vem com sachês de tempero muito salgados. Há excesso de sódio e gordura de baixa qualidade. A composição nutricional é pobre e não traz vantagens à saúde cardiovascular ou metabólica.

Salgadinhos de pacote seguem o mesmo caminho. Geralmente fritos, eles apresentam bastante gordura e exageram no sódio. O glutamato monossódico abre as papilas gustativas e favorece o consumo automático, sem percepção clara de fome ou saciedade. O exagero pode favorecer inflamação e ganho de peso.

Renata Juliana da Silva inclui sopas instantâneas em pó na lista de evitados. Grande parte tem alto teor de sódio, aditivos, realçadores de sabor, baixa qualidade proteica e pouca densidade nutricional. A sopa caseira, quando bem preparada, representa refeição mais equilibrada.

Alergias e inspeção visual guiam outras escolhas

Lara Natacci, pesquisadora na Faculdade de Saúde Pública da USP, parou de comprar abacaxi após reações alérgicas. Sintomas como cólicas, inchaço e vermelhidão no rosto levaram a um episódio hospitalar. O fruto não entra mais em casa pelo risco de contaminação cruzada.

Ela lembra que alergias ou intolerâncias confirmadas por médico justificam exclusões. O glúten, por exemplo, afeta uma pequena parcela da população. Vanderlí Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta da Associação Brasileira de Fitoterapia, presta atenção a enlatados danificados. Latas amassadas ou estufadas indicam possível contaminação interna. Caixas Tetra Pak com cortes também merecem cuidado.

Ela evita carnes com coloração azulada ou esverdeada, tanto bovina quanto peixes e aves. Os tons diferentes sugerem manipulação antiga e proliferação de bactérias. O risco de distúrbios gastrointestinais aumenta.

Equilíbrio define o padrão alimentar geral

Os sete profissionais concordam em um ponto central. Deixar certos itens fora da rotina diária não significa radicalismo. Eles podem aparecer em ocasiões especiais, como festas. O importante é a consistência das escolhas mais saudáveis no dia a dia.

Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados ajuda a construir um cardápio equilibrado. Fontes de proteína variadas, frutas, verduras, leguminosas e temperos naturais ganham espaço. A leitura atenta de rótulos completa a estratégia.

Valéria Machado resume a abordagem. Saúde não se faz com proibições absolutas, mas com equilíbrio e consistência ao longo do tempo.