Santos vive clima tenso com acusação de agressão de Robinho Jr contra NeymarPor Thiago Lemos
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O Santos desembarcou no Paraguai para um compromisso decisivo pela Copa Sul-Americana sob uma forte crise institucional e técnica. A delegação, que enfrenta o Deportivo Recoleta nesta terça-feira, tenta isolar o elenco da repercussão de uma briga ocorrida no último treinamento em solo brasileiro. Robinho Jr. enviou uma notificação extrajudicial ao clube acusando o camisa 10, Neymar, de agressão física durante a atividade de domingo.
A cúpula santista agora administra o impacto jurídico e de vestiário da ação do jovem atacante de 18 anos. Embora Neymar tenha pedido desculpas formalmente no CT Rei Pelé logo após o incidente, o estafe de Robinho Jr. não deu o caso por encerrado. A diretoria instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos. O movimento gerou desconforto entre os jogadores veteranos, que consideram a exposição pública do conflito uma quebra de hierarquia e de ética interna.
Clube instaura sindicância e Neymar pode sofrer punição financeira
A diretoria do Santos confirmou que o processo de apuração interna já está em curso para avaliar a conduta dos dois atletas. O objetivo é analisar as imagens das câmeras de monitoramento do CT Rei Pelé e ouvir testemunhas do ocorrido no domingo. Caso a agressão seja comprovada nos moldes descritos pela defesa do jovem atleta, Neymar pode ser multado administrativamente. O valor seria descontado diretamente em folha salarial, conforme as normas disciplinares do departamento de futebol profissional.
O camisa 10 acreditava que o episódio estava superado após o diálogo imediato no vestiário. No entanto, a notificação mudou o tom da conversa entre as partes. Representantes do Santos tentam manter a neutralidade, mas admitem que o ambiente para a partida desta terça-feira está longe do ideal. A comissão técnica de Cuca trabalha para que o foco permaneça na busca pela vitória contra o Recoleta, resultado vital para as pretensões do Peixe na competição continental.
Robinho Jr estuda rescisão unilateral após desgaste com elenco
O clima para a joia da base santista tornou-se pesado após a decisão de judicializar o desentendimento. Relatos de bastidores indicam que boa parte do grupo de jogadores ficou ao lado de Neymar, não necessariamente pelo ato em si, mas pela forma como a situação vazou. No futebol brasileiro, existe o conceito de que conflitos de treino devem ser resolvidos internamente. Ao registrar uma queixa formal contra o principal astro do time, Robinho Jr. se viu isolado em certos núcleos da delegação.
A equipe jurídica que representa o jovem de 18 anos já sinalizou os próximos passos. Eles aguardam o acesso integral às imagens do treinamento para avaliar a viabilidade de um pedido de rescisão contratual na Justiça do Trabalho. Alegar falta de segurança ou assédio moral no ambiente de trabalho é uma das estratégias possíveis. O contrato do atacante foi renovado recentemente até 2031, mas o relacionamento com o clube sofreu abalos sucessivos nos últimos meses, desde a recusa em atuar pelo sub-20.
Trajetória do conflito entre as estrelas do Santos
A cronologia do incidente revela como uma disputa de bola comum escalou para um problema jurídico de grandes proporções. O Santos tenta, agora, impedir que o litígio afete o desempenho esportivo em um momento crítico da temporada.
- Domingo de manhã: Ocorre o desentendimento e a suposta agressão física no CT Rei Pelé.
- Domingo à tarde: Neymar pede desculpas e o clube considera o assunto encerrado.
- Segunda-feira cedo: Estafe de Robinho Jr. envia notificação extrajudicial ao Santos.
- Segunda-feira tarde: Delegação viaja ao Paraguai com Neymar e Robinho Jr. na mesma lista.
- Segunda-feira noite: Jogadores jantam na mesma mesa em Pedro Juan Caballero.
- Terça-feira: Santos enfrenta o Recoleta pressionado pela lanterna do grupo.
Comportamento da dupla no Paraguai e foco no Deportivo Recoleta
Apesar da turbulência jurídica, a rotina da delegação na fronteira com o Brasil segue protocolos de normalidade aparente. Neymar foi recebido por uma multidão de torcedores no hotel em Pedro Juan Caballero e atendeu fãs com tranquilidade. No jantar de segunda-feira, a cena que chamou a atenção foi a presença do camisa 10 e de Robinho Jr. na mesma mesa. Fontes ligadas ao clube afirmam que o diálogo é mínimo, mas o profissionalismo está sendo cobrado de forma rigorosa pela gerência de futebol.
O Santos ocupa a lanterna do Grupo D da Copa Sul-Americana e precisa vencer para manter chances reais de classificação. Cuca tem os dois jogadores à disposição para o confronto das 21h30. A escalação oficial deve sair apenas horas antes do jogo, mas a tendência é que a parte técnica prevaleça sobre a crise disciplinar. O treinador conversou individualmente com os atletas para garantir que o compromisso internacional não seja prejudicado pelo que ele chamou de “ruídos externos”.







