Crise em Roland Garros: Sinner e Sabalenka denunciam queda na participação dos lucros do Grand SlamPor Thiago Lemos
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O tenista italiano Jannik Sinner lidera um movimento de contestação contra a diretoria de Roland Garros por causa da distribuição de receitas do torneio. O manifesto, assinado por 20 atletas de elite como Aryna Sabalenka e Coco Gauff, foi divulgado nesta segunda-feira (4). O grupo afirma que a participação financeira dos competidores regrediu nos últimos anos. Os jogadores buscam um reajuste para 22% dos lucros totais do evento.
A mobilização ocorre a poucas semanas do início da competição em Paris, marcado para 24 de maio. Além do repasse financeiro, o documento lista exigências sobre assistência médica e planos de aposentadoria para ex-profissionais. O texto expõe um racha na governança do Grand Slam francês. Os signatários alegam que o crescimento do faturamento do evento não reflete nos valores pagos em quadra.
Descompasso financeiro motiva protesto de atletas em Paris
O principal argumento dos jogadores é matemático. A organização do torneio francês anunciou um aumento de 9,5% na premiação total para 2026. O montante chegará ao recorde de 61,6 milhões de euros. Entretanto, os atletas apontam que o faturamento do evento cresceu em ritmo muito superior. Em 2025, a arrecadação de Roland Garros subiu 14%, atingindo 395 milhões de euros, enquanto os prêmios avançaram apenas 5,4%.
A participação dos tenistas na receita bruta caiu de 15,5% em 2024 para uma estimativa de 14,9% no ciclo atual. Para o grupo liderado por Sinner, essa tendência é inaceitável. Eles exigem que o Grand Slam adote padrões de repasse similares aos já praticados pelos circuitos da ATP e da WTA. A falta de transparência na gestão dos lucros é um dos pontos mais criticados pelo coletivo de esportistas.
Lista de reivindicações vai além das premiações em dinheiro
O documento entregue à organização detalha pontos que afetam diretamente o cotidiano dos profissionais no circuito. Os jogadores buscam garantias de segurança que transcendem o valor dos cheques entregues aos vencedores. A pauta inclui três pilares fundamentais para a categoria:
- Assistência médica: melhorias estruturais no suporte de fisioterapia e atendimento hospitalar durante a quinzena do torneio.
- Seguridade social: revisão profunda dos planos de pensão destinados a tenistas que já encerraram a carreira.
- Calendário: exigência de participação ativa nas decisões sobre as datas e horários das partidas para proteger a saúde física.
Os signatários afirmam que os Grand Slams resistem a modernizar a gestão esportiva. Eles defendem que o sistema atual ignora os protagonistas do espetáculo. Para Sinner e os demais atletas, o modelo de negócio precisa de uma atualização urgente para garantir a sustentabilidade das futuras gerações.
Roland Garros perde terreno para outros grandes torneios
Mesmo com cifras recordes, o torneio de saibro deve terminar 2026 como o Grand Slam menos rentável para os jogadores. O Australian Open, disputado em janeiro, elevou sua premiação para 111,5 milhões de dólares australianos. Esse valor representa quase R$ 400 milhões na cotação vigente. O torneio da Oceania superou o francês tanto em bonificação quanto em valor comercial de bilheteria e patrocínios.
A comparação com Wimbledon e US Open também gera insatisfação entre os tenistas. Em 2025, o torneio inglês pagou 53,5 milhões de libras, cerca de R$ 360 milhões. Já a etapa de Nova York desembolsou 90 milhões de dólares, o equivalente a R$ 450 milhões. A previsão é que ambos mantenham a tendência de alta para as edições de 2026. Roland Garros, por sua vez, apresenta o menor crescimento proporcional entre as quatro principais competições do calendário mundial.
Pressão sindical aumenta com apoio da associação de Djokovic
O clima de tensão entre jogadores e dirigentes não é uma novidade no circuito profissional. Em março de 2025, órgãos como a ITF e a ITIA já haviam sido criticados por manterem sistemas considerados abusivos pelos atletas. O movimento atual ganha musculatura com o suporte da PTPA. A associação sindical foi fundada pelo sérvio Novak Djokovic em 2020 para defender os interesses dos jogadores de forma independente.
A entidade sustenta que a imagem glamorosa do tênis esconde um modelo de exploração de talentos. A PTPA sinaliza que a disputa pode ser levada aos tribunais caso não haja uma abertura para negociação por parte de Roland Garros. A associação afirma que o objetivo não é gerar instabilidade no esporte. A meta declarada é salvar a integridade física e financeira dos profissionais a longo prazo.







