Laudo descarta asfixia em morte de “Barbie Humana” e aponta intoxicação
Um novo laudo do Instituto de Criminalística baseado em análises de câmeras corporais de policiais militares descartou asfixia como causa da morte da influenciadora Bárbara Jankavski, conhecida como “Barbie Humana”. O documento aponta intoxicação como a razão do óbito, conforme solicitado pelo Ministério Público após a exumação do corpo. O defensor público Renato De Vitto, em cuja residência ela faleceu em São Paulo, relatou que os dois consumiram cocaína, cachaça, cerveja e energético antes da morte.
Inconsistências nos relatos e versões de horários
O relatório da criminalística registrou contradições significativas nas falas de testemunhas coletadas durante o atendimento inicial. Um funcionário do Samu afirmou a policiais que a situação era “bem esquisita” e que “a cada hora a história muda um pouquinho”, evidenciando mudanças nas narrativas ao longo do atendimento médico. As gravações das body cams apresentaram falhas de áudio e interrupções, mas documentaram o primeiro contato com a cena.
Quando os agentes chegaram ao local, duas ambulâncias do Samu já estavam presentes. Um médico informou que Bárbara estava morta havia aproximadamente 30 minutos a uma hora. Segundo observações dos policiais registradas em vídeo, o corpo apresentava rigidez cadavérica e sinais de roxos visíveis. O relatório destaca ainda que essas percepções refletem inconsistências nos relatos apresentados durante o atendimento inicial.
De Vitto forneceu versões diferentes sobre os horários das últimas interações com a influenciadora. Em momentos distintos durante o atendimento, ele afirmou que o último contato ocorreu entre 19h e 20h, depois mencionou por volta de 21h ou 21h30, e posteriormente disse que foi pouco antes de deitar, cerca de 21h50. Uma mulher que estava presente na residência aparece nos vídeos corrigindo ou complementando informações do defensor público, principalmente sobre horários, sintomas e manchas no tapete do banheiro que ela atribuiu à menstruação.
Sequência de eventos conforme relato do defensor público
O defensor público afirmou que contratou Bárbara como garota de programa, e ambos tiveram relações sexuais. Após o ato, consumiram juntos cocaína, cachaça, cerveja e bebida energética. Em seguida, ela adormeceu e não acordou mais. Renato relatou ter feito massagem cardíaca durante nove minutos na influenciadora na tentativa de reanimá-la, mas ela não voltou a respirar. Quando a ambulância chegou, foi constatado o óbito no local.
O defensor público pediu ajuda por telefone ao Samu. As gravações de câmera corporal documentaram sua interação com os agentes no momento do atendimento e sua narrativa dos fatos ocorridos antes da chegada dos policiais.
Suspeitas da família e do Ministério Público
O Ministério Público e advogados da família levantaram a hipótese de assassinato, citando possíveis sinais de violência, como lesões no olho, pescoço e pernas. Solicitaram que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investigasse se o defensor público e outras duas pessoas presentes na residência — um homem e uma mulher, amigos dele — teriam algum envolvimento na morte. Até o momento, a polícia não identificou suspeitos de crime algum.
Pontos destacados das investigações:
- Laudo de criminalística descarta asfixia como causa mortis
- Intoxicação apontada como razão da morte
- Contradições em relatos de testemunhas durante atendimento
- Versões conflitantes sobre horários das últimas interações
- Análise de vídeos de body cams com falhas de áudio
- Corpo apresentava rigidez cadavérica e roxos visíveis
- Defensor público relatou consumo de cocaína, cachaça, cerveja e energético
- Tentativa de reanimação por nove minutos sem sucesso
Manifestações de defesa
Procurado pelo G1, o advogado Átila Machado, que atua na defesa do defensor público, afirmou: “por se tratar de investigação que tramita sob segredo de Justiça, não podemos nos manifestar”. A reportagem não conseguiu contato com o advogado da família da influenciadora até o fechamento desta matéria.
O relatório da criminalística ressalva que a análise das câmeras corporais teve como objetivo descrever o que foi registrado nos vídeos, sem atribuir responsabilidade criminal a qualquer pessoa envolvida nos eventos documentados.
Perfil da influenciadora
Bárbara Jankavski Marquez, conhecida como “Barbie Humana”, ficou famosa nas redes sociais por compartilhar conteúdos sobre estética corporal e procedimentos estéticos inspirados na boneca Barbie. Também utilizava o apelido “Boneca Desumana” e acumulava mais de 400 mil seguidores, considerando Instagram e TikTok. Investiu mais de R$ 300 mil em 27 cirurgias plásticas com o objetivo de se assemelhar à boneca de brinquedo. Seu caso ganhou repercussão nacional após a morte ocorrida na residência do defensor público em São Paulo.

















