Projeto científico rastreia linhagem de Leonardo da Vinci e localiza quinze herdeiros vivos

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DNA Foto: DNA - romakhan3595/shutterstock.com

Um trabalho internacional de pesquisa genética mapeou a árvore genealógica de Leonardo da Vinci até o ano de 1331. O estudo identificou 15 descendentes vivos do gênio renascentista. A investigação confirmou marcadores de DNA que atravessam 21 gerações da família italiana. O levantamento histórico durou três décadas. Os cientistas agora buscam restos mortais em túmulos antigos para tentar reconstruir o perfil genético completo do inventor.

A descoberta representa um avanço inédito para a ciência e a história da arte. O livro recém-publicado sobre o tema consolida o trabalho liderado por especialistas da Associação do Patrimônio Leonardo Da Vinci. A prefeitura local apoiou a reconstrução da árvore familiar. O documento abrange mais de 400 indivíduos documentados sob rigorosos critérios de rastreabilidade. Essa base de dados cria o cenário ideal para desvendar a biologia de uma das mentes mais brilhantes da humanidade.

Genética - Foto: Cavan Images/istockphoto.com/
Genética – Foto: Cavan Images/istockphoto.com/

Análise do cromossomo Y confirma conexão biológica com o artista

Os pesquisadores dedicaram mais de dois anos ao estudo de registros de arquivo na região da Toscana. O trabalho meticuloso revelou ramos familiares desconhecidos. A equipe rastreou a linhagem paterna desde o pai de Leonardo, ser Piero, e seu meio-irmão, Domenico Benedetto, até o século atual. A identificação dos 15 homens vivos ligados diretamente a essa linha paterna impulsionou a pesquisa molecular de forma decisiva.

O Departamento de Biologia da Universidade de Florença coordenou a análise genética dos herdeiros atuais. O trabalho exigiu precisão laboratorial. Os especialistas extraíram amostras de DNA de seis descendentes diretos da linha paterna. Os resultados mostraram segmentos idênticos do cromossomo Y entre todos os participantes testados durante a pesquisa. O marcador genético passa de pai para filho com alterações mínimas ao longo dos séculos. A descoberta confirmou a linhagem masculina contínua na família Da Vinci por pelo menos 15 gerações.

A evidência molecular valida os documentos históricos encontrados nos arquivos italianos. O material fornece uma ponte biológica real entre o artista e as pessoas vivas hoje. Os cientistas planejam análises mais detalhadas para avaliar o estado de preservação do DNA extraído. O sucesso dessa etapa sugere que materiais genéticos ainda mais antigos podem ser viáveis para estudos futuros de sequenciamento.

Escavações em túmulos buscam restos mortais de parentes antigos

A investigação científica avançou para uma fase arqueológica na Igreja de Santa Croce. O templo histórico fica na cidade de Vinci. As escavações ocorrem em parceria com a Universidade de Florença para localizar restos mortais de gerações passadas. Os antropólogos já recuperaram fragmentos ósseos no sítio arqueológico durante as primeiras incursões.

O local de escavação abriga os restos de diversos familiares diretos do inventor renascentista:

  • Antonio, avô paterno de Leonardo.
  • Francesco, tio que deixou propriedades como herança.
  • Antonio, Antonio e Giovanni, os três meio-irmãos do artista.
  • Pandolfo, parente próximo da mesma linhagem documentada.

Alguns espécimes ósseos passaram por datação por radiocarbono e testes paleogenômicos preliminares. Um dos fragmentos apresentou idade compatível com a dos parentes históricos. As análises iniciais indicam que o indivíduo era do sexo masculino. O achado aumenta a probabilidade de obtenção de DNA do cromossomo Y para comparação direta com os homens vivos da atualidade.

A correspondência genética entre os restos mortais e os descendentes atuais fortalecerá os registros documentais. O projeto global começou em 2016 sob a coordenação da Universidade Rockefeller, em Nova York. A iniciativa reúne instituições de ponta da Califórnia e de Washington. A estratégia foca no cromossomo Y para evitar as complicações da herança materna ao longo dos séculos de história.

Descoberta de desenho inédito sugere obra juvenil na cidade natal

A pesquisa também explorou o ambiente histórico das propriedades da família Da Vinci. Os especialistas identificaram sete casas na vila e no castelo de Vinci. Duas dessas propriedades pertenceram diretamente a Leonardo após uma disputa legal com seus meio-irmãos. O estudo revisou o papel do avô Antonio, que atuava como comerciante viajante entre a Catalunha e o Marrocos. Novos documentos sugerem que a mãe do artista, Caterina, pode ter sido uma escrava a serviço de um banqueiro rico da época.

Durante as investigações, a equipe encontrou um desenho a carvão na lareira de um edifício antigo conhecido como Casa Bracci. A obra exibe uma criatura fantástica com chifre espiral, focinho alongado, dentes recurvados e cauda de serpente. Os pesquisadores batizaram a imagem de Dragão Unicórnio. A figura antecipa estudos posteriores do inventor sobre o voo e a dinâmica animal.

As comparações com desenhos da década de 1470 indicam que a imagem pode ser uma obra inicial do mestre. A prefeitura local prepara um exame detalhado do grande desenho sob a supervisão de autoridades de patrimônio cultural. A peça mede cerca de 80 por 70 centímetros. A hipótese de autoria juvenil ganhou o apoio da diretoria do Museu e Biblioteca Leonardiana.

Autenticação de obras de arte pode mudar com sequenciamento genético

O livro publicado pelos pesquisadores analisa o pensamento do próprio Leonardo sobre a hereditariedade. Os escritos antigos sugerem que ele antecipou conceitos modernos de epigenética. O artista considerava como a dieta e o comportamento dos pais poderiam influenciar a formação dos filhos. O objetivo principal do projeto atual permanece focado na recuperação de informações biológicas precisas e verificáveis.

A reconstrução do perfil genético representa um marco para a história cultural mundial. Os cientistas esperam sequenciar material genético suficiente a partir de manuscritos, desenhos ou pinturas originais. A recuperação desse DNA pode revelar detalhes sobre a aparência física, a saúde e as predisposições biológicas do inventor. O material biológico encontrado em papéis antigos poderá confirmar a autenticidade de obras contestadas por especialistas.

A tecnologia moderna permite extrair células de uma minúscula impressão digital deixada em uma página há séculos. A biologia atual expande as fronteiras do conhecimento histórico. A validação de atribuições de arte passará por uma revolução técnica sem precedentes. A cidade toscana de Vinci celebra a possibilidade de acessar a herança genética de seu filho mais ilustre.

A pesquisa internacional une o passado e o futuro da ciência forense. Os especialistas acreditam que a metodologia aplicada no caso da família Da Vinci servirá de modelo para outras figuras históricas. O mapeamento genético de personalidades do Renascimento antes consideradas perdidas para sempre torna-se uma realidade palpável. O cruzamento de dados de arquivos antigos com a tecnologia de sequenciamento de última geração estabelece um novo padrão para a arqueologia moderna e para a preservação da memória global.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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