Real Madrid e Barcelona dominam ranking das equipes mais valiosas
Real Madrid e Barcelona continuam como os clubes de futebol mais valiosos do mundo, segundo levantamento divulgado pela Sportico. Os merengues alcançam US$ 7,70 bilhões, enquanto os catalães somam US$ 6,65 bilhões em avaliação de mercado. O estudo ressalta uma realidade clara: apenas seis equipes de futebol figuram entre os 50 times esportivos mais valiosos do planeta.
A presença limitada do futebol nesse ranking de elite reflete um cenário onde as ligas norte-americanas dominam. Somente três clubes de futebol aparecem entre as 40 franquias esportivas mais valiosas, categoria que inclui 25 equipes da NFL e oito da NBA. Manchester United ocupa o terceiro lugar entre os clubes de futebol com US$ 6,47 bilhões, mas sequer consegue entrar no top 40 geral.
Bayern, Liverpool e Manchester City completam o grupo dos seis

Bayern de Munique, Liverpool e Manchester City formam a sequência dos clubes que penetram o ranking dos 50 mais valiosos. Os bávaros são avaliados em US$ 5,78 bilhões, o Liverpool soma US$ 5,74 bilhões e o Manchester City chega a US$ 5,16 bilhões. Essa concentração europeia demonstra que o futebol ainda carece de estruturas financeiras comparáveis às ligas profissionais norte-americanas.
Os 15 times mais ricos do universo do futebol estão todos localizados na Europa. Apesar disso, a Major League Soccer conseguiu alavancar sua presença ao colocar 18 clubes entre os 50 mais valiosos globalmente. A Premier League acompanha com 16 equipes nessa faixa de avaliação, enquanto LaLiga coloca oito clubes e Bundesliga tem nove representantes.
Receita bate recorde, mas crescimento fica aquém das rivais
Os 50 maiores clubes de futebol somam US$ 95,5 bilhões em valor agregado, um aumento de 11% comparado ao ano anterior. Esse incremento marca o maior ganho nos quatro anos de rankings de futebol calculados pela Sportico. Porém, esse desempenho fica significativamente abaixo dos ganhos registrados por outras ligas esportivas masculinas no mesmo período:
- Fórmula 1: 48% de crescimento
- NFL: 20% de aumento
- NBA: 20% de aumento
- NHL: 17% de crescimento
- MLB: 12% de incremento
Apenas Real Madrid e Barcelona ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em receita durante a temporada 2024-25, arrecadando respectivamente US$ 1,3 bilhão e US$ 1,1 bilhão. Entre todas as franquias esportivas mundiais, somente o Dallas Cowboys (US$ 1,25 bilhão) e o Los Angeles Dodgers (US$ 1,1 bilhão) igualaram esse patamar de receita anual.
Estrutura da MLS oferece vantagens competitivas a investidores
A liga norte-americana apresenta um modelo de negócios que atrai capital de forma consistente, diferentemente do futebol europeu. O controle rigoroso de custos, estádios modernos, ausência de rebaixamento e governança centralizada criam um ambiente mais previsível para investidores. A MLS não gera as mesmas receitas dos grandes clubes europeus, mas compensa com estabilidade operacional e retorno garantido.
“O modelo norte-americano de negócios no esporte é bastante consolidado e seguro. Ainda que sem a mesma tradição esportiva, as equipes da MLS conseguem se destacar a partir de um conjunto de fatores internos à liga e externos aos clubes, refletindo nos enormes valores individuais que recebem”, aponta Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados. O especialista em finanças esportivas sublinha que o mercado de capitais norte-americano, sendo o maior e mais sofisticado do mundo, contribui de forma decisiva para essa valorização.
Desafios estruturais limitam potencial de crescimento europeu
Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management, identifica obstáculos que impedem os clubes europeus de atingir o mesmo patamar das franquias norte-americanas. “Mesmo com maior alcance de audiência, clubes como Real Madrid, Barcelona e Manchester United enfrentam desafios estruturais que limitam sua valorização. O controle de custos, a previsibilidade de receitas e a ausência de rebaixamento criam um ambiente mais estável e atrativo para investidores”, analisa. Para que o futebol evolua nesse aspecto, segundo Fiorito, será necessário encontrar equilíbrio entre competitividade esportiva e sustentabilidade financeira.
A Premier League permanece como a liga de futebol mais rica considerada por receita total, porém em valor unitário dos principais clubes, a LaLiga domina o cenário. Essa discrepância reflete diferentes modelos de distribuição de riqueza e capacidade de arrecadação entre os campeonatos europeus.
Profissionalização de gestão emerge como caminho necessário
Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, vê no ranking um indicador claro do atraso do futebol em gestão e inovação. “O levantamento reforça que o futebol tem potencial enorme de crescimento quando olhamos para gestão e modelo de negócio. Enquanto ligas como a MLS avançam com governança centralizada, o futebol europeu segue dependente de performance esportiva e receitas variáveis”, explica. Frota argumenta que para competir de igual para igual com outras ligas em valor de mercado, o futebol precisa evoluir “fora das quatro linhas, principalmente em gestão, inovação e estrutura financeira”.
A heterogeneidade dos modelos europeus contrasta com a uniformidade da MLS, que sob jurisdição única estabelece regras claras e incentiva colaboração entre proprietários. Essa estrutura centralizada reduz riscos e amplifica a atratividade para capital privado que busca retornos previsíveis a longo prazo.

















