Hubble fotografa região de formação estelar AFGL 5180 em Gêmeos

    Categories: Ciência
Telescópio Espacial Hubble

Telescópio Espacial Hubble - Paopano/ Istockphoto.com

O Telescópio Espacial Hubble capturou imagens de alta definição da região AFGL 5180, uma zona de formação estelar localizada na constelação de Gêmeos, a aproximadamente 6.500 anos-luz da Terra. A observação revela estruturas complexas de gás e poeira onde novas estrelas estão nascendo, em um processo que oferece pistas sobre a origem do Sistema Solar.

As imagens combinam dados de luz visível e infravermelha obtidos pela câmera WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble. Este tipo de captura permite penetrar o denso véu de poeira que normalmente obstrui a observação do interior dessas regiões, revelando detalhes antes invisíveis aos telescópios convencionais.

Estrutura interna e jatos estelares violentos

No centro brilhante da região AFGL 5180 encontra-se uma estrela massiva em fase de formação, com mais de oito vezes a massa do Sol. Essa jovem estrela acumula material circundante em grande quantidade enquanto expele pares de jatos de gás em alta velocidade em direções opostas — especificamente em direção ao canto superior direito e inferior esquerdo da imagem.

Os jatos estelares criam cavidades dentro da nuvem molecular. A Agência Espacial Europeia (ESA) compara o fenômeno à luz de um farol que atravessa nuvens de tempestade para iluminar a superfície do mar. A maior parte da radiação emitida pelas estrelas recém-formadas passa por essas cavidades, permitindo que a luz alcance a Terra e seja detectada pelos instrumentos do Hubble.

Por que a luz infravermelha é essencial para observação

Regiões de formação estelar, conhecidas como berços de estrelas, possuem abundância extrema de poeira cósmica. Esse material serve como matéria-prima fundamental para a origem de novas estrelas, mas ao mesmo tempo representa um obstáculo significativo à observação direta.

A luz visível é facilmente absorvida e dispersada pela poeira, tornando impossível visualizar o interior das nuvens densas com telescópios que capturam apenas espectro visível. A radiação infravermelha, no entanto, consegue penetrar esse véu, pois possui comprimentos de onda menos obstruídos pelas partículas de poeira. Essa capacidade permitiu ao Hubble capturar pela primeira vez uma representação tão nítida da estrutura interna de AFGL 5180.

As observações incluem:

  • Nuvens de gás e poeira em coloração vermelha e laranja dos dados infravermelhos
  • Brilho de inúmeras estrelas jovens nas lacunas das nuvens
  • Jatos de matéria ejetados pela estrela central massiva
  • Cavidades criadas pela ação dos jatos estelares
  • Detalhes de camadas internas previamente ocultas

Conexão com a história do Sistema Solar

Acredita-se que as estruturas observadas em AFGL 5180 contenham informações valiosas sobre processos que ocorreram durante a formação do Sistema Solar, há aproximadamente 4,6 bilhões de anos. O estudo de regiões de formação estelar distantes funciona como uma janela temporal para compreender como o nosso próprio sistema planetário nasceu e evoluiu.

Ao observar esses berços de estrelas, astrônomos traçam as próprias raízes cósmicas da humanidade. Cada detalhe revelado pelo Hubble oferece novas pistas sobre os mecanismos universais de criação estelar, processos que continuam ocorrendo em galáxias próximas e distantes.

A imagem de AFGL 5180 foi inicialmente divulgada pela ESA/Hubble em 8 de março de 2021. Novas análises dos dados continuam revelando aspectos anteriormente desconhecidos dessa região fascinante do espaço.

Veja Também