O El Niño deve surgir em breve no Oceano Pacífico tropical. A probabilidade chega a 82% entre maio e julho de 2026. O fenômeno tem 96% de chance de durar até o inverno no hemisfério norte, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
A atualização saiu nesta quinta-feira, 14 de maio, do Centro de Previsão Climática da NOAA, órgão americano responsável pelo monitoramento. O aquecimento das águas abaixo da superfície acelerou o processo. Modelos agora apontam maior chance de o evento atingir força forte ou muito forte.
Águas quentes se acumulam no Pacífico equatorial
Temperaturas na região Niño-3.4, usada como referência, ainda estão próximas do limite para condições neutras. O valor médio fica logo abaixo de 0,5 grau Celsius acima da média histórica. A expectativa é que o índice ultrapasse esse patamar já no próximo mês.
Um grande volume de água quente se formou nas camadas mais profundas do Pacífico central e oriental nas últimas semanas. Essa reserva deve subir à superfície e alimentar o desenvolvimento do El Niño ao longo do verão e outono no hemisfério norte.
- As anomalias de temperatura subsuperficial aumentaram nas últimas semanas
- Ventos de oeste sobre o Pacífico ocidental ajudaram a movimentar as águas
- Modelos de previsão mostram transição clara para El Niño a partir de junho
Chance de super El Niño sobe para um em três
A probabilidade de um super El Niño — com aquecimento superior a 2 graus Celsius — entre novembro e janeiro subiu de 25% na previsão anterior para cerca de 33% agora. Há ainda 2 em 3 chances de o pico ser forte ou muito forte.
O último super El Niño registrado ocorreu em 2015-2016. Eventos assim são raros e amplificam os efeitos globais. A incerteza sobre a força exata ainda existe, pois depende de como os ventos e a atmosfera vão responder durante o verão.
O fenômeno ocorre a cada dois a sete anos e dura de nove a 12 meses. Ele altera padrões de vento e chuva em várias partes do mundo. Regiões podem enfrentar seca e ondas de calor, enquanto outras recebem chuvas excessivas.
Impactos esperados em diferentes regiões
Secas e incêndios florestais tendem a aumentar em áreas como o sudeste asiático, norte da Austrália e partes da América do Sul. Inundações ficam mais prováveis no leste africano, Peru e sul dos Estados Unidos. A temporada de furacões no Atlântico geralmente perde força.
O aquecimento global causado por atividades humanas já eleva as temperaturas médias. Um El Niño forte adiciona mais calor ao sistema, o que torna mais provável que 2026 ou 2027 sejam os anos mais quentes já registrados.
Mesmo que o evento não atinja status de super, ele ainda deve ser forte. Os efeitos não são idênticos em todos os anos, como mostrou o El Niño de 2015-2016, que trouxe seca no Caribe mas não a quantidade esperada de chuva no sul da Califórnia.
O que os modelos indicam para os próximos meses
Vários centros de previsão acompanham o desenvolvimento. O conjunto de modelos norte-americanos e europeus reforça a tendência de fortalecimento. Alguns simulações sugerem intensidade recorde, mas os meteorologistas destacam que a primavera é período de maior incerteza nas previsões.
O El Niño não altera apenas o clima. Ele afeta agricultura, abastecimento de água, geração de energia e riscos de desastres naturais. Autoridades de vários países já monitoram os sinais para ajustar planos de contingência.
Histórico de eventos extremos
Os super El Niños mais marcantes ocorreram em 1972-1973, 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. O de 1997-1998, por exemplo, provocou enchentes e secas que causaram prejuízos bilionários e perdas de vidas em diferentes continentes.
A NOAA usa o índice RONI, que considera tendências de longo prazo na temperatura do oceano, para classificar a força dos eventos. Isso permite comparação mais precisa com o passado.

