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A implementação de tarifas pelos Estados Unidos coloca empresas diante de um cenário de incerteza que vai além de simples questões comerciais. O conflito EUA-China criou uma dinâmica que exige que as organizações monitorem simultaneamente múltiplos eixos regionais e regulatórios. Empresas de pequeno e médio porte enfrentam desafio inédito. Até pouco tempo, muitas delas associavam esses temas apenas a controle de exportação, um procedimento tradicional já conhecido no mercado.

O termo “segurança econômica” ainda gera confusão em ambientes corporativos, mas a prática subjacente, monitorar conflitos, antecipar rupturas nas cadeias de suprimento e responder a riscos geopolíticos, é rotina há décadas, especialmente entre grandes empresas japonesas. A diferença agora está na necessidade de integração. Decisões isoladas em departamentos distintos não resolvem o problema. Uma resposta eficaz exige coordenação transversal entre áreas de gestão de riscos, operações regionais, conformidade legal e até compras.

Trump
Trump – Andrew Leyden/ Shutterstock.com

Como a inteligência econômica funciona na prática

Inteligência econômica tornou-se termo institucional para descrever essa capacidade de visão integrada. O conceito engloba coleta sistemática de informações sobre atividades de agentes políticos influentes, análise de recomendações de think tanks locais, monitoramento de relações governamentais e integração desses dados em processos decisórios. Inovação organizacional é necessária não apenas para coletar informações, mas para evitar redundâncias e garantir que análises cheguem rapidamente aos tomadores de decisão.

As tarifas de Trump ilustram a complexidade. Elas resultam do conflito bilateral com a China, portanto requerem acompanhamento paralelo de desenvolvimentos em pelo menos dois eixos regionais. Simultaneamente, qualquer resposta corporativa deve considerar conformidade tanto com legislação interna dos EUA quanto com regras da Organização Mundial do Comércio. Sem estrutura que cruze essas informações, uma empresa corre risco de violar regulamentos enquanto tenta se proteger.

Instituto de Geoeconomia funciona como zona intermediária

Fundado em julho de 2022 no Japão, o Instituto de Geoeconomia surgiu como resposta prática à demanda corporativa. Diferentemente de think tanks governamentais ou acadêmicos tradicionais, opera como entidade privada independente. Sua estrutura heterogênea reúne profissionais originários de empresas privadas, setor público e instituições de pesquisa. Alguns ocupam posições em tempo integral, outros atuam em regime de meio período ou em cedência de seus empregadores originais.

Essa configuração cria o que coordenadores chamam de “zona livre” espaço não constrangido pelas hierarquias e silos típicos das organizações tradicionais. A liberdade funcional permite que pesquisadores abordem desafios que atravessam múltiplas disciplinas e interesses corporativos. O instituto trabalha em três frentes: apoiar inteligência econômica de empresas, desenvolver recursos humanos especializados e comunicar recomendações tanto ao mercado quanto ao governo.

Três caminhos para implementar resposta corporativa

As empresas que buscam se estruturar para gerenciar segurança econômica encontram três modelos principais:

  • Criação de departamento especializado dedicado exclusivamente a gestão de riscos geoeconômicos
  • Nomeação de responsável executivo com autoridade transversal para coordenar resposta
  • Integração da função ao planejamento estratégico gerencial, sem departamento isolado

Independentemente do caminho escolhido, os desafios fundamentais permanecem idênticos. O primeiro é estabelecer conexão genuína entre áreas funcionais que historicamente operam em silos. Gestão de riscos, operações regionais, conformidade legal e compras precisam compartilhar informações em tempo real e colaborar em planejamento de cenários. O segundo desafio é garantir que mensagens sobre riscos geoeconômicos alcancem e convençam a alta gestão.

Barreiras organizacionais devem ser fortalecidas, não destruídas

Contrariamente ao senso comum em discussões sobre inovação organizacional, fortalecer barreiras internas não significa isolá-las. O conceito de “zona liberada” funciona justamente porque as divisões tradicionais entre gestão de riscos, responsabilidades regionais e questões legais, continuam existindo e claras. O que muda é mecanismo de comunicação e coordenação. Essas barreiras ficam mais robustas quando têm clareza sobre o que devem proteger e porque.

Empresas que tentaram simplesmente derrubar divisões departamentais enfrentaram resistência estrutural e fracasso operacional. A solução não é eliminar barreiras, mas criar pontos de diálogo entre elas. Uma “zona liberada” é espaço criado precisamente para facilitar essa conversa sem pressão de cada departamento defender seu território ou método tradicional.

Contexto global acelera adoção de práticas

O cenário geoeconômico atual não é momentâneo. Tensões EUA-China persistem, novas restrições comerciais são anunciadas regularmente e instabilidade geopolítica em múltiplas regiões afeta cadeias de suprimento globais. Empresas que esperam por estabilidade para implementar sistemas de inteligência econômica correm risco de ficar para trás. Aquelas que já estabeleceram estruturas de resposta integrada ganham vantagem competitiva na capacidade de antecipar impactos e se adaptar rapidamente.

Pequenas e médias empresas, historicamente menos equipadas que multinacionais para monitorar ambiente regulatório global, encontram oportunidade em plataformas coletivas e consultoria especializada. O surgimento de instituições como o Instituto de Geoeconomia oferece ferramentas e expertise antes disponíveis apenas para grandes corporações. Acesso a análise de risco geoeconômico deixa de ser privilégio e torna-se necessidade competitiva generalizada.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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