Trump e Xi fecham visita com acordos comerciais e alerta chinês sobre Taiwan

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Trump e Xi Jinping - Kenny Holston-Pool/Getty Images Foto: Trump e Xi Jinping - Kenny Holston-Pool/Getty Images

A comitiva americana encerrou sua visita à China nesta sexta-feira com o Ministério das Relações Exteriores de Pequim cobrando a implementação dos acordos econômicos negociados durante dois dias de encontros. O documento oficial divulgado após almoço privado entre Donald Trump e Xi Jinping no Jardim de Zhongnanhai reforçou a proteção da relação bilateral contra pressões externas. Taiwan permanece como principal ponto de tensão entre as duas potências globais.

Xi Jinping classificou a passagem de Trump como “histórica e marcante” em comunicado oficial. O líder chinês afirmou que ambas as nações podem promover desenvolvimento e revitalização por meio do fortalecimento da cooperação, enquanto deixava claro que devem “implementar o importante consenso alcançado” durante a visita.

Oriente Médio e rotas comerciais em foco

Pequim emitiu posicionamento pedindo trégua duradoura na guerra do Oriente Médio e reabertura imediata do Estreito de Ormuz, bloqueado estrategicamente. A chancelaria chinesa classificou o conflito como aquele que “não deveria ter acontecido em primeiro lugar” e enfatizou que a solução rápida atende aos interesses dos EUA, do Irã e do resto do mundo.

O governo chinês defendeu que o diálogo é o “caminho certo” e pressionou pela reabertura das rotas marítimas para manter cadeias de suprimentos estáveis. A pasta pediu ainda um acordo sobre a questão nuclear iraniana que contemple preocupações de todas as partes envolvidas. Trump afirmou que a China concordou que o Irã não pode possuir armas nucleares e que ambos os líderes “querem o estreito aberto”.

Elogios públicos mascarando tensões diplomáticas

A primeira reunião bilateral no Grande Salão do Povo foi aberta à imprensa e marcada tanto por elogios quanto por alertas diretos. Xi Jinping adotou tom cordial ao exaltar relações com os Estados Unidos enquanto deixava sinais de tensão. O presidente chinês citou a chamada “armadilha de Tucídides” ao questionar se os dois países conseguirão evitar confronto entre grandes potências.

“Devemos ser parceiros, não rivais. Devemos ajudar uns aos outros a ter sucesso, prosperar juntos e encontrar a forma adequada para que grandes países convivam na nova era”, afirmou Xi em discurso público. Trump chamou Xi de “grande líder” e “amigo”, referindo-se ao encontro como “uma honra como poucas” já vividas.

Após a troca cordial, a reunião foi fechada para a imprensa. Segundo a imprensa chinesa, Xi deixou clara a questão de Taiwan como principal ponto de atrito. O líder chinês sinalizou que, se o tema não fosse conduzido adequadamente, os dois países poderiam entrar em choque e até em possível conflito.

Taiwan como linha vermelha chinesa

Taiwan permanece como centro das tensões bilaterais. A China considera a ilha parte do território chinês, enquanto os EUA trabalham para garantir a autonomia da região. Nos últimos anos, o governo americano forneceu armas a Taiwan, movimento que irritou profundamente Pequim. Em resposta, o governo chinês ampliou significativamente a presença militar no entorno da ilha.

O alerta de Xi circulou rapidamente na imprensa internacional e foi visto como linha vermelha estabelecida durante o encontro. Horas depois, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que seria um “erro terrível” se a China tentasse tomar Taiwan à força. Em entrevista à rede americana NBC, Rubio reforçou que a posição dos EUA sobre a autonomia da ilha não mudou e que os Estados Unidos seguem adotando “ambiguidade estratégica” sobre o tema.

Acordos comerciais e agenda trilateral de três anos

Trump afirmou ter firmado “acordos comerciais fantásticos” com os chineses durante a visita. A Casa Branca indicou que os dois líderes concordaram em múltiplas frentes de cooperação econômica e estratégica:

  • Compra de aviões americanos pela China como parte de expansão comercial bilateral.
  • Interesse chinês em adquirir petróleo americano para reduzir dependência do Oriente Médio.
  • Abertura ampliada de portas para empresas americanas na economia chinesa.
  • Estabelecimento de agenda bilateral para direcionar relações pelos próximos três anos.
  • Compromisso chinês de não fornecer equipamentos militares ao Irã.

Segundo informações da Casa Branca, Trump não pediu ajuda específica à China em relação à guerra no Irã. A nota oficial de Pequim deu destaque aos agradecimentos do presidente americano, que se referiu a Xi Jinping como um “velho amigo” a quem respeita profundamente. Trump afirmou que “a visita à China foi um grande sucesso, um evento de renome mundial e uma experiência inesquecível”.

O encontro marca o segundo encontro presencial entre Trump e Xi em menos de um ano. Diferentemente da reunião de outubro de 2025, quando anúncios concretos sobre avanços foram mais abundantes, desta vez o foco recaiu sobre consolidação de entendimentos anteriores e estabelecimento de limites claros, particularmente em torno de Taiwan e dinâmicas no Oriente Médio.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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