O Ministério de Minas e Energia mantém a suspensão do horário de verão em 2026 em todo o território nacional. A decisão do governo federal baseia-se em avaliações técnicas que confirmam a estabilidade no suprimento de eletricidade do país. Fora de vigor desde 2019, o adiantamento dos relógios em uma hora permanece descartado por apresentar baixa efetividade na economia de energia.
Os reservatórios das usinas hidrelétricas operam em níveis favoráveis, apoiados pelo índice pluvial e pela expansão das linhas de transmissão e do armazenamento de fontes renováveis. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o sistema elétrico conta com segurança energética completa para atender à demanda sem alterar o fuso oficial.
O comportamento do consumo elétrico mudou ao longo dos últimos anos, deslocando os picos de demanda da noite para o período da tarde devido ao acionamento de aparelhos de ar-condicionado em dias de calor intenso. Diante dessa alteração provocada pelo aquecimento global, levantamentos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável por coordenar a geração e a transmissão no país, apontam que a saída envolve leilões de potência e reserva de capacidade, e não a mudança nos relógios.
Mudança no pico de consumo reduz eficácia nos relógios
A evolução das tecnologias de iluminação pública e residencial, somada ao uso intenso de equipamentos de refrigeração no período vespertino, esvaziou a economia que o adiantamento de uma hora proporcionava no início da noite. Estudos técnicos realizados em 2019 já comprovaram que a alteração nos ponteiros deixou de gerar os ganhos financeiros e operacionais registrados em décadas anteriores.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), colegiado que se reúne mensalmente para avaliar a segurança do abastecimento e a modicidade tarifária, acompanha as condições hidrológicas de forma contínua. A retomada da medida só entra em pauta caso ocorram quadros de seca severa que ameacem os reservatórios, mantendo-se a prioridade na gestão da infraestrutura já instalada.
Rotina de escolas, trabalhadores e comércio permanece inalterada
Com a manutenção do horário padrão em 2026, a população não precisa ajustar a rotina diária. As principais áreas beneficiadas pela estabilidade nos ponteiros incluem:
- Jornadas de trabalho que seguem o expediente regular sem sair de casa ainda no escuro;
- Redes de ensino que preservam o cronograma de aulas sem adaptações sazonais;
- Setores de comércio e serviços que evitam custos operacionais de sincronização de sistemas e atendimento;
- Pessoas mais sensíveis à mudança de fuso, que não sofrem com a fadiga temporária provocada pela alteração no ritmo circadiano (o relógio biológico humano).
Baterias e usinas térmicas garantem o suprimento na rede
Para lidar com a intermitência da geração eólica e solar, o planejamento energético adota leilões de baterias capazes de armazenar a eletricidade gerada pelo sol e pelos ventos para uso até as 22 horas. A entrada em operação de quatro linhas de transmissão também reforça o escoamento da carga entre as regiões.
O ONS recomenda ainda o acionamento de usinas termelétricas flexíveis para preservar a água nos reservatórios das hidrelétricas nos horários de maior exigência. Esse conjunto de medidas garante a estabilidade da rede mesmo diante do registro das temperaturas mais elevadas para o verão desde o início da série histórica em 1961.
Medida criada no governo Getúlio Vargas vigorou até 2019
O Horário Brasileiro de Verão foi criado pelo então presidente Getúlio Vargas por meio do Decreto nº 20.466, de 1 de outubro de 1931, vigorando inicialmente entre 3 de outubro de 1931 e 31 de março de 1932 para aproveitar melhor a luz natural. Após ser revogada em 1933 e passar por décadas de alternância, a regra foi aplicada todos os anos entre 1985 e 2019 nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, sendo abandonada também por países vizinhos como Argentina e Chile.
A suspensão no país ocorreu em 2019, por decreto presidencial no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto projetos de lei na Câmara dos Deputados discutem a proibição definitiva da mudança de horário, o Ministério de Minas e Energia mantém o acompanhamento técnico do sistema para decidir sobre os anos seguintes.
Ondas de calor exigem reforço na infraestrutura elétrica
A sucessão de ondas de calor com recordes históricos desde 1961 pressiona o consumo durante a tarde, faixa do dia em que o adiantamento dos relógios poderia até agravar a sobrecarga nas distribuidoras. O foco das autoridades permanece na ampliação da rede física e no armazenamento de energia limpa para evitar quedas de fornecimento.
Qualquer revisão futura nas diretrizes do setor passa pelas reuniões mensais do CMSE e é comunicada nos canais oficiais do Ministério de Minas e Energia, no portal gov.br, em data como 22 de outubro de 2026. A manutenção do horário regular assegura previsibilidade para as atividades econômicas e para o cotidiano da população.
