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Euclyd negocia captação de R$ 588 milhões para chips de IA com foco em eficiência

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Foto: Nvidia - JRdes / Shutterstock.com
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A startup holandesa Euclyd busca captar pelo menos €100 milhões, equivalente a aproximadamente US$ 118 milhões ou R$ 588,8 milhões, em negociações com investidores globais. Fundada em 2024 e sediada em Eindhoven, a empresa desenvolve processadores especializados em inferência de inteligência artificial, etapa em que modelos já treinados executam tarefas com alta eficiência. O fundador e CEO Bernardo Kastrup confirmou as conversas em entrevista recente. Os recursos captados serão destinados à expansão da tecnologia e ao início das operações comerciais.

Movimento de startups europeias no mercado de chips para IA

Outras empresas do continente europeu também buscam aportes significativos neste segmento estratégico. A britânica Optalysys planeja levantar mais de US$ 100 milhões ainda em 2026. As startups Fractile, do Reino Unido, e Arago, da França, estão em discussões avançadas por rodadas de investimento na casa de nove dígitos. Investidores destinaram mais de US$ 200 milhões apenas em 2026 para a holandesa Axelera e para a britânica Olix, sinalizando confiança crescente em soluções locais.

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Nvidia – Jack Hong/ Shutterstock.com

O movimento ocorre enquanto o mercado global de chips para inteligência artificial registra forte expansão. Startups do continente aceleram esforços para disputar espaço em um segmento dominado pela Nvidia. O foco principal está na inferência, onde a eficiência energética e o custo operacional ganham relevância especial em relação ao treinamento de modelos.

Arquitetura inovadora da Euclyd promete ganhos significativos

A Euclyd desenvolve chips que, segundo a empresa, entregam até 100 vezes mais eficiência energética em tarefas de inferência comparados à geração Vera Rubin da Nvidia. A startup substitui a abordagem tradicional das GPUs por uma arquitetura que processa dados em múltiplos pontos de forma simultânea. Essa solução reduz consumo de energia e o espaço físico necessário em data centers, dois fatores críticos para operadores de infraestrutura de IA.

  • Euclyd negocia aporte mínimo de €100 milhões para escalar produção
  • Optalysys planeja captação acima de US$ 100 milhões em 2026
  • Fractile e Arago buscam rodadas de investimento na casa de nove dígitos
  • Axelera e Olix já receberam mais de US$ 200 milhões em 2026

A companhia já completou um chip para inferência e trabalha atualmente em um sistema multi-chiplet mais avançado. O lançamento comercial está previsto para 2028. Kastrup destacou que a Euclyd já negocia com quatro potenciais clientes, com expectativa de atender dois deles a partir do próximo ano e os demais no ano seguinte. A startup conta com apoio de ex-executivos da ASML, incluindo o ex-CEO Peter Wennink como investidor e mentor estratégico.

Contexto da disputa por alternativas às soluções da Nvidia

A Nvidia consolidou posição dominante com GPUs inicialmente projetadas para games e posteriormente adaptadas para treinamento de modelos de inteligência artificial. A empresa investiu mais de US$ 18 bilhões em pesquisa e desenvolvimento no último ano fiscal encerrado em janeiro de 2026. Em dezembro, adquiriu ativos da startup Groq por US$ 20 bilhões. Em março, anunciou aporte de US$ 4 bilhões em duas empresas focadas em tecnologia fotônica.

O mercado migra gradualmente para a inferência, onde eficiência operacional ganha relevância superior ao treinamento. Startups europeias argumentam que suas soluções atendem melhor essa demanda específica. Patrick Schneider-Sikorsky, diretor do Nato Innovation Fund, observou que riscos de concentração em fornecedores únicos e a necessidade de soberania computacional impulsionam investimentos no continente europeu.

A britânica Olix trabalha com processadores fotônicos para inteligência artificial. Investidores como Taavet Hinrikus, da Plural, apontam que a arquitetura eletrônica atual atinge limites em miniaturização e gerenciamento de calor. Plataformas baseadas em luz representariam o próximo avanço tecnológico significativo. A Olix também mira primeiros clientes para o próximo ano.

Desafios estruturais e disparidade de financiamento

Startups do setor ainda encontram obstáculos significativos no ecossistema europeu. O ciclo de desenvolvimento de chips é longo e o caminho entre protótipo e produção em escala exige infraestrutura robusta e investimento contínuo. O continente carece de um equivalente à DARPA americana para financiamento estratégico de inovação em tecnologias críticas.

Fabrizio Del Maffeo, CEO da Axelera, mencionou que governos europeus adotam postura conservadora em relação a empresas novas e de alto risco. A legislação trabalhista fragmentada entre países dificulta contratações internacionais. Além disso, faltam incentivos fortes para consumo de produtos locais em comparação com soluções americanas estabelecidas.

De acordo com dados da Dealroom, startups europeias de chips para inteligência artificial captaram US$ 800 milhões em 2026. No mesmo período, concorrentes dos Estados Unidos levantaram US$ 4,7 bilhões. Exemplos americanos incluem a Cerebras Systems, que obteve US$ 1 bilhão em fevereiro, e outras como MatX, Ayar Labs e Etched, cada uma com rodadas de US$ 500 milhões. Mesmo com valores menores, o interesse de investidores em soluções europeias para inferência de inteligência artificial cresce consistentemente. Carlos Espinal, sócio da Seedcamp, afirmou que o tema deixou de ser uma aposta de nicho e passou a integrar o centro das discussões sobre infraestrutura de inteligência artificial.

Perspectivas futuras e próximos passos

A Euclyd planeja usar os recursos da nova rodada para escalar produção e avançar em parcerias comerciais estratégicas. A empresa já mantém colaboração com a ADTechnology, da Coreia do Sul, para desenvolvimento de soluções em silício otimizadas. A meta é reduzir custos e pegada energética de data centers dedicados a inteligência artificial. Outras companhias europeias seguem trajetórias semelhantes, com foco em fotônica ou arquiteturas especializadas para inferência. O movimento reflete esforços mais amplos para fortalecer a capacidade industrial do continente em semicondutores avançados.

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