Chelsea aposta em Xabi Alonso após fracasso no Real Madrid e polêmicas com craques
O Chelsea anunciou a contratação de Xabi Alonso para substituir Liam Rosenior. O acordo válido por quatro anos começará em 1º de julho. O técnico chega após passar apenas 233 dias no Real Madrid, onde enfrentou conflitos graves com jogadores de destaque e acumulou resultados ruins em competições decisivas.
A decisão do Chelsea representa uma aposta calculada no potencial de Alonso, apesar de seu fracasso recente em Madri. Os donos e diretores esportivos do clube avaliaram que o elenco precisa de um técnico experiente para desenvolver jogadores já contratados e conduzir o mercado de transferências no próximo verão. Alonso era o favorito entre três candidatos principais: Andoni Iraola, do Bournemouth, e Marco Silva, do Fulham, completavam a lista restrita.
Vinícius Jr., Bellingham e Valverde rejeitaram métodos de Alonso

A passagem de Alonso pelo Bernabéu foi marcada por desentendimentos com três dos jogadores mais importantes da equipe. Vinícius Jr. começou a se afastar poucas semanas após a chegada do técnico, quando Alonso cogitou escalar o ponta-esquerda na lateral direita e o deixou fora da semifinal do Mundial de Clubes contra o Paris Saint-Germain.
O ponto de ruptura ocorreu no clássico de outubro contra o Barcelona. Alonso substituiu Vinícius durante o jogo, e o jogador reagiu com fúria: “Vou embora, é isso?”, gritando enquanto saía em direção ao túnel. Segundo fontes próximas ao craque, Alonso tornou-se um obstáculo para sua renovação contratual, que se estende até 2027.
Federico Valverde expressou insatisfação semelhante ao ser deslocado para a lateral direita. “Eu não nasci para jogar na lateral direita”, declarou à imprensa durante partida da Champions League contra o Kairat Almaty. O uruguaio também foi visto aquecendo na linha lateral com pouco entusiasmo após ser deixado fora da equipe.
Jude Bellingham, por sua vez, viu sua liberdade de movimento restringida pelos métodos táticos de Alonso. “Quero que [Bellingham] seja o mais eficiente possível”, afirmou Alonso no início da temporada. Em janeiro, o inglês negou relatos de descontentamento como “fabricados ou exagerados”, mas Alonso foi demitido apenas quatro dias depois.
Derrotas chocantes acelerou demissão
O Real Madrid sofreu goleadas em momentos críticos que minaram a confiança no projeto. Na estreia de Alonso, o time levou 4 a 0 do PSG na semifinal do Mundial de Clubes. A derrota ocorreu porque Alonso foi obrigado a assumir o comando antes do torneio, sem pré-temporada adequada, após saída de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira.
Meses depois, no início da temporada 2025/26, o Real Madrid perdeu por 5 a 2 para o Atlético de Madrid. “Foi um jogo ruim. Não jogamos bem, com ou sem a bola”, admitiu Alonso após o resultado. Duas derrotas consecutivas na Champions League contra Liverpool e Manchester City, combinadas com tropeço para o Celta de Vigo em LALIGA, selaram o destino do técnico.
O presidente Florentino Pérez reconheceu a falta de paciência do clube. “Já demiti três treinadores em uma temporada”, disse à imprensa. No entanto, também questionou a incapacidade de Alonso em adaptar o modelo bem-sucedido do Bayer Leverkusen para um ambiente completamente diferente, repleto de egos e estrelas acostumadas à abordagem liberal de Ancelotti.
Mudanças estruturais no Chelsea para Alonso
Alonso pediu ao Chelsea ajustes no modelo de contratações. O clube gastou mais de 2 bilhões de libras em jovens talentos com pouco retorno, e o técnico quer investimento em jogadores mais experientes. Fontes afirmaram que o Chelsea compreendeu a importância de equilibrar um elenco talentoso mas imaturo com veteranos de qualidade.
O espanhol receberá mais controle sobre gestão e desenvolvimento da equipe do que seus antecessores durante a era BlueCo. Embora a estrutura conte com cinco diretores esportivos, incluindo Paul Winstanley e Laurence Stewart, Alonso terá influência decisiva nas decisões. Essa mudança busca evitar frustrações que afetaram tanto Mauricio Pochettino quanto Enzo Maresca.
Taticamente flexível no novo clube
- Formação 3-4-3 como base (modelo do Bayer Leverkusen)
- Sistema 4-2-3-1 como alternativa (adotado no Real Madrid)
- Malo Gusto e Marc Cucurella para lateral direito e esquerdo
- Enzo Fernández e Moisés Caicedo como dupla de volantes
- Cole Palmer em posição de criação similar à de Florian Wirtz
O Chelsea possui jogadores suficientes para permitir flexibilidade tática. A profundidade do elenco e os ajustes em contratações definirão qual sistema Alonso utilizará regularmente. A chave está na capacidade dos laterais operarem avançados, algo fundamental em seu projeto.
Reputação como trunfo para manter elenco
A contratação de Alonso funciona como declaração de intenções da diretoria. O Chelsea termina a temporada em 9º lugar com 49 pontos, longe de competições europeias. Enzo Fernández, Cole Palmer e João Pedro enfrentam incerteza sobre futuro no clube. Segundo fontes, o Barcelona monitorava João Pedro como substituto para Robert Lewandowski.
A reputação de Alonso como jogador e treinador representa fator decisivo para manter esses nomes e convencê-los de que o clube compete novamente por grandes títulos. Diferentemente de Rosenior, Alonso conquistará instantaneamente o respeito e autoridade que faltaram ao antecessor. Ele terá grandes chances de preservar a unidade do elenco apesar do fracasso recente em Madri, onde sua incapacidade em gerenciar egos de grandes estrelas determinou seu colapso.

















