Legisladores americanos aprovaram uma proposta de projeto de lei bipartidário que impõe uma taxa anual de 130 dólares sobre proprietários de veículos elétricos. A medida, batizada de “BUILD America 250 Act”, busca garantir que motoristas de carros elétricos contribuam para a manutenção de estradas, uma responsabilidade financiada pela população de proprietários de carros convencionais através do imposto federal sobre gasolina. O imposto federal sobre gasolina não é pago por condutores de veículos elétricos, criando uma lacuna no fundo destinado à manutenção de rodovias que cresce a cada ano.
A taxa entraria em vigor em 2029, começando em 130 dólares e aumentando 5 dólares a cada dois anos até chegar a 150 dólares. Proprietários de carros híbridos plug-in pagariam 35 dólares anuais, com o valor subindo gradualmente até 50 dólares. O presidente do Comitê de Transportes e Infraestrutura, Sam Graves, republicano do Missouri, justificou a iniciativa afirmando que a medida “garante que proprietários de veículos elétricos comecem a pagar sua parte justa pelo uso de nossas estradas”.
Crítica dos grupos ambientalistas
Organizações de defesa de veículos elétricos e grupos ambientais condenaram a proposta com veemência. Katherine García, diretora da Campanha Clean Transportation for All do Sierra Club, classificou a medida como “uma taxa irresponsável que falhará em fechar significativamente o déficit do Highway Trust Fund”. García ressaltou que o governo deveria incentivar, não penalizar, as opções de transporte limpo que reduzem emissões prejudiciais à saúde pública e ao clima.
Albert Gore, diretor executivo da Zero Emission Transportation Association, afirmou compreender a necessidade de manter a solvência do Highway Trust Fund, porém chamou a taxa proposta de “simplesmente um imposto punitivo que impactaria desproporcionalmente os adotantes de veículos elétricos”. Gore destacou que a medida teria impacto mínimo na manutenção do fundo rodoviário.
Desequilíbrio com impostos sobre combustível
O imposto federal sobre gasolina, de 18,3 centavos por galão, permanece congelado desde 1993, apesar da inflação constante e das melhorias de eficiência dos automóveis. Segundo análises do Consumer Reports, o americano médio paga entre 70 e 90 dólares anuais em impostos federais sobre gasolina, muito menos que a taxa proposta para veículos elétricos. Idosos e pessoas que dirigem ocasionalmente pagam apenas 40 a 50 dólares por ano em impostos sobre combustível.
As críticas apontam que taxas fixas ignoram quantas milhas cada pessoa dirige anualmente. O Consumer Reports destaca um problema maior: esse modelo de cobrança desvia o ônus financeiro dos veículos comerciais de alta circulação. Vans de entrega, robotáxis e plataformas de compartilhamento podem rodar até dez vezes mais milhas que um veículo particular, mas pagariam proporcionalmente menos sob um sistema de taxa fixa.
Panorama estadual de taxas sobre veículos elétricos
Vários estados americanos já implementaram suas próprias taxas de registro específicas para veículos elétricos a fim de angariar fundos para reparo de estradas no nível estadual. Muitas dessas taxas são significativas. Em Michigan, proprietários de veículos elétricos precisam desembolsar 267 dólares em 2026, enquanto donos de híbridos plug-in pagam 113 dólares, ambos aumentos em relação ao ano anterior. Em Nova Jersey, o registro de um veículo elétrico custa 270 dólares, e os motoristas precisam pagar os primeiros quatro anos antecipadamente.
Os dados estaduais demonstram que a indústria de veículos elétricos já enfrenta um mosaico complexo de obrigações financeiras que variam significativamente de acordo com a jurisdição. Uma padronização federal poderia simplificar o sistema, mas a proposta atual gerou resistência porque combina esse novo imposto com o crescimento estimado de proprietários de veículos elétricos nos próximos anos. O Highway Trust Fund, responsável pelo financiamento de reparos rodoviários em todo o país, depende primariamente da receita de impostos sobre combustíveis, criando uma pressão estrutural que legisladores buscam resolver através de novas fontes de arrecadação.

