O novo sedã elétrico Mercedes-AMG GT chega às concessionárias americanas ainda neste ano, marcando a entrada da fabricante alemã no segmento de super sedãs de alta performance. O modelo GT 55 será o primeiro a desembarcar, seguido pela versão mais potente GT 63 em 2027. A tecnologia embarcada promete reposicionar a Mercedes na disputa global por veículos elétricos de luxo.
O AMG GT representa a reinvenção tecnológica da marca após resultados modestos com gerações anteriores de carros elétricos. Os modelos EQ anteriores apresentavam designs arredondados com baixo apelo comercial. A estratégia mudou significativamente nos últimos dois anos, com lançamentos como GLC EV e CLA que trouxeram designs mais convencionais, melhor autonomia e interfaces atualizadas.
Motores revolucionários reduzem peso e aumentam desempenho
O Mercedes-AMG GT é o primeiro veículo elétrico de produção a utilizar motores de fluxo axial em escala comercial total. A tecnologia vem da YASA, especialista britânica em motores elétricos adquirida pela Mercedes em 2021. Os motores de fluxo axial possuem formato de disco, diferentemente dos convencionais em formato cilíndrico, o que permite:
- Densidade de potência 67% maior
- Peso reduzido em 67% comparado aos motores convencionais
- Melhor aproveitamento de espaço interno
- Aumento significativo de torque
- Melhor distribuição térmica durante operação
Na versão GT 63, três motores dois na traseira e um na dianteira entregam 1.153 cavalos de potência e 2.000 Nm de torque. O sedã acelera de zero a 100 km/h em 2,3 segundos e atinge 200 km/h em 6,4 segundos. A versão GT 55 oferece 805 cv e 1.800 Nm de torque. Ambas têm velocidade máxima de 300 km/h.
Bateria de silício extrai lições da Fórmula 1
A bateria de 106 kWh utiliza 2.660 células cilíndricas agrupadas em 18 módulos, desenvolvida com base em experiência adquirida no programa de F1 e no supercarro AMG One. As células têm 10,4 cm de altura e 2,5 cm de diâmetro, formato escolhido especificamente para otimizar resfriamento. A Mercedes garante autonomia de aproximadamente 700 quilômetros no ciclo europeu WLTP.
O sistema de resfriamento opera em dois níveis. Primeiro, cada célula fica imersa em líquido refrigerante e conectada a uma placa de resfriamento. Segundo, um recurso chamado resfriamento sob demanda permite que o gerenciador de baterias resfrie módulos individuais conforme necessário. A composição química inclui cátodo de níquel, cobalto, manganês e alumínio combinado com ânodo de silício. Essa mistura atinge densidade energética de 298 watt-hora por quilograma, no limite superior das baterias de níquel atuais que normalmente variam entre 200 e 300 Wh/kg.
Recarga ultrarrápida de 600 quilowatts supera concorrentes ocidentais
O carregamento de 600 kW do Mercedes-AMG GT é o mais rápido já alcançado por fabricante ocidental. O sedã vai de 10% a 80% em apenas 11 minutos. A montadora afirma que em dez minutos de carregamento completo, o veículo ganha 459 quilômetros de autonomia segundo ciclo WLTP, equivalente a aproximadamente 402 km pelo padrão EPA americano.
Comparativamente, a Tesla Cybertruck atinge 500 kW como único elétrico americano nessa faixa. Modelos de luxo recentes chegam a 400 kW. O Lucid Gravity, com potência máxima de 400 kW, adiciona até 320 quilômetros em menos de 11 minutos. Ainda assim, marcas chinesas como BYD e Geely mantêm liderança global. A BYD com sua bateria Blade e carregamento Flash vai de 10% a 97% em nove minutos. Estações de carregamento acima de 500 kW continuam raras nos EUA, embora empresas especializadas trabalhem em expansão.
Design aerodinâmico com tecnologia ativa
O exterior do AMG GT utiliza aerodinâmica ativa denominada Aerokinetics. Um painel na parte inferior se estende automaticamente aos 120 km/h, outro no centro ativa-se em 140 km/h. Há difusor traseiro ativo opcional, spoiler retrátil de série e aletas de resfriamento ativas. A silhueta fastback proporciona visual esportivo apesar de linhas exageradas. Os faróis utilizam o logotipo Mercedes com luzes diurnas chamativas. A grade frontal ostenta barras verticais iluminadas. As lanternas traseiras circulares e detalhes em forma de estrela completam o design polarizador.
O sedã também recebe entretenimento sonoro inovador. Uma caixa de câmbio manual simulada reproduz sons falsos de motor V8. A Mercedes utiliza 1.600 arquivos de áudio para “interpretar sonoramente” diferentes situações de condução. O sistema inclui reprodução de “borbulhas de escapamento”, estalos e estouros característicos quando o motorista tira o pé do acelerador.
Chegada ao mercado e expectativas de preço
A versão GT 55 começa as entregas ainda em 2024 nos EUA. A versão mais potente GT 63 está prevista para início de 2027. Preços serão anunciados posteriormente. Considerando a quantidade de tecnologia de ponta, capacidade de desempenho e posicionamento de super sedã, espera-se que o veículo apresente valor comercial elevado, competindo diretamente com Porsche Taycan e Lucid Air Sapphire no segmento premium.

