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Incêndio atinge templo budista Daishō-in no Japão, mas ‘Chama Eterna’ em Hiroshima é preservada

fogo no Japão - Internet
Foto: fogo no Japão - Internet

Um incêndio de grandes proporções atingiu o histórico templo budista Daishō-in, localizado na ilha de Miyajima, província de Hiroshima, Japão, nesta terça-feira, 20 de maio. As chamas consumiram completamente o salão Reikado, uma estrutura de madeira de grande valor cultural e espiritual. Apesar da severidade do incidente, as autoridades do templo confirmaram que a icônica “Chama Eterna”, mantida acesa por mais de 1.200 anos, não sofreu danos. Este patrimônio budista milenar, conhecido por sua ligação com o Parque Memorial da Paz de Hiroshima, enfrenta agora a tarefa de reconstrução após a perda de um de seus mais emblemáticos espaços.

Salão Reikado é totalmente consumido pelas chamas

O fogo que irrompeu no templo Daishō-in culminou na completa destruição do salão Reikado, um dos pontos mais reverenciados dentro do complexo. A estrutura, construída predominantemente em madeira, foi rapidamente engolida pelas chamas, deixando apenas escombros. Este incidente representa uma perda significativa para o patrimônio cultural e religioso do Japão, dada a antiguidade e o simbolismo do local.

A ilha de Miyajima, onde o templo está situado, é mundialmente famosa por suas paisagens cênicas e por abrigar o Santuário de Itsukushima, Patrimônio Mundial da UNESCO. O Daishō-in, embora menos conhecido globalmente, é um centro de profunda importância espiritual e histórica, atraindo peregrinos e visitantes interessados na rica tapeçaria budista do país. A visibilidade da fumaça intensa, subindo sobre a ilha, alertou moradores e turistas para a dimensão do desastre.

Autoridades locais e equipes de emergência foram acionadas para conter o avanço do incêndio, trabalhando arduamente para evitar que as chamas se propagassem para outras áreas do vasto complexo. O salão Reikado, em particular, era um local de grande peso histórico, onde o monge Kukai, figura central no budismo japonês, teria realizado treinamentos ascéticos séculos atrás. A reconstrução da área danificada promete ser um desafio complexo, exigindo recursos e expertise para restaurar a integridade do sítio.

Chama Eterna de 1.200 anos permanece intacta

Uma notícia de alívio em meio à destruição foi a confirmação de que a lendária “Chama Eterna” escapou ilesa do incêndio. Segundo a tradição, esta chama queima continuamente há mais de 1.200 anos, desde a fundação do templo. Sua preservação é vital para a continuidade da fé e do simbolismo associado ao Daishō-in, assegurando que um dos pilares de sua identidade permaneça intocado.

As brasas da “Chama Eterna” são mantidas em uma área separada do salão principal, uma precaução que se mostrou crucial para sua sobrevivência durante o incidente. Esta prática de isolamento destaca a importância atribuída à chama pelos monges e pela comunidade religiosa, garantindo sua continuidade através dos séculos. A chama é um testemunho vivo da resiliência espiritual e da devoção.

A manutenção da “Chama Eterna” envolve um cuidado constante e rituais diários, realizados por gerações de monges do Daishō-in. Sua existência ininterrupta é vista como um símbolo de paz e persistência, qualidades que ressoam profundamente na cultura japonesa. A notícia de que ela foi poupada trouxe um senso de esperança e continuidade para muitos.

    Principais características da Chama Eterna:

  • Queima ininterruptamente por mais de 1.200 anos.
  • Associada ao monge Kukai e à fundação do templo Daishō-in.
  • Suas brasas são mantidas em um local seguro e isolado.
  • Simboliza a continuidade da fé e a busca pela paz.
  • Considerada a fonte da “Chama da Paz” no Parque Memorial de Hiroshima.

Legado de Kukai e a história do templo

O salão Reikado, agora destruído, possuía um significado particular por estar ligado à figura de Kukai, também conhecido postumamente como Kōbō-Daishi. Nascido em 774, Kukai foi um dos mais influentes monges budistas do Japão, fundador da escola esotérica Shingon do budismo. Sua vida e ensinamentos deixaram uma marca indelével na espiritualidade e na cultura japonesa, com sua presença ainda reverenciada em diversos templos pelo país.

O Daishō-in é um dos templos mais antigos e significativos da seita Shingon, com uma história que remonta ao século IX. Ao longo dos séculos, ele serviu como um importante centro de aprendizado e prática ascética, atraindo muitos que buscavam iluminação espiritual. A arquitetura e os artefatos históricos do templo contam a história de uma rica herança religiosa e artística, que reflete a evolução do budismo no Japão.

A localização do templo na base do Monte Misen, uma montanha sagrada em Miyajima, também contribui para sua aura mística. Muitos dos rituais e práticas do Daishō-in estão intrinsecamente ligados à natureza circundante e às paisagens montanhosas. A destruição do Reikado, portanto, não é apenas a perda de uma estrutura, mas também a de um espaço que testemunhou séculos de devoção e reflexão espiritual, um local onde o legado de Kukai era tangível.

Conexão com o Parque Memorial da Paz de Hiroshima

A “Chama Eterna” do templo Daishō-in detém um significado adicional e profundo, servindo como a origem da “Chama da Paz” que arde no Parque Memorial da Paz de Hiroshima. Esta conexão simbólica une a história milenar do budismo japonês com a memória recente e dolorosa de um dos eventos mais trágicos da humanidade: o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima em 1945. A Chama da Paz foi acesa em 1964 e, desde então, permanece acesa com a promessa de que só será apagada quando todas as armas nucleares do mundo forem destruídas.

O Parque Memorial da Paz de Hiroshima foi criado como um santuário em homenagem às vítimas do bombardeio e como um apelo global pela abolição das armas nucleares. A presença da “Chama da Paz”, alimentada pelas brasas do Daishō-in, estabelece um elo direto entre a resiliência espiritual e a busca incansável por um futuro livre de conflitos. A chama, em ambos os locais, representa a esperança e a persistência da vida.

Esta ligação fundamental eleva o significado do incidente no templo budista para além de uma mera perda arquitetônica. A “Chama Eterna” é um símbolo da capacidade de recuperação e da força do espírito humano, ecoando a mensagem de paz e renascimento que o Memorial de Hiroshima transmite ao mundo. A sua salvaguarda em meio ao incêndio reforça o poder e a continuidade dessa mensagem vital. A chama atua como um farol de esperança, lembrando a todos a importância da harmonia global.

Histórico de incidentes no Daishō-in

O salão Reikado do templo Daishō-in, antes da recente devastação, já havia registrado incêndios no passado, conforme relatos da imprensa local. A recorrência de tais incidentes sublinha a vulnerabilidade de estruturas históricas feitas de madeira, especialmente em regiões propensas a eventos como incêndios acidentais ou naturais. A manutenção de edifícios tão antigos apresenta desafios contínuos para os conservadores e administradores de patrimônio.

A preservação de templos e santuários milenares no Japão é uma tarefa complexa, envolvendo não apenas a conservação material, mas também a gestão de riscos. A madeira, material tradicional na arquitetura japonesa, embora esteticamente rica, é suscetível ao fogo e à deterioração ao longo do tempo. Esforços de prevenção, como sistemas de detecção e combate a incêndios, são constantemente revisados e aprimorados nessas instalações históricas.

Apesar dos contratempos, a história do Daishō-in é também uma narrativa de reconstrução e resiliência. Muitos dos templos japoneses passaram por diversas fases de destruição e restauração ao longo de sua existência, emergindo sempre renovados, mas com suas raízes históricas e espirituais intactas. A comunidade local e as autoridades religiosas provavelmente se unirão para restaurar o salão Reikado, garantindo que o legado do templo continue.